Cliff Burton: ex-companheiro relembra saída do Trauma para o Metallica
Texto/Colaboração: Paula Jabur
Edição: Cristiano Ruiz
Fotos: Divulgação
Mike Overton, guitarrista do Trauma e primeiro companheiro de banda profissional de Cliff Burton, relembrou a saída do baixista para o Metallica e contou que não ficou ressentido com a decisão. Pelo contrário: depois de assistir ao primeiro show de Burton com o Metallica, percebeu que o amigo havia feito a escolha certa.
Em entrevista à Metal Hammer, Overton também falou sobre o talento incomum de Burton e sobre os primeiros meses em que os dois tocaram juntos. De acordo com ele, a maneira de tocar do baixista chegou a causar certa dificuldade no início.

“Na verdade, tivemos alguns atritos no começo porque ele estava tocando coisas demais, e eu ficava confuso. Cliff estava por todo lado, mas aquilo funcionava. Eu realmente precisei aprender um pouco durante aqueles meses em que tocamos e ensaiamos juntos”, relembrou Overton.
Cliff Burton já impressionava antes do Metallica
Burton havia estudado música clássica e teoria musical no Chabot College, características que ajudaram a formar o estilo que posteriormente se tornaria uma de suas marcas no Metallica.
Durante a passagem pelo Trauma, o baixista já chamava atenção por tratar o instrumento de maneira pouco convencional para o Metal da época. A banda chegou a participar de uma competição local, mas acabou surpreendendo os jurados com uma sonoridade considerada progressiva demais.
Enquanto os avaliadores procuravam uma banda que soasse como o Journey, os próprios integrantes do Trauma enxergavam algo diferente no trabalho de Burton.
O fundador da Metal Blade Records, Brian Slagel, também testemunhou esse talento. Ele viu o Trauma tocar em Los Angeles e percebeu rapidamente que o baixista era o grande destaque da apresentação. “Em 30 segundos percebi que a banda era boa, mas aquele baixista era simplesmente incrível”, contou Slagel à Metal Hammer.
Mike Overton não lamenta ter perdido Cliff para o Metallica
Burton permaneceu pouco tempo no Trauma antes de receber o convite para entrar no Metallica. A mudança aconteceu em 1982, quando a banda de James Hetfield e Lars Ulrich procurava um novo baixista.
Overton afirma que não ficou chateado com a saída. Segundo ele, os demais integrantes do Trauma estavam seguindo uma direção musical mais leve, enquanto Burton tinha a oportunidade de desenvolver seu estilo em uma banda muito mais agressiva.
A confirmação veio quando Overton assistiu ao primeiro show do Metallica com Burton. O próprio baixista colocou o antigo companheiro na lista de convidados. “Eu estava lá pensando: ‘Meu Deus’. Fiquei impressionado com o poder bruto”, contou Overton.
Apesar de sentir falta de seu parceiro de palco, ele não tem dúvidas sobre a decisão tomada por Burton. “Eu sentia falta do meu companheiro de palco, mas acho que está claro que ele tomou a decisão certa.”
Cliff Burton deixou sua marca no Metallica
No Metallica, Burton transformou sua formação musical em uma abordagem única para o Thrash Metal. O baixista participou de Kill ‘Em All (1983), Ride the Lightning (1984) e Master of Puppets (1986).
Seu estilo aparece de forma especialmente evidente em momentos como “(Anesthesia) Pulling Teeth”, além de sua contribuição melódica e neoclássica em “For Whom the Bell Tolls” e “Master of Puppets”.
Burton morreu aos 24 anos, em 27 de setembro de 1986, quando o ônibus do Metallica sofreu um acidente durante a turnê na Suécia. Quatro décadas depois, o relato de Mike Overton ajuda a dimensionar o impacto que Burton já causava antes de se tornar um dos músicos mais influentes da história do Metal.
Você acha que Cliff Burton teria alcançado o mesmo impacto se tivesse permanecido no Trauma?




