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Dimmu Borgir – “In Sorte Diaboli” (2007) (Relançamento 2025)

Dimmu Borgir – “In Sorte Diaboli” (2007) (Relançamento 2025)

Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#SymphonicBlackMetal

Para fãs de: Cradle of Filth, Septicflesh, Fleshgod Apocalypse, Emperor, Rotting Christ

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Vou começar esta resenha de forma diferente — e talvez reveladora para alguns (embora quem realmente me conheça saiba que não sou fã de Black Metal). Pois bem: sendo imparcial, profissional e curioso o suficiente para “estudar” a banda e me superar neste texto, escutei In Sorte Diaboli e me surpreendi! É aquele tipo de álbum que te engole logo nos primeiros segundos.

Lançado em 2007, o disco representa um momento crucial na carreira do Dimmu Borgir — a banda norueguesa que sempre dividiu opiniões dentro e fora da cena black metal, justamente por ousar onde muitos ainda preferem a ortodoxia. Mas aqui, essa ousadia atinge um novo patamar.

Trata-se do primeiro álbum conceitual da banda. A história gira em torno de um padre medieval que, tomado por uma profunda crise de fé, abandona os dogmas da Igreja para se render ao lado sombrio e tornar-se o Anticristo. A narrativa acompanha essa transição espiritual e existencial, tornando a audição quase cinematográfica. A sonoridade acompanha essa jornada com grandiosidade, peso e uma aura de escuridão quase palpável.

Musicalmente, o Dimmu Borgir entrega aqui um trabalho direto, denso e, ao mesmo tempo, acessível, com menos camadas sinfônicas do que as usadas em Death Cult Armageddon (2003) — sim, esse eu conheço —, mas compensando com uma coesão impressionante. A produção cristalina de Fredrik Nordström e a mixagem cirúrgica do mago do metal extremo Peter Tägtgren deram ao álbum uma clareza que evidencia cada detalhe, sem perder o impacto visceral.

A abertura com “The Serpentine Offering” é um soco no estômago. A introdução litúrgica, seguida por riffs cortantes e a voz marcante de Shagrath, já estabelece o tom do álbum: um ritual blasfemo e majestoso. Faixas como “The Chosen Legacy” e “The Sinister Awakening” seguem o mesmo caminho, com orquestrações pontuais, coros macabros e mudanças de andamento que nunca soam gratuitas. Destaque para a performance do baterista Hellhammer (ex-Mayhem), que traz uma dinâmica violenta e precisa ao longo do disco.

Na minha visão — e considerando meu gosto pessoal — o uso excessivo de elementos sinfônicos em outros álbuns sempre me afastou da ideia de me tornar fã da banda. Mas In Sorte Diaboli me agradou justamente por transmitir uma sonoridade mais “autêntica” — ainda que essa autenticidade venha embebida em pompa, teatralidade e arranjos grandiosos. Notei um equilíbrio entre a brutalidade dos primórdios do metal extremo e a sofisticação bem elaborada dos anos 2000.As letras e a qualidade técnica da banda são inquestionáveis. É um trabalho fora da curva, que não cansa nem na metade da audição, pois soa maduro em identidade. É teatral? Sim. Polido? Sem dúvida. Mas jamais raso.

Shagrath entrega uma performance carismática e firme, enquanto Galder e Silenoz constroem uma muralha de guitarras que equilibra peso e atmosfera. Mustis, no teclado, atua quase como um narrador invisível, conduzindo a ambientação com requinte. E mesmo com pouco mais de 40 minutos de duração, o álbum é suficiente para contar sua história e deixar aquela sensação de que acabamos de assistir a uma peça sombria em vários atos.

In Sorte Diaboli pode não ser o favorito dos fãs mais antigos — aqueles que ainda veneram Stormblåst ou Enthrone Darkness Triumphant —, mas é impossível negar o impacto e a qualidade deste trabalho. Um álbum que manteve o Dimmu Borgir como um dos maiores nomes do metal extremo moderno, cruzando fronteiras e desafiando padrões.

Ouça alto. Ouça com atenção. E, se possível, leia as letras, pois você você o elevará a um rito, uma descida aos recônditos do espírito humano, onde fé, dúvida e escuridão colidem num espetáculo sonoro digno dos melhores capítulos do metal sinfônico e extremo.

Enfim, as vezes, é muito bom sair da bolha do comodismo e dar o braço a torcer que algo que você antes falava que não gostava pode, na verdade, te surpreender e até conquistar. Às vezes, a resistência inicial vem mais de um preconceito enraizado ou de experiências passadas do que de uma real incompatibilidade com o som. Quando você se permite ouvir com o coração aberto — sem julgamentos, sem rótulos — percebe que a música é muito mais sobre sentir do que sobre rotular.

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