Deathgeist – “Underworld” (2026)
Mutilation Records | Punishment 18 Records | Thrash Or Death Records
#ThrashMetal
Para fãs de: Megadeth, Kreator, Coroner
Texto por Cristiano “Big Head” Ruiz
Nota: 9,5
Se, posteriormente à extinção da raça humana, seres inteligentes vasculhassem a Terra em busca de algo que importa, encontrariam os arquivos da história do Thrash Metal. Dessa forma, dentre outras informações relevantes, saberiam que, no dia 09/01 do ano de 2026, Deathgeist lançou “Underworld”, quarto álbum completo de sua jornada, chegando ao auge de sua criatividade naquele momento.
Somente nove anos desde o seu surgimento, lançando também nesse período os discos, “Deathgeist” (2017), “666” (2019) e “Procession Of Souls” (2022), o quarteto da capital paulista atingiu, enfim, a melhor versão de si mesmo. Embora as nove faixas inéditas de “Underworld” tragam menos velocidade que nos trabalhos anteriores do quarteto, nele elas sobram em peso, melodia e ousadia.
Assim que os riffs épicos da faixa título começam a soar, o diferencial do novo Deathgeist se torna explícito. A qualidade certamente fura a bolha daquela normalmente presente no chamado underground. Em seguida, “Mind Games” deixa claro que aquela referência de Teutonic Thrash de outrora deixou de comandar a sua sonoridade. Ela carrega várias influências que poderíam ser mencionadas e, ao mesmo tempo, carrega uma personalidade própria e única. Fechando a primeira trinca, “Destination Dust”, mesmo que mais acelerada, soa de forma evoluída.
A dupla de guitarristas Victor Regep e Adriano Perfetto soa perfeita nos riffs e da mesma forma nos solos. Como vocalista, Adriano buscou encaixar mais melodia em suas performances, porém sem deixar de lado suas características marcantes. Por outro lado, o baixista Maurício “Cliff” Bertoni e o baterista Fernando Oster mantém acesa a chama do Thrash através de sua cozinha mais que precisa. Ou seja, há aqui um time de músicos absolutamente competentes.
“The Kraken’s Wrath” é a música que mais soa épica, lembrando aquela atmosfera matadora de “Hell Awaits” por milésimos de segundos e assumindo a sua própria característica logo depois. Já “U.F.O Inc” é talvez a composição mais técnica do disco, dando uma roupagem ainda mais atual as influências old school do Deathgeist. É impossível ouvir a introdução de “Last Memories” e não pensar em Metallica. No entanto, o vocal mais sombrio Perfetto dá um clima especial e diferente a essa power ballad. Destaque absoluto para o baixo de Maurício Bertoni.
“When Darkness Falls” é decerto a faixa que tem mais a ver com os primórdios do Deathgeist, dando de presente aos seus fãs uma reminiscência de seu passado recente. “Into the Darkwood”, por sua vez, destaca a imponência dos pedais duplos de Oster assim como a variações de Adriano para “vozes mais sofrentes”. Como apeteóse desse impecável trabalho, “Skinwalkers” chega ao propósito de ser coroada como a melhor faixa do, até o momento, Magnum Opus do Deathgeist.
Por enquanto, somos nós a civilização terreste e todas as excelentes obras do Thrash Metal estão a nossa disposição para a nossa audição e puro deleite. Parabéns, mais uma vez, Deathgeist.

