Comatose Vigil A.K. – “Evangelium Nihil” (2018)
Non Servian Records
#FuneralDoomMetal
Para fãs de: Station Dysthymia, Abstract Spirit, Ennui
Nota: 9,5
A Rússia é uma potência no que diz respeito a Doom Metal e suas inúmeras ramificações, possuindo um dos cenários mais prolíferos do mesmo, indo desde bandas que seguem a linha mais tradicional, até Gothic, Death, Folk e claro Funeral Doom, pra se ter uma idéia, de lá vieram gigantes como: Funeral Tears, Who Dies In Siberian Slush, Vo Skorbyah, Arachna Signorum, Вой, Abysskvlt, Mare Infinitum e muitos outros nomes alguns ainda obscuros, infelizmente.
Pois bem, o Comatose Vigil engrandece esse cenário, tendo lançado três obras de valor imensurável ao gênero, sendo elas: “Not a Gleam of Hope” de 2005, “Narcosis” de 2006 e “Fuimus, Non Sumus…” de 2011. Entre separações e reuniões, a banda se dissolveu “definitivamente” em 2016, reincarnando em 2017 com a sigla “A.K.” acrescida ao nome, as letras são as iniciais de Andrey Karpukhin, “iEzor”para os íntimos, que por razões internas foi impedido de utilizar a antiga alcunha. Nessa restruturação Andrey somou forças com outros nomes de peso como: David Unsaved (Ennui, Unsaved, Necropoli), que ficou responsável pelas guitarras, baixo e teclados e John Devos (Blood Atonement, Mesmur, Dalla Nebbia) na bateria, e o que ouvimos? O velho sendo feito pelo quase novo, a aura obscura e perturbadora do Comatose Vigil está presente em cada um dos longos minutos de Evangelium Nihil, os teclados traçam a linha principal do álbum com seus climas densos e intransponíveis enquanto iEzor destila seu niilismo em letras amargas e transtornadas.
A carga negativa é tão grande e nítida que chega a entorpecer as percepções, não é “ser triste”, é estar triste, pois ao darmos o play adentramos num mundo tomado por angústias sem o mínimo traço que seja de alegria, duvida? Ouça “Deus Sterilis” e “The Day Heaven Fell” e tire suas próprias conclusões!
Se o Mournful Congregation nos apresentou o seu “catecismo da depressão”, aqui, o Comatose Vigil A.K. nos revela o “evangelho do nada”, é sorver a cicuta e esperar pela morte.
Fábio Miloch
