Destruction – “Spiritual Genocide” (2012)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#ThrashMetal
Para fãs de: Sodom, Tankard, Kreator, Slayer, Exodus
Texto por Johnny Z.
Nota: 7,0
Destruction é uma lenda viva do thrash metal, e isso é inegável. Em 2012, a banda alemã chegou à marca de 30 anos de carreira com “Spiritual Genocide”, um álbum que deveria celebrar essa trajetória com toda a brutalidade e agressividade que os fãs esperam. Apenas um ano antes, em 2011, eles haviam lançado “Day of Reckoning”, um disco encorpado, feroz e fiel às raízes do gênero, mostrando que ainda eram capazes de explorar o thrash em níveis máximos de intensidade. Surpreendentemente, em tão pouco tempo, o grupo retornou com “Spiritual Genocide”, mantendo Schmier e Mike Sifringer e adicionando Vaaver na bateria, além de participações especiais de Tom Angelripper (Sodom), Gerre (Tankard) e Ol Drake (Evile).
A produção, assinada pela própria banda e mixada por Andy Classen, resulta em um som cristalino e potente, com a capa de Gyula Havancsák complementando a agressividade visual do disco. A abertura com “Cyanide” é avassaladora: riffs precisos, bateria poderosa e energia à flor da pele. A faixa-título, “Spiritual Genocide”, entrega o thrash puro e veloz que marcou a banda em seus áureos tempos, com riffs vintage que lembram “Eternal Devastation” e “Release From Agony”. “Renegade” e “City of Doom”, entretanto, seguem uma linha mais segura e previsível, mostrando momentos de menor inspiração dentro de uma zona de conforto. Não é ruim, mas fica claro que algumas faixas não buscam inovar.
O padrão se mantém pelo álbum: uma faixa memorável é seguida de composições mais genéricas ou subexploradas. “No Signs of Repentance” e “To Dust You Will Decay” apresentam bons riffs e cadências interessantes, mas não chegam a se destacar, enquanto “Riot Squad” e “Under Violent Sledge” soam como exercícios de thrash sem alma, às vezes funcionando apenas como preenchimento. O ponto alto é “Legacy of the Past”, com Schmier acompanhado de Tom Angelripper e Gerre em um refrão nostálgico que cita álbuns clássicos da era do thrash — simples, divertido e envolvente, um verdadeiro momento de celebração da história do gênero.
Apesar das limitações na composição, a execução da banda é impecável. Schmier mantém seu vocal rouco e ameaçador, Mike Sifringer oferece solos e riffs sólidos, Vaaver impressiona com sua bateria ágil e criativa, e Ol Drake adiciona flashes de brilho em alguns solos. “Spiritual Genocide” pode ser considerado o disco menos inspirado do período pós-retorno de Schmier: não é intragável, mas muitas faixas parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro, mostrando que a pressa na produção comprometeu parte da originalidade do material.
É agressivo? Sim. Tem cadência e técnica? Sim. Porém, a previsibilidade é evidente. É um álbum seguro e bem estruturado, com momentos de brilho, nostalgia e diversão — sobretudo para fãs que acompanham a banda há décadas.
No mais, “Spiritual Genocide” é um registro relativamente importante da trajetória do Destruction, celebrando três décadas de thrash metal, mas que peca pela previsibilidade e falta de capricho em algumas faixas. Para os fãs, mantém a energia, brutalidade e técnica características da banda, mas é uma obra irregular, com altos e baixos. Ainda assim, demonstra que o legado do Destruction permanece intacto, e que, mesmo em dias menos inspirados, eles continuam sendo uma referência indiscutível do thrash mundial.

