Dethklok – Burning House, São Paulo/SP (27/10/2026)

Dethklok
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Dethklok – Burning House, São Paulo/SP (27/10/2026)

Produção: Rodia Soundwave Agency e Xaninho Discos
Texto: Matheus “Mu” Silva
Fotos: Rodrigo Faustino

Pela primeira vez no Brasil, o Dethklok fez sua estreia em nosso país. Famosa por inspirar o desenho animado mais Metal que existe, Metalocalypse, a banda ganhou vida sob a liderança de seu próprio criador, Brandon Small, vocalista e guitarrista do grupo.

O Dethklok trouxe ao Brasil a turnê “20 Years of Brutality”, que celebra as duas décadas da criação da animação e, consequentemente, da banda. Com produção da Rodia Soundwave Agency e Xaninho Discos, o evento teve data única em nosso país, na última terça-feira (27).

Ao chegar ao Burning House, a fila já era imensa e composta majoritariamente por jovens na faixa dos 25 anos. Eu mesmo não esperava encontrar tanta gente assim no show, ainda mais pelo fato de estar acontecendo uma apresentação do Iron Maiden no mesmo dia. Mesmo assim, o público era numeroso.

Ao entrar na casa, já era possível ver um telão instalado, deixando claro que o desenho seria exibido simultaneamente ao show. Mas a forma como prepararam tudo foi sensacional. Com as luzes apagadas e apenas as silhuetas dos músicos visíveis, a animação começou a ser exibida na tela.

Em sincronia com o que aparecia, a banda iniciou sua apresentação às 21h, detonando “Briefcase Full of Guts” e a adorada “Awaken”, levando os presentes ao delírio.

Como mencionei, a banda acompanha o que acontece na tela, mas a precisão dos músicos é algo simplesmente extraordinário. Não à toa, quem acompanha o grupo na bateria é ninguém menos que Gene Hoglan, que faz jus ao apelido de “Atomic Clock”. Ele guia a banda como um verdadeiro relógio, enquanto o público se diverte com o que é exibido na tela.

O desenho em si é bem legal, mas ver a banda dissecando as músicas que são sua trilha sonora existencial tornou tudo ainda mais interessante. Inclusive, justamente por acompanhar o que acontecia na tela, o grupo sequer conversou com o público durante quase todo o show. Praticamente parecia uma orquestra de pano de fundo.

Isso, porém, não foi sentido pelo público. Muito pelo contrário: todos se divertiam e gargalhavam com as situações exibidas na tela, enquanto batiam cabeça ao som da intensidade impactante e groovada da banda. O repertório trouxe praticamente na íntegra o primeiro disco, The Dethalbum (2007), responsável por projetar esse conceito para o mundo.

E justamente desse álbum saíram dois dos momentos mais divertidos do show. Durante “Face Fisted”, o clipe exibido foi a paródia do Batman que a banda lançou na internet, com sua versão “Batmetal”. Por si só, o vídeo já era hilário. Mas ver a banda tocando enquanto a animação era exibida foi uma sacada genial e divertida demais.

Tão engraçado quanto foi o momento de “Murmaider”. O público respondia a cada item da lista de sereias para caçar, e era impossível não se deixar levar pela reação da plateia e participar junto. Com 70 minutos de duração, foi certamente o evento mais aleatório e, sem dúvida, engraçado de 2026.

O sucesso do Dethklok como banda real é algo, no mínimo, curioso. O desenho em si já bastava como fonte de diversão, mas o fato de o grupo ter ganhado vida praticamente desde o lançamento da animação foi uma ideia ousada. Ao mesmo tempo, provou-se muito funcional, já que a produção conquistou uma legião de admiradores com o passar dos anos e, consequentemente, a banda também.

Assim como o desenho, o show é bastante divertido. Mesmo soando perfeito demais, quase mecânico, ainda assim proporcionou uma experiência diferenciada e talvez uma das mais irreverentes que vi nos últimos anos.

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