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Edu Falaschi – Tropical Butantã, São Paulo/SP (17/08/2019)

Banda principal: Edu Falaschi
Local: Tropical Butantã, São Paulo/SP
Data: 17/08/2019

Texto e vídeo: William Ribas

No mundo real, Eduardo Falaschi poderia ser rotulado como batalhador, guerreiro ou o cara que sempre persiste independente do que aconteça. No cinema, ele se encaixa no enredo do filme “Rocky”, o cara que apanha, leva uma surra, se levanta e segue ganhando e encantando, como se diz no filme: “Não importa quanto você bata, mas sim o quanto apanha e consegue seguir em frente” e foi assim que a noite do último sábado, dia 17 de agosto se encerrou. Mais uma vez, o homem e artista Edu Falaschi consegue renascer.

O álbum “Temple Of Shadows” (2004), é um verdadeiro marco para o metal brasileiro e não importa o seu estilo, a qualidade ali encontrada é enorme e tende a agradar gregos e troianos. Após o sucesso da Rebirth Of Shadows Tour, onde o vocalista se juntou aos seus ex-companheiros de Angra, Aquiles Priester (bateria) e ao tecladista Fábio Laguna, o próximo passo foi a comemoração dos 15 anos do emblemático e clássico do disco do Angra e quis o destino que o último capítulo fosse na capital paulista. A abertura da casa Tropical Butantã estava marcada para 18hs e o show ás 20hs, mas infelizmente houve um enorme atraso por problemas técnicos da casa e esse pequeno percalço cansou o público que do lado de fora esperava de forma impaciente e em alguns momentos protestando.

Ás 21h30, a ansiedade chegou ao fim e se dava início há quase 2 horas de magia e nostalgia, com o primeiro ato que foi o que já estava mais do que decorado no script, a intro “Deus La Volti” ecoou e logo deu o ponta pé para a volta ao passado em “Spread Your Fire”, “Angels and Demons”, “Waiting Silence”, “Wishing Well” e a cacetada “Temple of Hate”, que foram executadas com primor por Edu, Laguna, os guitarristas Roberto Barros e Diogo Mafra, pelo baixista Raphael Dafras e aqui substituindo Aquiles, o baterista alemão Alex Holzwarth, que gravou o “Angels Cry”, que mesmo sem nenhuma entrosamento com o restante do grupo, se saiu muito bem, trabalhando de maneira firme e sem erros. A primeira surpresa da noite foi a divisão do set list entre Alex e “Pedro Tinello (Almah), sentado no seu kit de bateria Tinello comandou as baquetas da estonteante e sempre apreensiva “The Shadows Hunter” até “Late Redemption”, onde é o momento com que o grupo sabe que é apenas deixar com o público, pois sabem que nessa hora não haverá decepção, é a hora de colocar toda a emoção para fora, mas antes disso tudo tivemos as participações especiais de Juliana Rossi em “No Pain for the Dead “ e em “Winds for Destination”, com Jeff Star , ambos se saindo muito e deixando esse humilde editor embasbacado, tudo isso juntamente com o quarteto de cordas que fazia todo o impacto necessário para o trabalho ser mais evidente.

Entre uma música e outra, Edu soube muito bem se comunicar com seus fãs, contando histórias, relembrando o passado, explicando conceitos, apresentando convidados e por diversas vezes me fazendo parecer estar numa terapia em grupo, tudo por conta de certos momentos de um leve exagero no falatório e discursos longos, o que mais uma vez fez com que o público desse uma leve chiada e até alguns pesquisaram para ver de que signo o vocalista era, justamente para justificar de onde vem do mesmo falar pelos cotovelos (risos).

Durante a semana foram divulgadas algumas surpresas e dentre elas tínhamos algumas expectativas com relação as músicas da banda Almah e 3 foram as faixas “Speranza”, “King” e “Warm Wind”, que na minha humilde opinião teve o melhor momento da noite. Tudo por causa da presença da filha de Falaschi em cima do palco, com uma troca de sinceridade e amor de um pai para o filha, era lindo de se ver e neste instante sai um pouco o lado artista e fica ali o ser humano, o pai de família e quem tem um filho ou um pouquinho de alma e amor no coração, nesse momento sentiu um arrepio e felicidade em ver o vocalista dizendo o quanto ama sua filha.

Seguindo com as emoções a flor da pele, “Carry On”, que teve a participação do nosso querido baixista Luis Mariutti e do excepcional Dan Vasc, foi festejada e chegou para derrubar todos os alicerces do Tropical Butantã de uma forma que lembrou a explosão de um gol numa final de campeonato disputada num derby futebolístico. Chegou a ser inexplicável a sinergia entre banda e o público, e nessa hora muito provavelmente o refrão pôde ser ouvido de um certo lugar, onde está um gigante maestro que cada dia faz mais falta. Antes que digam ou pensem em oportunismo por parte do Edu, o vocalista já havia divulgado que tocaria a emblemática faixa por estar contando com a presença Holzwarth para o show e na sequência sem deixar a peteca cair, “Pegasus Fantasy”, sim, aquela do seriado Cavaleiros dos Zodíacos e que fez muitos marmanjos voltarem para aqueles finais de tarde onde uma geração parava em frente a televisão para assistir os Cavaleiros de Atenas sempre a lutar e derrubar o império do mal.

Entre estar só o pó e extremamente anestesiado de felicidade, a noite ainda tinha seu Grand Finale, contando com duas baterias e com todos os vocalistas convidados em cima do palco para “Nova Era”, que fechou a noite da mesma forma que ela começou, com a banda pegando fogo e o público cantando junto.

Edu Falaschi se mostrou uma fênix, mesmo com o cansaço eminente, o vocalista soube mais uma vez transformar vidas, relembrar o passado e o mais importante, mostrar que existe um futuro para o projeto que não ficará preso aos tempos dourados.

Setlist:

Deus Le Volt!
Spread Your Fire
Angels and Demons
Waiting Silence
Wishing Well
The Temple of Hate
The Shadow Hunter
No Pain for the Dead
Winds of Destination
Sprouts of Time
Morning Star
Late Redemption
Speranza
Warm Wind
King
Rebirth
Carry On
Pegasus Fantasy
Nova Era
Gate XIII

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