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Candlemass – “Polar Rough Mix” (2025)

Candlemass – “Polar Rough Mix” (2025)

Nuclear Blast | Shinigami Records
#DoomMetal #HeavyMetal
Para fãs de: Black Sabbath, Solitude Aeturnus, Reverend Bizarre, Trouble, Memento Mori

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Marcando duas décadas desde o lançamento de seu autointitulado álbum de 2005, os suecos do Candlemass abrem o baú e brindam os fãs com uma edição especial que vai muito além de um simples relançamento. “Polar Rough Mix”, lançado pela Nuclear Blast (com distribuição nacional via Shinigami Records em CD duplo digipack), apresenta uma versão crua, direta e despojada das gravações originais — uma oportunidade rara de revisitar um clássico relativamente recente sob uma nova perspectiva sonora.

Gravado originalmente em 2004 no Polar Studios, este material foi concebido antes do polimento final que deu origem à versão lançada em 2005. A proposta aqui é clara: revelar o Candlemass em sua forma mais visceral, com um som que privilegia o peso das guitarras e a intensidade das performances, em vez da produção refinada e grandiosa que marcou o disco original.

A formação clássica brilha mais uma vez: Messiah Marcolin com seus vocais inconfundíveis, Leif Edling no comando do baixo e da alma criativa, Lars Johansson e Mappe Björkman nas guitarras e Jan Lindh na bateria. O repertório permanece o mesmo, com faixas que ajudaram a consolidar a volta triunfal da banda nos anos 2000: a soberba “Black Dwarf” (talvez a faixa mais agressiva da banda até hoje), “Seven Silver Keys”, “Copernicus”, “Witches” e “The Day and the Night” são revisitadas com um frescor surpreendente. As demos incluídas no cd bônus — como “Black Dwarf”, “Spellbreaker”, “Witches” e “Born In A Tank” — reforçam o caráter documental da edição, mostrando a gênese das composições antes do acabamento final.

Ao meu ver, esse lançamento está longe de ser um “caça-níquel”. Ele evidencia uma combinação única entre melodia e brutalidade, mas de uma forma mais crua e próxima da atmosfera de uma sala de ensaio, ressaltando como algumas faixas ganham nova força e peso nessa abordagem despretensiosa, porém cheia de alma. Notei que a mixagem dessa nova versão traz as guitarras com mais ganho e impacto, enquanto a bateria ficou um pouco mais recuada em comparação ao original. As ambiências presentes na edição de 2005 deram lugar a algo mais direto, “na cara”, o que pode soar como um ponto negativo para os fãs mais “die hard”.

De toda forma, entendo que a intenção desse lançamento não é competir com o passado, mas sim oferecer um olhar alternativo sobre um momento importante da própria história da banda. “Polar Rough Mix” não busca reinventar o clássico, e sim permitir que os fãs caminhem pelos bastidores do processo criativo de uma das maiores instituições do doom metal. É um lançamento feito para sentir o peso de perto, sem lapidações ou vernizes — quase como se estivéssemos dentro do estúdio com eles.

Com essa edição, o Candlemass reafirma seu legado de forma inteligente e sensível: celebra o passado, mas também revela novas camadas de um álbum que já era grandioso. Para colecionadores, fãs devotos ou curiosos em ouvir a banda com outros ouvidos, “Polar Rough Mix” é um presente de aniversário à altura do nome que carrega.

Como curiosidade, o álbum de 2005 ficou conhecido como o “Álbum Branco do Candlemass”, e agora essa nova versão pode ser apelidada de “Álbum Preto do Candlemass”, já que as cores da arte foram invertidas em relação ao original. Se você vai ouvir essa versão com frequência ou não, fica a seu critério. Eu, como gosto de guitarras mais “na cara”, adorei — mas isso não significa que vou deixar de ouvir o original.

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