Cyberfest – Burning House, São Paulo/SP (12/09/2026)
Produção: Cyberpunch
Texto e fotos: Matheus “Mu” Silva
Em sua segunda edição, o Cyberfest, evento promovido pela banda Cyberpunch, foi criado no ano passado com o intuito de promover novos nomes da cena, além, é claro, de celebrar a existência da banda principal. Realizado no último sábado (12), na Burning House, em São Paulo, o festival contou com cinco nomes relativamente jovens do underground: Thramentor, Kolapso, Tremendvz e o próprio Cyberpunch. Porém, desta vez, incluíram um nome mais tradicional e consolidado da cena, o Siegrid Ingrid.
Nota: devido a logísticas pessoais, não foi possível acompanhar o show da banda Thramentor. A resenha se inicia a partir da apresentação do Tremendvz.
Pontualmente, às 18h, a segunda atração do dia iniciou sua apresentação: Tremendvz. Assim como tem ocorrido com uma onda de bandas utilizando visuais mais carregados e intrigantes, o Tremendvz subiu ao palco com um visual parecido com o do Imperium Triumphant, executando um som cheio de camadas, algo próximo de um Death Metal melódico, porém com um clima mais teatral. As ambiências somaram ao visual peculiar da banda e contribuíram para a apresentação.
Entre músicas do recente EP “Glória e Sangue” (2025) e alguns singles que a banda lançou nos últimos anos, a apresentação ainda contou com covers realmente aleatórios, como “Nightmare” (Avenged Sevenfold), “Trapped in a Corner” (Death) e “Territory” (Sepultura). As músicas mostram as influências presentes no som da banda e justificam as nuances diferenciadas que fazem parte do todo.
Realizando um show de 35 minutos, tiveram boa aceitação do público, que era bem jovem, inclusive, mas que vem mostrando apoio ao que está acontecendo na renovação da nossa cena.
Às 19h, entrou em cena o Kolapso. Por conta de uma questão pessoal, o vocalista/baixista Pato não pôde se apresentar com a banda. Com isso, recrutaram o baixista Herius, do Tremendvz, e o vocalista Felipe para ajudarem a fazer a apresentação acontecer como um quinteto.
A banda possui um único single até o momento, “Awakening of Gods”, que mostrou o Thrash vigoroso e potente que o grupo possui. Após sua execução, a apresentação da banda foi recheada de covers. Porém, de forma surpreendente, a escolha das músicas fugiu totalmente do óbvio.
Na contramão de várias bandas que optam por covers arroz com feijão que todo mundo conhece, focaram boa parte deles em coisas do Metal nacional, como “Agony” e “Internally” (Korzus), “Beneath The Remains” (Sepultura), “Pinu da Granada” (Claustrofobia) e, o mais inesperado de todos, “Matthew Hopkins”, do Vírus.
A escolha dessa música se deve a um fator histórico. Afinal, o guitarrista Gabriel é filho do Cássio, ex-baixista da clássica banda paulista que fez parte do lendário “SP Metal” (1984), do qual essa música faz parte. Com 35 minutos de apresentação, mesmo que ainda estejam no início de sua jornada, só esse respeito e apreciação pelo nosso Metal já valeu demais a apresentação da banda, que exalou energia e força, e da qual vou acompanhar mais de perto os próximos passos.
Às 19h55, veio o ataque do Siegrid Ingrid. Clássico nome do Death/Thrash/Crossover nacional, trouxe ao evento seu som violento e intenso, carregado de velocidade, groove e ódio.
Fazendo um breve paralelo com as bandas, o vocalista Mauro “Punk” foi, sem dúvida alguma, o mais enérgico da noite. Sua presença é marcada por pulos, gestos, chutes. Enfim, ele faz valer seu apelido e é uma das características mais marcantes das apresentações da banda.
Além, é claro, do time pesado que o acompanha há muitos anos e que, desde o efetivo retorno da banda em 2015, após um longo hiato, mostrou que suas músicas continuam tão atuais quanto na época em que foram compostas.
Passeando pelos seus três discos, com músicas como “Forces” e “When You Die” (“Pissed Off”, 1995), “Nojo”, “Drásticas Consequências” e “Never Again” (“Back From Hell”, 2023), além do foco maior no clássico absoluto da banda, o disco “This Corpse Falls” (1999), com verdadeiras pedradas como “Murder”, que abriu o show, “Depressed” e minha favorita da banda, “Demência”, mostraram como o som da banda foi – e ainda é – impactante durante os anos 90 e até mesmo um tanto fora da curva. Afinal, possuem um estilo bem próprio, que mistura referências de forma natural e marcante.
Aliás, uma das coisas que impressionou a banda foi justamente a presença de uma plateia tão jovem, já que boa parte dos presentes, principalmente os que agitavam nas rodas de mosh, eram garotos e garotas na casa dos 20 e poucos anos, 23 no máximo, e que marcaram presença de forma efetiva, agitando incessantemente e trazendo uma bem-vinda renovação ao movimento.
Realizando um set de 40 minutos, foram suficientes para mostrar à galera mais nova como uma banda pode carregar sua história por tanto tempo, acreditando em seu próprio som.
E finalmente, às 21h, iniciou o show do headliner da noite, Cyberpunch. Outro nome relativamente novo, formado em 2024, assim como o Tremendvz, a banda foca em um lado mais teatral, muito por conta da performance do vocalista Netuno Balboa, que alternava vestimentas ao longo da apresentação, conferindo esse aspecto mais artístico, quase como se estivesse contando uma história.
Como a banda tem apenas dois singles lançados até o momento, “Riding Worms” e “Immortan War”, porém está com o lançamento de seu primeiro álbum previsto ainda para este ano, o que foi apresentado transita entre um Heavy Metal menos tradicional, com elementos de Industrial e Gótico, e algumas doses de Thrash Metal, sendo este último estilo mais explorado nas músicas que já estão disponíveis.
Mesmo sem uma referência prévia de material gravado da maior parte do show, o que foi apresentado impressiona, muito por conta do trabalho musical do quinteto, também formado por músicos jovens e cheios de vontade de fazer acontecer. Assim como todas as outras bandas, tiveram o apoio massivo do público, que, assim como eu, conhecia apenas o material pelo que a banda vem apresentando ao vivo.
Inclusive, fizeram até um barco viking comandado por Netuno durante a apresentação, remando sentados no chão, como o Amon Amarth faz. Eu tenho uma opinião não muito ortodoxa sobre isso, mas foi legal ver a molecada se divertindo (risos).
Um dos melhores momentos da apresentação, sem dúvida, foi quando o baterista Gabriel chamou seu pai, Francesco, para tocar “Children of The Grave”, do Black Sabbath, enquanto ele assumiu os vocais. Um momento que ele certamente nunca vai esquecer.
Com um show de 90 minutos, foi uma apresentação coesa, cheia de elementos visuais e com um som que chama a atenção. Estarei aguardando o lançamento de seu disco para melhores conclusões, mas o que foi apresentado foi muito bom.
É legal demais poder acompanhar de perto esse novo momento que o Metal está passando. Eu já tive meus 18, 20 anos e, ao contrário de muita gente mais velha que torce o nariz — e que, inclusive, também já teve essa idade —, eu acho fantástico ver novas bandas formadas por gente mais jovem.
O Metal necessita de uma renovação de seus músicos e público, e isso vem acontecendo de forma efusiva. Hoje, vi bandas que estão trilhando seu caminho para dar continuidade a tudo o que vem sendo feito ao longo de décadas, e precisamos apoiar isso.
Para quem estiver lendo, acompanhe as bandas que estão surgindo. O que é clássico e de fora sempre vai estar ali, mas vamos apoiar o que temos. Tem muita coisa boa acontecendo, e essa noite foi a prova viva disso. Parabéns a todas as bandas envolvidas.

