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Deep Purple – “Splat!” (2026)

Deep Purple – “Splat!” (2026)

earMUSIC

#HardRock #ClassicRock

Para fãs de: Whitesnake, Uriah Heep, Led Zeppelin

Texto por Cristiano Ruiz

Nota: 9,0

Desde que resenhei Whoosh!, em 2020, tive a impressão que cada novo disco do Deep Purple seria o último de sua discografia. Tanto que, isso aconteceu de novo em 2024 com o lançamento de Equals One. Porém, novamente, me equivoquei. Dessa forma, em 3 de julho de 2026, pelo selo earMUSIC, contra todas as minhas evidências e percepções, foi lançado o vigésimo quarto full lenght do Deep Purple, Splat!.

Assim como Equals One, seu antecessor, Splat! contou com o seguinte line-up: Ian Paice (bateria), Roger Glover (baixo), Ian Gillan (vocal), Don Airey (teclado) e Simon McBride (guitarra).

Splat!, promessa de música pesada

De acordo com os membros do Deep Purple, em entrevistas que anunciaram a chegada de Splat!, o mesmo seria o trabalho mais pesado do quinteto em bastante tempo. Mas será que eles realmente cumpriram tal promessa? Sigam a leitura e mostrarei a vocês a resposta para essa pergunta.

Deep Purple sendo Deep Purple, da melhor forma que o contexto atual permite

Desde quando ouvi o single “Arrogant Boy” pela primeira vez, as expectativas em relação ao Deep Purple novo já eram as melhores possíveis. Assim que confirmei que essa faixa também seria a abertura de Splat!, tive a certeza que a chance de decepção era nula. Essa música não só se parece com o gigante quinteto britânico que a década de 70 fez com que milhões amassem, como, da mesma forma, traz em si os elementos musicais que o ajudaram a tornar-se umas das lendas do Rock’N’Roll.

Consegui, de maneira sinestésica, lembrar a sensação de quando escutei “Highway Star” pela primeira vez aos 13 anos, ou seja, 40 anos depois, essa banda ainda continua me emocionando. Não era sobre o rei da rodovia, mas sim sobre o garoto arrogante que tinha uma aparência deplorável.

Em seguida, vem “Diablo”, que por acaso foi o segundo single de Splat!. Se “Arrogant Boy” contrapõe “Highway Star”, “Diablo” igualmente o faz com “Maybe I’m a Leo”. Enquanto um é o diabo, o outro é apenas do signo de leão, ainda que para adictos em horóscopo, isso signifique quase a mesma coisa.

Saindo por hora dos singles, “The Rider” seria simplesmente uma boa música de Classic Rock, não fosse os solos cheios de emoção de Simon McBride, guitarrista que, aliás, soube encaixar seu estilo e competência desde quando substituiu o excelente Steve Morse.

“The Lunatic”, por sua vez, mescla Hard, Classic e um clima de suspense que a deixa ainda mais atraente. Para ser sincero, só consegui assimilar essa música na terceira audição do disco, contudo está entre as minha favoritas nesse momento.

Músicos de competência indiscutível

Todas as vezes que ouço “The Only Horse in Town”, reflito a respeito da grandeza de Ian Gillan, pois mesmo sem aqueles agudos que o imortalizaram, seu feeling ainda se funde a alma do Rock’n’Roll.

Na sequência, diferente do que se ouve até aqui, “Sacred Land” se parece mais com o Deep Purple da década de 80, após o seu retorno triunfal com Perfect Strangers em 1984. Antes de mais nada, nessa faixa, preciso mencionar o tecladista Don Airey, o qual carrega a dura missão de ser o substituto do mestre Jon Lord e, ainda assim, a cada novo álbum parece ter mais e mais a ver com sua essência primordial.

“The Beating of Wings” funde o Classic Rock com o Blues que o Deep Purple trouxe ora ou outra em sua discografia. Em suma, a musicalidade de alto nível é a mesma de sempre, mesmo em uma nova realidade e em outro contexto temporal. Não dá para imaginar, e nem quero, quando será o fim do Deep Purple, entretanto, é certo que será melhor que foi o seu começo.

O single “Guilt Trippin'”, uma viagem psicodélica e a melhor faixa de Splat!

Todas as músicas até agora me agradam, mas nada me impressionou mais que “Guilt Trippin'”, uma viagem ao mundo do Prog Hard/Rock psicodélico. Essa canção me arrepiou tanto quanto “Bleeding Obvious” o fez em Equals One.

Fora isso, ela destacou dois dos meus heróis na música, Roger Glover e, principalmente, Ian Paice, mesmo sendo a performance de todos os músicos absolutas. Em outras palavras, Deep Purple ainda tem a capacidade de furar a bolha do imaginável, sua melhor característica.

Hard Rock é música para os fortes

“Scriblin’ Gib’rish” é mais uma faixa que, decerto, serviria bem ao Deep Purple na década 70. Nela, com toda sua precisão cirúrgica, Paice mostra que todo o peso que o seu nome como baterista carrega é mais que merecido.

Quando li “Jessica’s Bra” (Sutiã da Jéssica), não imaginei que a música fosse sobre o Bar da Jéssica (“Jessica’s Bar”), já que um erro de digitação fez nascer o trocadilho. Resumindo, Hard Rock dentro de seu universo lírico.

Ian Paice superou um AVC e está tocando um absurdo como sempre

Em 2016, o baterista Ian Paice sofreu um mini AVC, contudo, após um rápido tratamento, voltou à atividade. Não tenho como não lembrar disso quando ouço “Third Call” e “My New Movie”, visto que ele está tocando tão absurdamente quanto tocava na fase clássica do Deep Purple.

“Splat!” encerra Splat!, o álbum mais pesado em muito tempo?

A bateria e o baixo introduzem a ótima faixa título, encerrando o álbum Splat! no mesmo alto nível que ele iniciou. A fim de responder a pergunta que deixei no início do texto, digo que, Deep Purple lançou mais um ótimo disco de Classic/Hard Rock em sua discografia e, mesmo que 80% da banda tenha entre 77 e 80 anos, isso não é novidade. No entanto, dizer que é o lançamento mais pesado do quinteto em muito tempo, para mim, pelo menos, não me pareceu. Isso importa? Pelo menos, para mim, não significa nada.

Indico Splat!, portanto, a todos que amam Deep Purple, Classic/Prog/Hard Rock e música executada com perfeição.

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