Discos que destacam o baixo, capítulo 5

Discos que destacam o baixo, capítulo 5
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Discos que destacam o baixo, capítulo 5

Dentre os instrumentos de corda presentes no Rock/Metal, a relevância do baixo sempre foi menor que a da guitarra. Ainda assim, são muitos os apaixonados por esse som que é o elemento que serve de ligação entre o ritmo e a harmonia musical. Essa paixão é plenamente justificável, já que há alguns discos históricos nos quais o baixo ganhou pleno destaque.

Seja por causa da criatividade e capacidade técnica do baixista ou seja pela capacidade do produtor musical, há álbuns que produziram sons de baixo que estão além do limite da perfeição. Ou seja, seus timbres beiram o inalcançável.

Dito isso, vamos ao quinto e último capítulo de nossa matéria especialmente dedicada ao contrabaixo no Rock/Metal aqui no Metal na Lata.

Discos que destacam o baixo, capítulo 5

Xentrix – “Shattered Existence” (1989) (Redator: Johnny Z)

Discos que destacam o baixo, capítulo 5

Lançado em 1989, “Shattered Existence” é o álbum de estreia da banda britânica Xentrix, e pode ser considerado um dos trabalhos mais sólidos, técnicos e subestimados da história do Thrash Metal europeu. Enquanto os olhos do mundo estavam voltados para a cena americana — com Metallica, Slayer, Megadeth, Testament e Exodus moldando o gênero — e a Alemanha entregava clássicos com Kreator, Sodom, Destruction e Tankard, o Reino Unido parecia um pouco apagado no mapa do Thrash até o Xentrix aparecer.

O disco foi lançado pela Roadrunner Records e produzido por John Cuniberti (conhecido por seu trabalho com Joe Satriani), o que já dava uma ideia de que a sonoridade seria limpa, clara e poderosa. E é exatamente isso que o álbum entrega: uma produção muito acima da média para uma estreia, que valoriza a precisão técnica da banda sem perder o peso e a agressividade.

Uma bordoada Thrash Metal britânica

Logo de cara, “Shattered Existence” mostra a que veio com faixas como “No Compromise” e “Balance of Power” — duas pedradas que demonstram a combinação perfeita entre riffs afiados, vocais agressivos e uma pegada rítmica incrivelmente coesa. O vocalista e guitarrista Chris Astley comanda tudo com segurança, trazendo uma voz que remete um pouco a James Hetfield em alguns momentos, mas com personalidade própria. Os riffs são construídos com inteligência, sem exageros, sempre priorizando a clareza e o impacto. O trabalho da bateria de Dennis Gasser é um show à parte: técnico, criativo e com viradas muito bem encaixadas. Além disso, o baixista da época, Paul MacKenzie, deu uma grande contribuição para que o sonoridade não soasse mais do mesmo.

Uma das grandes forças do álbum está na estrutura das músicas, que fogem do lugar-comum. Enquanto outras bandas apostavam apenas na velocidade e no impacto inicial, o Xentrix parecia interessado em construir atmosferas e transições, criando músicas com começo, meio e fim bem definidos. Isso fica claro em faixas como “Reasons for Destruction”, que começa de forma mais contida e vai ganhando corpo até explodir num refrão marcante, e em “Dark Enemy”, talvez a mais ousada do disco, com andamentos variados e momentos que até flertam com o progressivo dentro da linguagem do Thrash.

Temática igualmente diferenciada

Outro ponto importante está nas letras. Fugindo do clichê satânico de muitas bandas da época, o Xentrix investe em temas sociais e políticos, falando sobre violência urbana, manipulação, guerra, alienação e poder — temas densos que continuam atuais, e que mostram uma maturidade surpreendente para uma banda tão jovem.

“Shattered Existence” também teve um impacto interessante: entrou nas paradas britânicas (UK Albums Chart), algo raro para uma banda de Thrash no Reino Unido, e permitiu ao Xentrix cair na estrada com nomes como Sabbat e Exodus, ganhando respeito na cena europeia. Mesmo assim, por alguma razão, o álbum ficou meio esquecido ao longo dos anos — talvez por ter surgido num momento de saturação do gênero, ou por ser “limpo demais” para os fãs do Thrash mais sujo e visceral. Mas, com o tempo, ganhou status de cult entre os fãs mais atentos.

“Shattered Existence”, um álbum injustiçado

Na minha visão, “Shattered Existence” é um daqueles discos que merecem ser redescobertos. Não apenas como curiosidade histórica, mas como um exemplo de como o Thrash pode ser técnico, inteligente e emocional ao mesmo tempo. Ele soa como um irmão mais melódico e cerebral de bandas como Testament ou Forbidden, mantendo a agressividade, porém apostando também na composição e na performance limpa.

Se você curte Thrash com identidade, sem exagero de velocidade gratuita, com riffs memoráveis e letras que realmente dizem algo, esse disco é essencial. E mais: é uma das melhores estreias do gênero. Um clássico que, mesmo sem tanto alarde, resistiu ao tempo com dignidade. “Shattered Existence” não só sobreviveu — ele continua cada vez mais relevante.

Uriah Heep – “Innocent Victim” (1977) (Redator: Cristiano Ruiz)

Discos que destacam o baixo, capítulo 5

Quando nos aprofundamos no assunto contrabaixo no Hard Rock, principalmente na década de 70’s, certamente, o nome Uriah Heep surge como grande destaque. O quinteto londrino, através dos anos, já teve grandes baixistas em seu line-up, Gary Thain, John Wetton, Paul Newton, Mark Clarke, Davey Rimmer e Trevo Bolder. Em suma, como deixar o Uriah Heep fora de uma matéria dedicada a esse magnífico instrumento? Impossível.

O saudoso músico neozelândes Gary Thain é o favorito entre a maioria dos fãs de Uriah Heep, mas o também saudoso Trevor Bolder registrou trabalhos tão fantásticos com o quinteto londrino quanto Thain o fez. A propósito, Bolder foi o baixista que mais tempo tocou com a banda liderada, atualmente, por Mick Box. Sua estreia oficial aconteceu no álbum “Firefly” (1977), a saber, um ano após gravar “Spiders From Mars” com David Bowie. No entanto, vamos falar de seu segundo disco no Uriah Heep, “Innocent Victim”, que saiu ainda no mesmo ano de seu antecessor.

Trevor Bolder deu mais vigor ao “Innocent Victim” através de suas frases de baixo

Em “Innocent Victim”, Bolder trouxe, sobretudo, elementos até então inéditos no contexto sonoro do quinteto. Temos em composições como “Keep On Ridin'”, “Flyin’ High”, “Roller”, “Cheat’n’Lie”, assim como “The Dance”, um maravilhoso gingado que flerta explicitamente com o Funk Hard Rock. Trevor mostra todo a sua precisão rítmica absoluta nas baladas “Illusion” e “Choices”, colocando um peso Hard Rock ainda mais intenso em “Free ‘n’ Easy”. Além de que, ele mostra toda a sua técnica, criatividade e feeling em “The River”, que a princío era somente bonus track do álbum em questão.

Yes – “Close to the Edge” (1972) – (Redator: Cristiano Ruiz)

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Lançado em 8/9/1972, “Close to the Edge” é o quinto full lenght da carreira da banda britânica de Prog Rock, Yes. Contendo somente três faixas, “Close to the Edge”, “And You and I” e “Siberian Khatru”, as quais totalizam 37m51s, esse registro está entre os mais relevantes da carreira do quinteto, da mesma forma entre os mais importantes da história da música progressiva.

Logo após o lançamento de “Close to the Edge”, o baterista Bill Bruford deixou o Yes e partiu para o King Crimson, sendo substituído por Alan White, outro monstro das baquetas. Os geniais Rick Wakeman (teclados), Steve Howe (guitarra), Jon Anderson (vocal) e o saudoso Chris Squire (baixo) completavam esse que era o line-up clássico do Yes.

Assim como no antecessor “Fragile”, “Close to the Edge” é uma verdadeira aula de criatividade musical. Ainda assim, a precisão técnica e frases absolutamente magistrais de Squire conseguem ficar evidentes, principalmente na canção que intitula o álbum. Squire consegue ser, ao mesmo tempo, virtuoso e extremamente melódico.

Não somente por Squire, mas pela performance de todo o time do Yes, “Close to the Edge” deveria fazer parte das audições de todos que batem no peito e dizem que apreciam boa música. Clique e comprove:

SlaveOne – “Omega Disciples” (2020) – (Redator: Cristiano Ruiz)

Discos que destacam o baixo, capítulo 5

“Omega Disciples” é o segundo full lenght do SlaveOne, banda francesa de Death Metal. Lançado em janeiro de 2020, ele traz uma sonoridade que é incomum no genêro Metal da Morte, mas, mesmo assim, não deixa de lado a alma da música extrema.

O baixista Jean Taraud fez em “Omega Disciples” sua estreia em estúdio com Slave One. Como resultado, sua técnica aprimorada e ousadia musical fizeram a diferença nesse registro. Para se ter uma ideia, em grande parte das faixas só há solo de baixo, fazendo com que ele, dessa forma, o mesmo soe como o instrumento predominante.

Um pouco mais sobre SlaveOne

SlaveOne deu início as suas atividades em 2009, lançando três anos mais tarde o EP “Cold Obscurantist Light”. Em 2016, enfim, chegou o seu debut, “Disclosed Dioptric Principles”. Seu terceiro álbum completo, “Disclosed Dioptric Principles”, foi lançado em 2022. Desde então não houve outros lançamentos, salvo o split “Disciples of the Machete”, o qual foi lançado em parceria com o Vorhees. Infelizmente, ainda que se trate de um trabalho de bastante qualidade, pouca gente conhece SlaveOne.

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