D.C. Lacroix – “From D.C. Lacroy To D.C. Lacroix” (2019)
FnA Records
#HeavyMetal, #NewWave, #HardRock
Para fãs de: Accept, Femme Fatale, Pat Benatar & Neil Giraldo
Nota: 7,5
O guitarrista Dan “D.C.” Christopherson e a cantora Sylvie Lacroix se conheceram em Seattle, Washington, no começo dos anos 1980, quando Sylvie fazia parte do The Jetzenz. Os dois imediatamente começaram a compor músicas juntos e logo descobriram que compartilhavam uma visão artística semelhante que os levou a iniciar sua própria banda, o D.C. Lacroix. Eles se mudaram para Los Angeles no verão de 1985 e tocaram em quase todos os clubes da Sunset Strip. Em meados de 1987, assinaram um contrato de um álbum com a Medusa Records, uma subsidiária do selo Enigma. Só não faziam ideia que a Enigma estava em vias de fechar as portas e vender seu catálogo para a Capitol. No final de 1988, o D.C. Lacroix ficou sem gravadora e encerrou as atividades no início de 1990.
Passados quase trinta anos, a FnA Records vasculhou os arquivos do D.C. Lacroix e compilou nada menos que 25 músicas, muitas delas inéditas. Pode-se dizer que, à exceção do LP “Livin’ By The Sword” (1988), o CD homônimo à banda inclui sua obra completa. Musicalmente, o que se ouve é um metal tradicional cuja energia canalizada em bons refrões se capilariza em um trabalho de guitarra decente tanto nos riffs como nos solos.
Em oposição à inspiração inegavelmente europeia dos primórdios — “We Are the Force” é puro Accept —, a trinca final composta por “When the Lights Go Out… It’s Heaven”, “Bad Luck” e “Do You Wanna Rock” revela uma tentativa tardia de transição para a raia do hard rock que poderia ter dado em alguma coisa caso houvesse mais verba e menos concorrência. Como vocalista, Sylvie Lacroix não fica devendo em nada para Chrissy Steele, Lee Aaron e outras que deram um pouco mais de sorte ao longo do caminho.
Já o material extraído de “Call It What You Like” (1983), LP lançado sob a alcunha D.C. Lacroy, apresenta um lance meio New Wave — e não é of British Heavy Metal! — cuja solitária salvação é a competência de Christopherson. O folk “One Kiss” é tão tragicômico quanto o esforço de Sylvie para soar feito Debbie Harry ou Pat Benatar. Ouça a título de curiosidade, mas tendo em mente que o material realmente indispensável está nas faixas 1 a 11 e da faixa 19 em diante. Dezesseis músicas boas em vinte e cinco não é nada mau, né? Ah, sim, a chance de você acabar curtindo é sempre real.
Cópias autografadas limitadíssimas estão disponíveis no site do selo.
Marcelo Vieira
