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Cannibal Corpse – “The Bleeding” (1994/2021) (Relançamento)

Cannibal Corpse“The Bleeding” (1994/2021) (Relançamento)
Rock Brigade Records | Voice Music
#DeathMetal

Para fãs de: Deicide, Suffocation, Death, Morbid Angel

Nota: 9,0

Bandas como o Cannibal Corpse são celebradas e tidas como lendárias desde os primeiros lançamentos, e a evolução da banda mostra uma verdadeira paixão pela música doentia. Essa paixão os levou a criar “Tomb of The Mutilated”, seu terceiro disco e com isso esmagar todos os limites de decência e bom gosto, criando um som monstruoso que os colocou no mapa das grandes bandas do Death Metal, porém eles precisavam dar o próximo passo e não queriam ser conhecidos apenas por uma capa explícita e títulos de músicas impróprios.

O Cannibal Corpse sabia exatamente para onde eles queriam ir, e sabia disso antes de “Tomb of the Mutilated”. O problema era que eles não eram proficientes o suficiente como músicos e não tinham a formação certa para dar o próximo passo. Seus colegas do Death e Morbid Angel estavam escrevendo músicas mais técnicas e incríveis e o Cannibal sabia que eles poderiam fazer o mesmo. O que faltava era uma coerência e uma consistência que muitas vezes faltam em seus primeiros álbuns, prova de que sua música poderia manter e até superar sua notória reputação.

No álbum que se tornaria “The Bleeding”, o Cannibal Corpse decidiu mudar sua pegada de chocar para algo com mais substância. O primeiro passo foi substituir o guitarrista original Bob Rusay pelo velho amigo e parceiro de jam Rob Barrett. Barrett imediatamente adicionou novas ideias e experiências formidáveis. O segundo, sob a orientação do produtor de longa data do Cannibal, Scott Burns, em novembro de 1993, foi adotar um estilo mais tarde apelidado de “death metal com ganchos”, e o sentimento de estarem ficando para trás na corrida levou a banda a escrever clássicos como “Staring Through the Eyes of the Dead”, Fucked With a Knife” e “Stripped, Raped and Strangled”. As faixas se fazem presentes no setlist da banda nas duas décadas seguintes.

A primeira tem um ritmo feito para bangear, com uma letra que fala sobre parecer estar morto, mas observar tudo através desses “olhos da morte”. Ela assume um ritmo mais rápido cheio de blast beats. A terceira foi feita para os fãs cantarem juntos, assim como levantar os punhos e acompanhar as batidas da bateria. Falando em cantar, os próprios vocais de Chris Barnes passaram do gutural completamente cavernoso de “Butchered at Birth” e “Tomb…” e foram para algo de mais fácil assimilação, fato que alegrou alguns e desagradou outros tantos.

Outras faixas também merecem destaque como “Return To Flesh” e seus solos cheios de melodias, “The Pick Axe Murders” que tem um ritmo insano, destacando os riffs de guitarra, solos e a bateria de Paul mazurkiewicz, que entrega um som perfeito em todas as faixas, a faixa-título, que tem um riff contagiante e que não sairá da sua cabeça e o cover para “The Exorcist”, do Possessed, que não deve nada a versão original. Devo fazer uma menção ao baixista Alex Webster, que sempre foi uma mente mais do que criativa e forte na banda, e o som de seu baixo é reconhecido a quilômetros de distância.

“The Bleeding” marcou o fim da primeira era do Cannibal Corpse, já que o vocalista e letrista Chris Barnes foi demitido durante as sessões de “Vile” em 1995 e substituído por George “Corpsegrinder” Fisher. Nos anos seguintes, Cannibal cresceu ainda mais musicalmente e produziu maravilhas técnicas como “Bloodthirst” e “Kill”. No entanto, “The Bleeding” contém as músicas mais populares do Cannibal e é tido como um dos melhores da carreira da banda. O álbum está sendo relançado no Brasil com uma edição em formato de luxo, promovida pela Voice Music e Rock Brigade, com o áudio remasterizado, por Fabio Golfetti, slipcase envernizado e encarte exclusivo com todas as letras e fotos, uma verdadeira celebração a essa peça mais do que necessária na coleção dos apreciadores do mais brutal Death Metal.

Para quem não tinha na coleção agora não tem mais desculpa, já que é um relançamento nacional em formato slipcase e encarte completo com letras até então inédito!!! Ou seja, corra já e compre!

Lucas David

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