Camus – “Abyssal” (2018)
Independente
#SpeedMetal, #ThrashMetal
Para fãs de: Annihilator, Slayer, Testament
Nota: 8,5
Não reparei que o modo aleatório estava ativado quando apertei o play neste aqui. Quando a feroz “Offer of Blood”, originalmente a terceira música de “Abyssal”, disco de estreia dos pernambucanos do Camus, explodiu nos meus ouvidos, gritei um “CARALHO!” tão alto que a solteirona que mora ao lado gritou de volta “QUERO!”. Aí começa a letra: “In the land of the dragons…”. “Ah, não, mais uma dessas bandas adeptas de temática medieval?”, pensei, com o ‘preconceituômetro’ no vermelho já. Eis um dos grandes desafios do jornalismo musical: despir-se do preconceito antes de iniciar cada audição. Cada um é cada um, cada qual é cada qual, certo?
Com o álbum rolando na ordem correta, fui saber um pouco mais sobre a banda, que está na batalha desde 2010. Oito anos de atividade no underground, ainda mais no Brasil onde o rock ainda é sinônimo de uma sorte de coisas ruins e o roqueiro não é levado a sério, é de se tirar o chapéu. Mas somente mãos calejadas seriam capazes de compor um repertório tão maduro e consistente como o que se ouve em “Abyssal”: heavy metal conceitual – as várias faces do demônio e a sempre válida dualidade real x sobrenatural – feito sob medida para provas de arrancada ou aulas de direção com Vince Neil; aos solos de Jones Johnson, que fariam Mike Varney abrir a carteira, acrescentam-se um vocal que urra como o mochila de criança abordado nas letras e um batera que parece usar rojões no lugar das baquetas.
“Abyssal” conta ainda com a participação especial dos vocalistas Sandro Balboa e Sérgio Costa (Evocati), além da de Nenel Lucena, que também assina a produção. Ouça em todas as plataformas digitais. Lançamento físico só Deus – ou o diabo, neste caso – sabe.
Marcelo Vieira
