Candlemass – “Ashes to Ashes (Live)” (2010) (Relançamento 2025)

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Candlemass – “Ashes to Ashes (Live)” (2010)
(Relançamento 2025)

Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DoomMetal #HeavyMetal

Para fãs de: Solitude Aeturnus, Saint Vitus, Trouble, My Dying Bride

Texto por Daniela Farah

Nota: 9,0 (técnico) / 10 (emocional)

Poucas bandas transformam um show em liturgia como o Candlemass. Lançado em 2010, “Ashes to Ashes” é mais do que um álbum ao vivo: é um ritual. Gravado no Sweden Rock Festival de 2009, o disco equilibra a grandiosidade cerimonial do doom metal com a proximidade quase intimista que a banda transmite no palco. São sessenta minutos de densidade melancólica, em que cada acorde ecoa como lamento e cada vocal de Robert Lowe soa como invocação. Basta fechar os olhos para sentir o peso quase físico do som: uma névoa sombria que toma o espaço, lenta e inexorável.

O setlist encontra o ponto ideal entre novidade e reverência. Músicas então recentes, como “If I Ever Die” e “The Bleeding Baroness”, ganham energia crua e quase juvenil, mostrando que o Candlemass não vivia apenas de seu legado. Mas é nos clássicos que a catarse atinge o ápice: “At the Gallows End” surge ainda mais dramática, “Solitude” pesa como epitáfio coletivo e “A Sorcerer’s Pledge” reafirma sua aura mítica.

A produção também merece destaque. Clara e encorpada, passa a impressão de um álbum de estúdio cru, sem perder a vibração do ao vivo. As guitarras de Mappe Björkman e Lars Johansson se entrelaçam como muralhas, o baixo de Leif Edling pulsa com força ritualística e Jan Lindh sustenta a estrutura com precisão implacável. No centro de tudo, Robert Lowe dá voz ao abismo: intensa, controlada, quase sobrenatural.

O desfecho vem com “Kill the King”, do Rainbow, um cover que não soa como mera homenagem, mas como tradução para o idioma do doom. O resultado é ousado e reafirma a identidade do Candlemass: reverenciar sem jamais perder sua essência.

No fim, “Ashes to Ashes” é um documento vital da trajetória dos suecos. Funciona como celebração de décadas de peso e também como prova de que a banda seguia relevante. Em um cenário em que tantos discos ao vivo soam descartáveis, este envolve, consome e permanece.

Avaliação crítica:

  • Setlist e narrativa – 9,0: equilíbrio entre novidades e clássicos, com momentos catárticos bem distribuídos.
  • Execução ao vivo – 9,2: performance intensa, sem deslizes, com Robert Lowe entregando impacto vocal.
  • Produção sonora – 8,8: clara e encorpada, próxima ao estúdio cru, mas sem perder a atmosfera da noite.
  • Identidade artística – 9,0: doom em sua essência, pesado e cerimonial, com ousadia no cover final.
  • Experiência de escuta – 8,5: flui como um ritual completo, ainda que exija familiaridade com o gênero.

Nota final: 9,1/10 (técnico) | 10/10 (emocional) – um registro vivo e ritualístico, prova de que o Candlemass é referência eterna do doom metal. Para quem sente o peso ao vivo, é quase como estar no show – só que com o som lapidado.

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