Drowning Steps – “The Echo Of A Distant Past” (2020)
Independente
#ProgressiveRock, #SymphonicRock, #ArtRock
Para fãs de: Camel, Anathema , Steven Wilson, Elloy , Pink Floyd
Nota: 8,5
É interessante como alguns trabalhos nos dão uma maior dificuldade quando nos colocamos a analisá-los com uma maior atenção e com a percepção indo aos detalhes e demais somas musicais.
O Drowning Steps era um projeto solitário criado em 2016, no município de Marília, São Paulo, com o foco no Rock Progressivo, tanto das eras jurássicas, leia-se os primórdios: do fim dos anos 60 ao “boom” nos 70’s. Sua música reflete as luzes criativas de titãs como: Pink Floyd, Camel, Elloy e King Crimson, mas não fixa-se apenas a eles, pois transita entre antigo e o atual – Riverside, Anathema, Porcupine Tree, Pain Of Salvation e Opeth, em suas tantas mutações. Ou seja, sua música visita o antigo, mas lança um visão renovada e dilatada sobre o mesmo.
Em 2018 o projeto até então solitário, migra para o formato duo, com Caio Claro passando a atuar com o músico/produtor Tiago Pierucci. “The Echo of a Distant Past” é o primeiro disco devidamente cheio, composto pela dupla, o sucessor natural do tímido e solitário “The Comfort Of An Endless Pain” lançado em 2017 apenas por Caio.
O álbum traz o típico encontro de épocas da banda, porém, melhor lapidado e com acabamentos justos à sua músicas e os tantos detalhes que ele possui. Há um nítido amadurecimento no campo harmônico e nos arranjos, que no trabalho, viajam entre o suave e o dinâmico – sensíveis, mas complexos e naturais.
Passada a abertura com “The Source of Imagination” somos tragados pela grandeza sinfônica e etérea de “Gold Through My Eyes” – que de grandiosa passa a algo mais tímido e centralizado em opostos – suave e pseudo acústica, noutras, intrincada e solene. Seu solo remete à alma de um certo Gilmour. “Where Is My Life” é mais uma peça refinada, com ares cheios de nostalgia e cores sérias, nela a beleza estaciona-se nos vocais de Caio e nos arranjos singelos feitos pelos violões e teclas.
As demais faixas seguem aspectos muito similares a essas duas citadas: “The Inner Silence” alinhada e suave, com investidas no jazz e quebras inusitadas: “Affected” sendo mais um momento intimista e “The Echo Of A Distant Past” – uma viagem sonora pelas miríades que influenciaram o álbum – sinfônica, mas progressiva e altamente sentimental. Sendo um belo fim para um trabalho repleto de qualidades e idéias.
O Drowning Steps mostra muita criatividade em “The Echo Of A Distant Past”; influências dosadas e muita coesão no arranjos, texturas e sonoridades. Um belo achado e um novo nome, promissor, dentro do vasto mundo do Rock Progressivo e Sinfônico.
Fábio Miloch
