Candlemass – “King Of The Grey Islands” (2007)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DoomMetal #HeavyMetal
Para fãs de: Memento Mori, Solitude Aeturnus
Texto por Aldemar Ferreira
Nota: 9,0
Os relançamentos deste ano não param. A chegada de “King Of The Grey Islands” em 2025 pode ser interpretada tanto como uma celebração quanto como uma oportunidade de redescoberta deste clássico dos suecos do Candlemass. Lançado originalmente em 2007, o disco marcou uma fase de transição da banda, com a entrada de Robert Lowe (ex-Solitude Aeturnus) nos vocais, trazendo um peso dramático ainda mais soturno e letras carregadas de melancolia, no melhor molde que o grupo sabe proporcionar. Revisitar este álbum hoje é como caminhar por uma estrada já conhecida, mas que, sob nova iluminação, revela detalhes e nuances antes despercebidos. A atmosfera densa continua a soar atemporal, reafirmando o motivo pelo qual o Candlemass é um dos pilares do Doom Metal.
A produção, mesmo mantendo as características de sua época, foi levemente revitalizada neste relançamento, permitindo que riffs monumentais como os de “Emperor of the Void” e “Of Stars and Smoke” transmitam toda a profundidade e essência da obra. O peso das guitarras soa como muralhas de concreto, mas é a voz de Lowe que imprime a marca definitiva: solene, sofrida, quase litúrgica e perfeita para a proposta das composições. Há uma sinceridade sombria em sua interpretação, transformando dor e resignação em algo quase espiritual. Essa força coloca o álbum em um patamar diferenciado dentro da discografia do Candlemass.
O que mais impressiona ao revisitar “King Of The Grey Islands” é a coerência da obra como um todo. Cada faixa se encaixa como um capítulo de um mesmo ritual, criando uma experiência que não se limita a músicas isoladas, mas sim a um mergulho profundo em um universo de escuridão e reflexão. “The Great Dreams Blinder” e “Clearsight” expandem esse conceito com arranjos que, embora lentos, carregam uma intensidade avassaladora. Já “Man Of Shadows”, a minha preferida do disco, traz um isolamento denso em suas letras e um lindíssimo solo de guitarra em seu final. É um trabalho que exige entrega do ouvinte e, quanto mais se mergulha nele, mais ele se revela como uma meditação sonora sobre a fragilidade humana e as mazelas da sua inconstância.
Mais uma vez, o Candlemass reafirma seu domínio absoluto sobre o gênero, provando que sua obra não envelhece, apenas se reinventa aos olhos (e ouvidos) de quem a redescobre. “King Of The Grey Islands” permanece como um testemunho de peso e emoção, onde cada acorde ecoa como uma lembrança eterna de que o Doom Metal pode ser tão grandioso quanto intimista. Obrigatório para fãs da banda e do estilo.