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Brujeria – Fabrique Club, São Paulo/SP (11/10/25)

Brujeria – Fabrique Club, São Paulo/SP (11/10/25)

Produção: Estética Torta
Assessoria: Acesso Music

Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva

Após pouco mais de um ano, e em sua décima passagem pelo país, o Brujeria — supergrupo latino-americano de deathgrind — retornou ao Brasil. Agora com produção da Estética Torta, a banda realizou uma turnê de sete datas, sendo a quarta delas realizada hoje em São Paulo (11). Para esta série de shows, eles contaram com o convidado especial El Cynico (Jeff Walker, Carcass) no baixo, além de marcarem uma nova era na história do grupo, em função das perdas recentes de membros clássicos de sua formação.

Formada em 1989, a banda adotou um conceito inusitado: se apresentar como integrantes de cartéis mexicanos, com letras que abordam satanismo, humor negro, deportação e crime, cantadas em espanhol, tocando mascarados e usando apelidos para esconder suas identidades. A formação sempre mesclou músicos mexicanos e americanos.

Com discos altamente influentes como “Matando Gueros” (1993), “Raza Odiada” (1995) e “Brujerizmo” (2000), o Brujeria conquistou o status de supergrupo, já que seus integrantes sempre se revezaram ao longo dos anos por conta de outros projetos paralelos. Nomes como “Asesino” (Dino Cazares, Fear Factory), “Guero Sin Fe” (Billy Gould, Faith No More), “Hongo” (Shane Embury, Napalm Death), “El Podrido” (Adrian Erlandsson, At The Gates) e “Grenudo” (Raymond Herrera, Fear Factory), entre outros, já passaram pela banda.

Em 2024, uma tragédia abalou a história do grupo: dois de seus principais membros, os vocalistas Juan Brujo (presente desde o início) e Pinche Peach, faleceram, deixando no ar a dúvida se a banda continuaria. Por fim, decidiram seguir em frente, atualmente com “El Sangron” (Henry Sanchez, Sangre) nos vocais, “El Criminal” (Anton Reisenegger, Criminal) na guitarra, “El Sativo” (John Lepe, filho de Juan Brujo) na bateria e, para esta turnê brasileira, o já mencionado “El Cynico” (Jeff Walker, Carcass) no baixo.

O show teve início às 19h, ao som de músicas tradicionais mexicanas nos PAs, que colocaram o público para dançar. Assim que a introdução de “Brujerizmo” (“Brujerizmo”, 2000) começou, a banda subiu ao palco e a primeira frase da música foi suficiente para incendiar o Fabrique. O público cantava junto e se degladiava no mosh, que abriu uma roda enorme no centro da casa.

Mantendo o ritmo, o grupo seguiu com mais momentos do clássico álbum: “El Desmadre”, “Anti-Castro” e “Vaya Sin Medo”. Em seguida, soou a divertida introdução de “La Migra (Cruza la Frontera II)” (“Raza Odiada”, 1995), uma das faixas mais conhecidas da banda, instaurando novamente o caos no local.

É preciso destacar o desempenho da atual formação: mesmo sem os dois vocalistas clássicos, El Sangron representou com intensidade a essência musical e o impacto vocal que sempre marcaram o Brujeria. Carismático, interagiu constantemente com a plateia, conversando, brincando e mantendo viva a irreverência característica do grupo. A cozinha instrumental estava afiadíssima, com destaque para John Lepe, que simplesmente destruiu o kit de bateria.

A apresentação prosseguiu com uma trinca devastadora do disco de estreia “Matando Gueros” (1993): “Chingo de Mecos”, “Cristo de la Roca” e “Desperado”. Foi um dos momentos mais intensos da noite, remetendo à fase mais brutal da banda — algo refletido na resposta feroz do público.

Em seguida, El Sangron perguntou se a plateia estava cansada (ninguém estava), e então vieram mais clássicos: “La Ley de Plomo” (“Raza Odiada”, 1995), cantada de forma ensurdecedora, foi um dos pontos altos do show.

Na sequência, “Colas de Rata”, “Division del Norte” e “Revolución” mantiveram o clima elétrico. A banda então prestou homenagens a Pinche Peach e Juan Brujo, com os nomes de ambos sendo ovacionados individualmente. Um colete de Juan Brujo estava posicionado à frente da bateria de seu filho, reforçando o tom de respeito e saudade. Também estava presente no palco o “mascote” Coco Loco — a icônica cabeça de “Matando Gueros” —, como um quinto elemento da apresentação.

Fiel à sua irreverência, El Sangron perguntou se o público tinha marijuana, e foi prontamente atendido com vários cigarros lançados ao palco, gerando um momento cômico que divertiu banda e público. A faixa “Consejos Narcos” (“Raza Odiada”, 1995) encerrou a primeira parte do set.

No bis, a introdução de “Raza Odiada (Pito Wilson)” deu início a uma execução intensa e avassaladora, seguida pela clássica “Matando Gueros”, faixa-título do debut. Empunhando o icônico facão de Juan Brujo, Sangron prestou mais uma homenagem ao vocalista original, conferindo ainda mais peso simbólico ao encerramento.

Como não poderia deixar de ser, a despedida veio com a divertida versão “Marijuana” da música “Macarena”, com todos dançando e cumprimentando o público próximo ao palco.

Embora seja difícil ver o Brujeria no palco sem boa parte de seus membros históricos, seria injusto dizer que a atual formação não faz jus ao nome da banda. Muito pelo contrário: o Brujeria segue mais vivo do que nunca. E isso se refletiu no público, que se divertiu como se os antigos integrantes ainda estivessem ali.

Com respeito ao legado e a energia intacta, ficou claro que uma das bandas mais queridas pelos brasileiros decidiu continuar sua jornada. O show foi marcado por saudosismo, respeito, irreverência e música pesada — exatamente o que o Brujeria sempre representou.

Setlist:

Intro
Brujerizmo
El desmadre
Hechando chingasos (Greñudos locos II)
Anti-Castro
Vayan sin miedo
La migra (Cruza la frontera II)
Ángel de la frontera
Chingo de mecos
Cristo de la roca
Desperado
La ley de plomo
Colas de rata
División del norte
Revolución
Consejos narcos
Raza odiada (Pito Wilson)
Matando güeros
Outro

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