DEZ BANDAS SUBESTIMADAS, PARTE 1

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DEZ BANDAS SUBESTIMADAS, PARTE 1

Antes de mais nada, é necessário deixar claro que as dez menções desse artigo dizem respeito unicamente a análise subjetiva dos autores. Ou seja, naturalmente haverá discordância. Cabe aos leitores a reflexão sobre a carreira de cada um desses artistas, independentemente de fazerem parte de seu gosto pessoal ou não. Além disso, cada um pode ter em sua opinião dez bandas que mereceriam mais reconhecimento que obtiveram. Na verdade, o importante são as perguntas que podemos fazer a nós mesmos, a fim de entender o contexto histórico e cultural que levaram ao resultado que, particularmente, não estamos de acordo.

No primeiro capítulo apresentaremos cinco bandas subestimadas e mais cinco na parte final do artigo.

Dito isso, vamos então ao que realmente interessa dentro desse artigo:

U.F.O – Hard Rock do Reino Unido

UFO – ACERVO – DEZ BANDAS SUBESTIMADAS, PARTE 1

Embora a banda britânica U.F.O, que encerrou suas atividades em 2024, tenha servido de influência para muito nomes importantes, entre os quais pode-se citar Iron Maiden, eles nunca receberam o devido reconhecimento. Fundada em 1968, a princípio, em seus dois primeiros discos, U.F.O 1 e U.F.0 2, o então quarteto dedicou-se ao Prog Rock que estava em alta no período.

Michael Schenker e a melhor era do U.F.O

Porém, foi na primeira passagem do então jovem guitarrista alemão Michael Schenker (ex-Scorpions) que nasceram os cinco maiores clássicos Hard Rock do U.F.O, “Phenomenon” (1974), “Force It” (1975), “No Heavy Petting” (1976), “Lights Out” (1977) e “Obsession” (1978). Ainda assim, só o live album “Strangers in the Night” (1979) é que foi premiado com disco de ouro. Em suma, muito pouco para quem produzira clássicas canções como “Doctor, Doctor”, “Rock Bottom”, “Kids”, “Mother Mary”, “Shoot Shoot”, “Natural Thing”, “Light’s Out”, “Love to Love”, “Cherry”, “Only You Can” e etc…

Com a saída de Schenker e a entrada do guitarrista Paul Chapman, essa situação piorou ainda mais. Os ótimos “No Place To Run” (1980), “The Wild, the Willing and the Innocent” (1981), “Mechanix” (1982) e “Making Contact” (1983) praticamente passaram despercebidos.

Schenker voltou a banda posterioremente, lançando “Covenant” (2000) e “Sharks” (2002), sequer obtendo a mesma visibilidade de outrora. O full lenght “You Are Here” (2004) contou com a participação do guitarrista Vinnie Moore e o baterista Jason Bohan, sendo um ótimo registro, ainda assim, U.F.O seguiu sem o receber o devido valor por parte da mídia e fãs de Hard Rock.

Morte de Paul Raymond e encerramento das atividades

Logo após a morte do tecladista/guitarrista Paul Raymond, em 2019, a banda decidiu recrutar Neil Carter em seu lugar e fazer sua turnê de despedida e encerrar sua atividades. “A Conspiracy of Stars” (2015) foi seu último lançamento oficial de trabalhos inéditos, já que “The Salentino Cuts” (2017) é um disco somente de covers.

Blackfoot – Southern Hard Rock da América

BLACKFOOT – ACERVO – DEZ BANDAS SUBESTIMADAS, PARTE 1

A banda americana de Hard/Southern Rock, Blackfoot, nasceu no ano de 1970 em Jacksonville na Flórida, mas só lançou o seu debut, “No Reservations”, cinco anos mais tarde. Em seguida, veio “Flyin’ High”, destacando a faixa de abertura, “Feelin’ Good”.

Contudo, o primeiro grande lançamento do Blackfoot foi seu terceiro disco, “Strikes” (1979), o qual obteve disco de platina em seu próprio país. “Left Turn on a Red Light”, “Train, Train”, a viajante “Highway Song”, assim como o fantástico cover do Free, “Wishing Well”, ajudaram a construir um trabalho perfeito. Mesmo assim, Blackfoot não fez sucesso fora do território americano.

Ainda que seja ótimo, “Tomcattin'” (1980), disco lançado no ano seguinte, não emplacou como seu antecessor, o mesmo acontecendo com “Marauder”, o qual veio na sequência. Nem o lançamento de “Siogo”, (1983), que teve a presença do tecladista/guitarrista Ken Hensley (ex-Uriah Heep) na formação, com os belos videoclipes dos singles “Send Me An Angel” e “Teenage Idol” foram suficientes para elevar o nome Blackfoot. Foi uma pena, pois eles sempre produziram uma sonoridade excelente.

A banda existe até hoje, porém nunca recebeu o seu devido reconhecimento. Seu último mais recente foi “Southern Native” há nove anos, após um hiato de 22 anos que teve início após o lançamento de “Vertical Smiles” em 1994.

Fastway, Hard Rock do Reino Unido

FASTWAY – ACERVO – DEZ BANDAS SUBESTIMADAS, PARTE 1

Assim que deixou o Motörhead, o guitarrista “Fast” Eddie Clarke se juntou a Pete Way, ex-baixista do U.F.O. Juntos eles fundaram o Fastway, juntando as palavras “Fast” e “Way”, as quais faziam parte de seus nomes artísticos. Way, infelizmente, não seguiu com a ideia, pois recebeu uma oportunidade de performar com Ozzy Osbourne.

Contrato com a Columbia e lançamento do debut

Ainda no mesmo ano, 1982, Eddie recrutou o vocalista Dave King e o baterista Jerry Shirley (ex-Humble Pie). A banda conseguiu contrato com a gravadora CBS (Ozzy Osbourne, Judas Priest, Slade) e, desse modo, lançou o seu debut homônimo pouco tempo depois, com a produção do icônico Eddie Kramer (Led Zeppelin, Kiss, etc).

O disco, que contou com três singles: “We Become One”, “Say What You Will” (que aliás foi tema da série Armação Ilimitada no Brasil) e “Easy Livin'”, oferecia um Hard Rock rebelde com elementos de Heavy Metal em dez ótimas composições.

All Fired-Up

Em seguida, em 1983, foi a vez de “All Fired-Up”. Para esse segundo full lenght foi recrutado o baixista Charlie McCracken (ex-Taste). Um disco com onze canções perfeitas, destacando “All Fired-Up”, “Misunderstood”, “Non-Stop Love”, “Tell Me”, a balada “The Stranger”, o blues “Telephone” e a fantástica “If You Could See”. Não haveria possibilidade racional desse registro não estourar, mas ele não o fez.

Talvez podemos pensar que a balada “The Stranger” e “If You Could See” seriam melhores singles que “All Fired-Up” e “Tell Me”, contudo, não há nenhum outro defeito a pontuar. A cozinha formada por Shirley e McCracken era perfeita, Eddie Clarke mostrou um guitarrista com cartas na manga, da mesma forma Dave King se portava como um vocalista acima de qualquer possibilidade de crítica. Além disso, Eddie Kramer foi o mesmo excelente produtor de sempre. Enfim, não é compreensível que isso não tenha alcançado êxito.

“Waiting for the Roar” e “Trick or Treat”

No ano de 1986, ainda pela Columbia, veio “Waiting for the Roar”. Paul Reid e Alan Connor substituiram respectivamente McCracken e Shirley e, mais uma vez, nada aconteceu. Ainda em 1986, veio o quarto LP, “Trick or Treat”, tema de um filme do mesmo nome, o qual recebemos no Brasil como “Rock do Dia das Bruxas”, o qual conta com participações especiais de Gene Simmons e Ozzy Osbourne.

Surpreendentemente, Fastway continuou sem decolar como merecia. Posteriormente a mais esse fracasso, o contrato com a CBS encerrou, Dave King deixou o line-up e Eddie Clarke tocou Fastway como seu projeto pessoal até 2018, ano de seu falecimento, no entanto, nada aconteceu, lamentavelmente.

Uriah Heep, Hard/Prog Rock do Reino Unido

DEZ BANDAS SUBESTIMADAS, PARTE 1 – URIAH HEEP – PHOTO: FIN COSTELLO

Quem me conhece pessoalmente sabe que geralmente não gosto de me referir a minha banda favorita como subestimada, já que em sua carreira sua vendagem geral ultrapassa a marca de 20 milhôes de cópias. Dessa forma, como dizer que uma banda que tem seu nome escrito na história e os fãs mais fiéis do mundo é menosprezada? A resposta vem em forma de questionamentos e é, ao mesmo tempo, complexa e simples.

Como um quinteto que já teve em sua formação os icônicos vocalistas David Byron, John Lawton, John Sloman, Peter Goalby e Bernie Shaw pode não estar entre os maiores nomes do Hard Rock de todos os tempos? Como ter músicos da qualidade em sua história como Lee Kerslake, Mick Box, Ken Hensley, Trevor Bolder, Gary Thain, Bob Daisley e mesmo assim não estar ao lado de importantes nomes como Deep Purple, Led Zeppelin, Kiss e Black Sabbath na década de 70?

É justo haver lançado “Demons & Wizards”, “The Magician’s Birthday”, “Sweet Freedom”, “Look At Yourself”, “Firefly”, “Innocent Victim”, “Sea Of Light” e não figurar entre os gigantes do Hard Rock?

Concluindo, só não compartilha essa minha indignação quem não mergulhou a fundo no universo maravilhoso do Uriah Heep. Eu poderia citar dados históricos mais profundo. Mas como já o fiz em diversos de meus textos, achei melhor me aprofundar na minha argumentação que justifique o nome do Uriah Heep estar nessa matéria.

DR SIN – Hard Rock/Heavy Metal/Prog Metal do Brasil

DEZ BANDAS SUBESTIMADAS, PARTE 1 – DR SIN – PHOTO: MROSSI

Em 1991, na cidade de São Paulo/SP, os irmãos Ivan Busic (bateria e vocal) e Andria Busic (vocal e baixo) justaram-se ao guitarrista Eduardo Ardanuy e formaram o power trio de Hard Rock, DR SIN. Após mudança para os Estados Unidos da América, a banda conseguiu um contrato com a Warner Bros, lançando em 1993, o seu debut homônimo, que soa absoluto.

DR SIN” E “BRUTAL”

A fantástica canção “Emotional Catastrophe” é somente a abertura de um álbum composto somente por faixas perfeitas. Entre elas há uma versão para “Have You Ever Seen the Rain?” do Creedence Clearwater Revival. O disco vendeu bem, mas não atendeu as expectativas da Warner, que fez exigências para seguir com o Dr Sin. A banda não sómente não aceitou como resolveu continuar com um som ainda mais pesado.

Como resultado, nasceu o “Brutal”, o disco que envelheceu como o mais relevante do trio paulistano. As composições “Karma”, “Isolated”, “Down in the Trenches” e “Fire” permanecem obrgatórias no setlist do Dr Sin ainda atualmente.

INSINITY, DR SIN II E MICHAEL VESCERA

Em 1997 foi a vez de “Insinity”, uma mescla definitiva de Hard Rock, Heavy e Prog Metal, mas com um tempero único que só Dr Sin sabia fazer. Nesse hiato, nasce amizade entre Dr Sin e o vocalista Michael Vescera (ex-Malmsteen). O mesmo participa da canção “No Rules”, que é somente uma entre as marcantes composições desse disco. “Brother”, “Sometimes”, “Revolution”, “No Rules” tinham presença garantida nos shows, mas não tanto como a sátira “Futebol, Mulher e Rock ‘n Roll”. Essa é unica faixa em português da carreira do Dr Sin, que contou com a participação do saudoso narrador esportivo Silvio Luiz. Isso destacou a banda na MTV, porém não tanto como a sua qualidade fazia por merecer.

Em 2000, eles dão a melhor cartada de sua carreira, convidam Michael Vescera para o line-up, transformando-se temporariamente em um quarteto. Essa nova formação grava o fantástico “Dr Sin II”, um álbum que, a princípio, foi distríbuido em quiosques que vendiam revistas. Mais um disco formidável, mas que não foi capaz de levar o Dr Sin ao lugar que eles mereciam. Até hoje me questiono o porquê. Nunca encontrei uma resposta que me convencesse.

Por hoje é só, não percam o segundo capítulo das “DEZ BANDAS SUBESTIMADAS”.

Redigido por: Cristiano “Big Head” Ruiz

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