Banda principal: Dream Theater
Local: Vivo Rio, Rio de Janeiro/RJ
Data: 06/12/2019
Produção: Liberationmc
Texto por Marcelo Vieira
Fotos por Gustavo Maiato Fotografia
Num esquema meio suco de limão que parece tamarindo e que tem gosto de groselha, do Chaves, o disco que dá nome à turnê é um, mas o que é tocado na íntegra é outro. Permita-me explicar: a “Distance Over Time” Tour, nomeada conforme o mais recente trabalho do Dream Theater, lançado em fevereiro passado, visa, também, à celebração do vigésimo aniversário de “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory”, um dos lançamentos mais emblemáticos da banda, que, por sua vez, está prestes a completar 35 anos de carreira.
Vale ressaltar que tocar “Scenes” de cabo a rabo não é nenhuma novidade no campo do DT. A banda fez isso tanto na turnê do álbum — com o registro da performance no Roseland Ballroom de Nova York chegando às lojas posteriormente no ao vivo triplo “Live Scenes from New York” (2001) — quanto em certas datas da turnê de “Octavarium” (2005-2006), que, inclusive, passou pelo Brasil. Portanto, para quem esteve no Credicard Hall, em São Paulo, naquele 11 de dezembro de 2005, ou para quem teve a sorte de ver “Scenes” na íntegra em outra ocasião, a única diferença em termos práticos é quem senta no banco da bateria. E por mais que levadas como a de “Dance of Eternity”, com suas alternâncias bizarras de compassos — um sinal da genialidade de Mike Portnoy —, sejam dignas de um “pede para cagar e sai”, Mike Mangini se sai muitíssimo bem. Pudera: o cara já foi detentor do recorde mundial de batidas por minuto, além de ter sido por uma década professor na renomada Berklee College of Music.
Mas o pontapé inicial não é dado com “Scenes”. Após um breve vídeo introdutório, James LaBrie (vocais), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), Jordan Rudess (teclados) e o supracitado Mangini sobem ao palco e já detonam “Untethered Angel”, a primeira das cinco de “Distance” previstas para a noite, que prometia ser longa e justificar todos os memes do tipo “a vida é curta demais para ouvir Dream Theater”. O público, ao mesmo tempo em que parecia atento, mostrava-se atônito, boquiaberto diante do desfile de técnicas avançadíssimas — espetáculo não recomendado para músicos iniciantes sob o risco de desistência do instrumento. Na camiseta de LaBrie, uma imagem de Jason Voorhees com os dizeres “Eu gostaria que fosse sexta-feira”. Bem… era.
Encerrado o primeiro set, cujo destaque indiscutível foi “A Nightmare to Remember”, intervalo, luzes acesas, corre-corre para o bar ou para o banheiro. Com a moça do caixa ainda contando o troco, um filme estilo cinema mudo apresenta os personagens de “Scenes”: Nicholas, Victoria, Julian, Edward. A popularidade do álbum é comprovada quando a narração de abertura é entoada sílaba a sílaba. E tome “hey hey hey hey” e palmas, “ooooo” em sintonia com o fraseado de Petrucci — expediente que se repete em praticamente todo o repertório — e uma alta taxa de emotividade, verificada na quantidade de olhos marejados de lágrimas em momentos como “Through Her Eyes”. “Tem alguém chorando aí?”, pergunta LaBrie antes de a banda invocar o espírito do Led Zeppelin em “Home”, a sua “Kashmir”.
Durante “The Spirit Carries On”, infelizmente tivemos um óbito: com o relógio prestes a marcar três horas de show, uma fã simplesmente sucumbiu e precisou ser retirada por cima da grade do fosso. Morreu, mas passa bem, na verdade. Único ponto negativo é que ela perdeu o bis. Se bem que sendo este “At Wit’s End” — mais uma de “Distance” quando a ocasião exigia um clássico nível “Pull Me Under” ou “As I Am” —, podemos admitir que ela não perdeu lá muita coisa.
O Metal Na Lata agradece à Liberationmc pelo credenciamento e pela parceria.
Setlist Dream Theater:
Untethered Angel
A Nightmare to Remember
Paralyzed
Barstool Warrior
In the Presence of Enemies, Part I
Pale Blue Dot
Regression
Overture 1928
Strange Déjà Vu
Through My Words
Fatal Tragedy
Beyond This Life
Through Her Eyes
Home
The Dance of Eternity
One Last Time
The Spirit Carries On
Finally Free
At Wit’s End
