Cemetery Skyline – Hangar 110, São Paulo/SP (16/09/2025)
Realização: Overload
Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia
Texto por Ana Clara Salles
Fotos por Alessandra Rosato
Vou começar essa resenha com uma confissão: eu nunca tinha ouvido falar do Cemetery Skyline até meados de maio deste ano, quando uma amiga postou nos stories que eles viriam tocar aqui. Como a gente tem o gosto musical extremamente parecido – e eu estou tentando ir ao máximo de shows possíveis –, fui conferir e, logo de cara, curti demais o som. Desde então, fiquei na expectativa de vê-los ao vivo.
Sem mais delongas, pulemos de maio para setembro, mais precisamente no dia 16, quando os caras subiram ao icônico palco do Hangar 110 para sua primeira apresentação em terras brasileiras. Talvez a escolha de uma terça-feira tenha sido meio ingrata para o assalariado, mas o que se viu foi uma quantidade até considerável de pessoas prontas para curtir o que eu gosto de chamar de “rock triste”. E valeu muito a pena.
Mesclando várias referências do gothic rock – Type O Negative, HIM, Poisonblack e o próprio Sentenced são apenas algumas das bandas que conseguimos identificar no som do Cemetery –, o público foi presenteado com um show coeso, cheio de energia, entrega e gratidão pela boa receptividade que tiveram. Impressiona como a voz de Mikael Stanne é versátil e se encaixa perfeitamente em músicas mais “graves” e limpas, como Torn Away e The Coldest Heart. Esta última, inclusive, passava a impressão de que Peter Steele havia reencarnado no vocalista.
Tocando na íntegra seu primeiro álbum, Nordic Gothic, a banda ainda encontrou espaço no setlist para apresentar o single Nothing from This World e um excelente cover de I Drove All Night, de Roy Orbison, que contou com o público cantando o refrão junto.
Infelizmente, no mesmo dia do show recebemos a triste notícia da morte de Tomas Lindberg, vocalista do At the Gates. E é claro que um acontecimento desses não passaria em branco. Mikael propôs um minuto de silêncio antes da última música e, de verdade, acho que foi a primeira vez que o Hangar se calou completamente. Dava para sentir a emoção no ar, quase palpável. Muito abalados, os músicos dedicaram Alone Together a Tomas, enquanto uma foto dele era projetada nos telões da casa.
E foi assim, entre melancolia, felicidade, tristeza, luto, choro e abraços do público, que terminou o show dessa banda que eu espero ter a chance de rever muitas outras vezes ao vivo. A lição que fica, por mais clichê que soe, é simples: vá a quantos shows puder. A vida passa rápido demais e a gente nunca sabe o que pode acontecer.
























