Dave Lombardo relembra críticas negativas ao álbum “Reign In Blood”, clássico do Slayer
Texto/Colaboração: Paula Jabur
Edição: Cristiano Ruiz
Fotos: Divulgação
Dave Lombardo afirmou que Reign In Blood, clássico do Slayer lançado em 1986, não foi recebido com entusiasmo unânime pela imprensa na época. Quatro décadas depois, o ex-baterista reconhece que o álbum enfrentou críticas negativas antes de conquistar o reconhecimento que tem hoje. Em entrevista a Ed Hack, do canal This Day In Metal, (clique e confira) ele também relembrou a ascensão da banda, a influência do disco sobre outros músicos e um tumultuado show em Los Angeles, em 1988.
“Nem todas as críticas eram boas naquela época. Vocês acham que considerávamos aquele um grande álbum, mas recebemos muitas críticas negativas por causa daquele disco. Depois de algum tempo, obviamente, tiveram que aceitar”, declarou Lombardo.
O músico explicou que o impacto de Reign In Blood não foi imediato. A repercussão cresceu gradualmente, especialmente entre 1987 e 1988, quando o Slayer começou a atrair públicos maiores e a consolidar sua posição na cena Metal. O lançamento seguinte, South of Heaven, igualmente contribuiu para essa evolução.
“Foi um processo contínuo. Não aconteceu de uma hora para outra. Para que uma banda se torne lendária e um disco construa seu legado, é preciso tempo. É preciso tempo para conquistar esse reconhecimento”, afirmou.
A influência de Reign In Blood sobre outras bandas
Lombardo percebeu a influência do Slayer quando começou a receber demos de grupos que reproduziam o estilo da banda. De acordo com ele, ouvir músicos tentando repetir aquele som era uma demonstração clara do alcance que o trabalho estava conquistando.
“Quando outras bandas começam a imitar você, percebe que está influenciando muitos fãs. Alguém entrega uma fita demo e você decide ouvi-la no fundo do ônibus. O som é exatamente igual ao seu. A imitação é a maior forma de admiração, mas era evidente que isso estava acontecendo”, contou.
Além disso, o baterista também recordou uma apresentação no Hollywood Palladium, em Los Angeles, realizada em 12 de agosto de 1988, com Danzig e Junkyard. O show teve ingressos vendidos além da capacidade do local, deixando cerca de 200 pessoas do lado de fora. Como resultado, a situação ficou fora de controle e exigiu a presença de aproximadamente 40 policiais, incluindo uma tropa de choque.
Venda exagerada de ingressos causou tumulto
Durante o tumulto, uma pessoa ficou gravemente ferida após ser arremessada contra uma vitrine de vidro. O episódio teve consequências para o Slayer, que passou anos sem conseguir realizar apresentações no condado de Los Angeles.
“Eles venderam ingressos demais. Chamaram a tropa de choque. Os policiais estavam todos alinhados, prontos para entrar e começar a quebrar cabeças com seus cassetetes. E você pensa: ‘Bem, devemos estar fazendo alguma coisa certa’”, relembrou Lombardo.
Apesar das dificuldades, o Slayer não pretendia mudar sua postura para atender às expectativas de críticos ou do público. Para o músico, a banda tinha liberdade para fazer a música que queria, mesmo que parte das pessoas demorasse a entender a proposta.
“É a nossa música. Somos músicos, somos artistas e fazemos o que quisermos. Se você gosta, seja bem-vindo. Se ainda não gosta, tudo bem, vamos esperar. Eventualmente, as pessoas vão entender, porque isso não vai desaparecer”, afirmou.
As controvérsias em torno de “Angel of Death”
Lançado em 7 de outubro de 1986 pela Def Jam Recordings, Reign In Blood é o terceiro álbum de estúdio do Slayer e o primeiro produzido por Rick Rubin. Com apenas 28 minutos e 58 segundos, o disco se tornou uma referência do Thrash Metal. A revista Kerrang! chegou a descrevê-lo como “o álbum mais pesado de todos os tempos”.
O lançamento, porém, enfrentou obstáculos. A gravadora demonstrou preocupação com a capa e com o conteúdo das letras, o que contribuiu para o atraso na chegada do álbum ao mercado.
A principal controvérsia envolveu “Angel of Death”, faixa que aborda Josef Mengele, médico nazista conhecido pelos experimentos realizados em prisioneiros de Auschwitz. O tema provocou acusações de simpatia ao nazismo contra a banda, que sempre negou qualquer identificação com a ideologia. A letra retrata os crimes cometidos por Mengele, sem defendê-los.
As polêmicas não derrubaram o sucesso de Reign in Blood
Mesmo diante das críticas e da polêmica, o álbum alcançou resultados importantes. Reign In Blood foi, portanto, o primeiro trabalho do Slayer a entrar na Billboard 200, chegando à 94ª posição. Em 20 de novembro de 1992, recebeu certificação de ouro da RIAA, por ultrapassar 500 mil cópias vendidas nos Estados Unidos.
Em 2021, Lombardo já havia falado sobre a importância do disco em entrevista ao Metal Injection. Na ocasião, chamou o álbum de obra-prima e destacou sua energia como um dos elementos que o tornam especial.
“Eu considero aquele álbum uma obra-prima. É um daqueles discos que resistirão ao teste do tempo. É brilhante. A força e a energia que ele tem não estão presentes em outros discos. Não sei se isso acontece porque estou ouvindo uma banda da qual fiz parte e tenho uma perspectiva diferente, mas é brilhante e sou muito grato por isso”, declarou.
Para o baterista, Reign In Blood continua sendo um marco do Thrash Metal e um registro que representa uma fase única da trajetória do Slayer.

