Candlemass – “Death Magic Doom” (2009) (Relançamento 2025)

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Candlemass – “Death Magic Doom” (2009) (Relançamento 2025)

Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DoomMetal #HeavyMetal

Para fãs de: Black Sabbath, Pentagram, Cathedral, Solitude Aeternus, Saint Vitus

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Poucas bandas conseguem manter relevância criativa e integridade artística ao longo de tantas décadas como o Candlemass. Quando Death Magic Doom chegou às lojas em 2009, o álbum reafirmou de forma incontestável o status lendário dos suecos dentro do Doom Metal tradicional e mostrou que havia muito fogo criativo queimando sob a superfície pesada e soturna da sua música. Produzido por Chris Laney, o disco dá continuidade ao ótimo momento iniciado com o retorno de Robert Lowe nos vocais — o mesmo que já havia brilhado em King of the Grey Islands — e entrega uma coleção de faixas que combinam riffs massivos, melodias envolventes e uma atmosfera ritualística, quase mística.

Desde a primeira audição, fica claro que Death Magic Doom é uma síntese madura de tudo que tornou o Candlemass uma referência mundial. A abertura com “If I Ever Die” surpreende ao trazer uma levada relativamente rápida para os padrões da banda, quase flertando com o Heavy Metal tradicional, mas sem perder o senso de tragédia que permeia cada refrão. Na sequência, “Hammer of Doom” retoma o andamento arrastado e solene, conduzido por guitarras tão densas que parecem desabar como muros de pedra. A produção é cristalina, dando espaço para cada nota respirar, e a voz de Lowe soa poderosa e cheia de nuances dramáticas, deixando claro que poucas bandas sabem transformar o peso em poesia de maneira tão convincente.

Uma das maiores virtudes do álbum é a forma como ele evita cair em repetições fáceis. Em “The Bleeding Baroness”, por exemplo, o Candlemass entrega sete minutos de melancolia épica, com riffs que soam ao mesmo tempo ancestrais e modernos. A habilidade de Leif Edling, baixista e principal compositor, de criar linhas marcantes sem soar artificial ou genérico, salta aos ouvidos em cada faixa. O disco inteiro parece exalar um respeito profundo pelas raízes do Doom Metal, mas sem se limitar a seguir fórmulas desgastadas. Esse equilíbrio entre tradição e frescor fica evidente em momentos como “Dead Angel” e “Clouds of Dementia”, que alcançam uma vibração quase litúrgica e mostram por que o Candlemass sempre foi tratado como referência ao lado de nomes como Cathedral e Saint Vitus.

O álbum também se destaca pela coesão emocional. Cada canção tem um peso específico, mas todas compartilham o mesmo senso de solenidade quase ritual. É como se a banda tivesse criado um manual de como se faz Doom Metal de verdade: honesto, carregado de paixão e absolutamente colossal em termos sonoros. A performance de Robert Lowe eleva esse repertório a outro nível, trazendo uma interpretação sombria e ao mesmo tempo cheia de autoridade, que combina perfeitamente com o instrumental denso.

Outro ponto alto é “House of 1000 Voices”, que incorpora um clima teatral quase cinematográfico, lembrando que o Candlemass sempre teve uma afinidade natural com o drama e com a ideia de cada música ser uma pequena peça de horror e beleza. Já “My Funeral Dreams” encerra o disco com um senso de devastação e grandeza que reafirma a proposta da banda de criar um som que seja, ao mesmo tempo, pesadíssimo e profundamente humano.

No fim das contas, Death Magic Doom soa como uma obra que respira um Doom Metal ancestral, mas que permanece atual. É um disco que impressiona pela força e pela coerência, um verdadeiro testamento de que o gênero pode, sim, evoluir sem perder sua essência. Com ele, o Candlemass não só preservou sua relevância, mas também entregou um dos melhores trabalhos de sua longa carreira — um álbum que fala diretamente aos corações que batem mais devagar ao som de riffs monolíticos e refrões carregados de dor existencial. É a prova definitiva de que o verdadeiro Doom Metal nunca morre; ele apenas se torna mais profundo e sombrio com o passar dos anos.

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