Entrevista: Capa Preta, Black Metal luso-brasileiro
Por: Thiago Loureiro
Salve, legiões do underground! Eu sou Thiago Loureiro, e hoje temos o privilégio de receber uma das entidades mais promissoras do Metal extremo luso-brasileiro. Estamos falando do Capa Preta, um trio que acaba de lançar seu álbum de estreia, Em Nome de Vossa Santidade Maioral de Todos os Infernos (leia a resenha do Metal Na Lata), pela Black Death Production. Uma obra que já está sendo tratada como um marco para o cenário. Senhores, sejam muito bem-vindos ao METAL NA LATA!
Capa Preta:
“Agradecemos o convite e o espaço para que possamos divulgar nossas ideias e difundir nosso propósito com Falange Capa Preta que é propagar a Quimbanda aos 7 ventos.”
A IDENTIDADE E O NASCIMENTO DA ENTIDADE
Metal Na Lata: vamos começar pelo princípio. Capa Preta é uma entidade internacional formada em 2024, com membros do Brasil e de Portugal. Como surgiu a ideia de unir esses dois países em uma única formação e qual foi o estopim para criar essa legião?
Capa Preta:
“Bom, costumamos dizer que nesta horda nada nasceu por acaso, mas sim, de uma sincronicidade obscura que estava totalmente fora do nosso controle. A horda nasceu depois de uma vinda ao Brasil do nosso baterista, aqui chamado de Satanás. Nessa oportunidade fomos a um ritual de Exu Lucifer, que é um poderosíssimo Exu que tem um arquétipo similar aos de Lucifer, assim ganhando essa alcunha. Algum tempo se passou, nosso baterista voltou para Portugal e sempre falávamos sobre fazer um projeto. Ele chamou para as guitarras Caifás, que é nosso grande maestro, e assim trabalhamos nisso, tudo fluiu absurdamente bem. Fizemos algumas reuniões online e as ideias e personalidades foram se alinhando de forma muito harmônica. Satanás é o grande articulador para a existência do Capa Preta, mas somos como as três pontas afiadas do seu tridente.”
CAPA PRETA – UMA DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS
Metal Na Lata: o nome da banda já é uma declaração de princípios. Exu Capa Preta é cultuado como guardião de caminhos e mestre da necromancia na Quimbanda. Por que escolheram essa entidade específica como patrona e como isso dialoga com a sonoridade de vocês?
Capa Preta:
“Bom, no ritual que acabei falando acima… nesse ritual os portais estavam abertos e foi revelado pelo Exu Pantera Negra (que é o Exu patrono do templo em que estávamos), que o Mestre Exu de Satanás é o Exu Capa Preta e aí veio o insight de batizar a banda, que ainda não existia, de Capa Preta. Tempos depois de lançarmos as primeiras músicas, nesse mesmo templo foi confirmado de forma bem aleatória, inesperada e improvável que o que estávamos fazendo estava de fato ressoando no Mundo dos Mortos. Isso nos deu muito orgulho e animo para seguir com o projeto e torna-lo de fato uma Legião propagadora da Quimbanda, com a missão de erguer o tridente envenenado de Exu e Pombagira pelo mundo como nossa Grande Obra.”
A capa, um símbolo forte da Quimbanda
“Mais para além disto, a Capa Preta é um símbolo muito forte desse traço europeu da Quimbanda o que ressoa em nós por sermos uma Horda Luso-brasileira. Existem várias tradições de Quimbanda. Umas mais africanizadas, outras mais xamânicas e outras mais europeias. Veja, nem os indígenas nem os africanos usavam capas. Isso é algo que veio juntamente com os europeus, assim como a cartola, o tridente, o Diabo de pele vermelha, a ferradura (cigana), a demonologia dos grimórios jesuítas, os baralhos, etc… Então a capa é um símbolo de poder, usada pelos reis, juízes, imperadores. Alguns guerreiros da antiguidade usavam a capa de forma tática durante as batalhas.”
“Executores, bruxos, conspiradores, ladrões e assassinos também usavam. Então a capa tem toda uma carga simbólica que definem a atuação desse Exu. Ele é o juiz e o executor, o Rei e o assassino, o conquistador e feiticeiro, o Lord e o ladrão, o legislador e o fugitivo. Então a capa é um símbolo dúbio, que impõe medo e respeito com a mesma força e carregada de mistério que vão sempre muito além da nossa compreensão. Poderia destrinchar esse arquétipo aqui por muitas e muitas linhas. Existem também outros Exus famosos por usarem capas: Exu Capa Roxa, Exu Capa Vermelha, Tranca Ruas da Capa Preta, Exu Morte, Exu Omulu e o Exu 7 Capas Pretas…”
ESTÉTICA E ICONOGRAFIA: ROMPENDO O CLICHÊ EURO-CÊNTRICO
METAL NA LATA: uma das coisas que mais me chamaram a atenção na resenha que escrevi foi o rompimento com a estética eurocêntrica do Black Metal. Vocês trocam castelos góticos e florestas nórdicas pela encruzilhada, pelo Reino da Kalunga, pela resistência do Cangaço. Enfim, como foi esse processo de construção visual e conceitual?
Capa Preta:
“Eu sinceramente discordo um pouco da sua visão nesse ponto, mas a arte é para ser interpretada pelo olhar de cada um. Eu sempre gostei muito do conceito e Antropofagia Cultural do Oswald de Andrade, então, apesar de esteticamente e nas letras buscarmos coisas que remetam ao culto da Quimbanda, muito da nossa sonoridade não tem quase nenhuma influência da música daqui. Assim como dissemos na Quimbanda que ‘Exu come tudo’ (no sentido de absorver tudo que lhe é oferecido com verdade, amor e justiça), nós nos damos o direito de não nos restringirmos em absorver influências sejam quais forem. Sem perder a coerência com o tema, optamos por usar nos vídeos de divulgação pontos de força que ressoem com a proposta de forma plena.”
“Nesse ponto de vista, não seria um problema se usássemos castelos ou qualquer floresta pois são pontos de força de vários Exus. Exu Lord da Morte e Pombagira Maria Quitéria, Maria Padilha poderiam muito bem receber uma oferenda num antigo castelo ou palácio. Imagine ser da Quimbanda e morar na Noruega ou Rússia, por acaso!? Traçar conexão com os antigos espíritos desses lugares através do sistema necromântico da Quimbanda… É completamente possível, sabendo abrir os portais e usar esses lugares da forma certa, já que lá já habitam outros demônios e espíritos absurdamente sinistros. Então não temos pretensão de sermos antagonistas ao ‘estilo europeu’, pelo contrário, nós o absorvemos o que nos rodeia com o olhar da Quimbanda.
SOBRE O TÍTULO DO ÁLBUM
Metal Na Lata: o título do álbum, Em Nome de Vossa Santidade Maioral de Todos os Infernos, é uma declaração de guerra. Na minha leitura, vejo isso como uma recusa ao servilismo e uma afirmação da soberania do indivíduo. Como vocês enxergam o conceito de “Inferno” dentro da cosmologia da Quimbanda Luciferiana?
Capa Preta:
“Sempre que iniciamos os rituais na Quimbanda, a primeira saudação que fazemos é SEMPRE para V.S. Maioral. Esse é o motivo real para o título do álbum, para que ele seja marcado como o nosso primeiro ato, sempre em nome do Grande Dragão Negro. Tudo que fazemos é sempre em nome da Mambá Negra Coroada. O “Inferno” que tratamos na Quimbanda são reinos espirituais mantidos pelas forças de V.S. Maioral de Todos os Infernos.”
“Onde habitam os Exus e Pombagiras em sua glória. Não se trata, nem de longe do ‘inferno cristão’. O Inferno para nós é onde habitam os ancestrais que burlaram a Roda de Sansara e continuam sua evolução no plano astral até alcançarem a vibração de um Poderoso Morto. Então, dentro desse contexto, o Inferno é também um símbolo de libertação do Sistema. Libertação dos véus ilusórios, atuando como vírus sobre o sistema pelas mãos dos filhos de Caim, que seguem sendo a Merca do Diabo na Terra. Lar daqueles que viveram e morreram como arquétipos de Lúcifer.
FUNDAMENTAÇÃO FILOSÓFICA E A TRADIÇÃO DA NOITE
Metal Na Lata: sua obra não é apenas música; mas sim uma manifestação prática do Caminho da Mão Esquerda (LHP). Vocês bebem de fontes como Stephen Flowers, Thomas Karlsson, Danilo Coppini, Nicholaj de Mattos Frisvold… Como vocês conseguiram unir tantas referências eruditas à visceralidade do Black Metal Raw?
Capa Preta:
“De certa forma, todos esses autores dialogam entre si e com as mesmas forças. Isso é inevitável, pois nas encruzilhadas do caminho canhoto e o paganismo sacrificial, podemos traçar semelhanças até mesmo da Quimbanda com o paganismo Helênico, por exemplo. Os cultos sacrificiais Ctônicos, Marinhos e Celestes. Cada um com seus fundamentos e pontos de força. Os gregos que por sua vez absorveram isso dos cultos aos Deuses do antigo Egito, nação que por séculos cultuou figuras caprinas como o Deus Apis e tantos outros. Isso só para citar uma das semelhanças, pois há vários outros paralelos possíveis. Isso denota que o sincretismo do culto vai muito além dos três alicerces principais da Quimbanda, que é a Pajelança originária, Magia Negra Africana e Magia Negra Ibérica.”
“O caminho do iniciado é manter-se sempre em expansão e transformação e a busca por fontes ‘não óbvias’ é um caminho que eu sigo muito. Então essa mescla de influências é sempre enriquecedora, se levarmos em conta a soma do que aprendemos com outras pessoas, companheiros de egrégora, etc. Isso só se expande. Sem contar que muito do que é tratado nas letras do Capa Preta são experiências reais, passadas tanto para nós por gnose, quando ouvidas no pé do ouvido. Claro que falado de forma “poética” e até mesmo codificada entre os versos. Mantendo sempre as métricas dos “pontos cantados” do culto que tem essa característica. “As cantigas mais simples trazem os ensinamentos mais profundos.”
A INTERPRETAÇÃO DO ELITISMO ESPIRITUAL DENTRO DA PROPOSTA DO CAPA PRETA
Metal Na Lata: Nietzsche, Evola, Ragnar Redbeard, Humberto Maggi... Ou seja, vocês não têm medo de dialogar com pensadores considerados “polêmicos”. Como vocês interpretam a transvaloração dos valores e o elitismo espiritual dentro da sua proposta artística?
Capa Preta:
“Nossa missão é envenenar almas e, quem sabe, despertar a Chama Negra opositora nas pessoas. Também é a propaganda do Diabo. Esses sim são os pontos máximos de alcance da nossa arte com certeza. Já houveram relatos de pessoas de outras culturas, que não falam português, que disseram sentir um sentimento de raiva, revolta e até como se estivessem em um rito iniciático de libertação durante a audição do nosso álbum. Um cara da Itália disso isso…”
“Então para mim é algo muito gratificante que tenha esse tom e toque as pessoas assim. Porque é um sinal que a Chama Negra da pessoa ressoou como as nossas. Os caminhos que trilhamos para nos aproximar de Exu, todas as práticas simbióticas gnósticas são sempre carregadas dedicação e esforço, mas sempre somos recompensados com ensinamentos e momentos que o acomodado em seu ceticismo jamais aviventará. Só aqueles que fazem a busca, os que seguem a rota dos iniciados, transpiram e se sujam com o sangue dado em sacro oficio aos Deuses Ancestrais, esses trilham os caminhos dos mortos e adentram as dimensões dos Poderosos Mortos.”
Exu, a personificação do dinamismo e Pombagira, a personifcação do útero do eterno renascimento
“Para além disso, Exu é a personificação do DINAMISMO e Pombagira é a personificação do ÚTERO do eterno renascimento. Eles se completam nesse sentido. Tem nesse conceito uma busca mais intima de transmutação alquímica através das Gnoses de Exu e Pombagira. E é nesse momento em que se percebe toda a potencialidade que esse caminho sugere que muitos se perdem também. Ficam inebriados de um ‘poder’ artificial e a superficialidades tomam o lugar da busca evolutiva plena, fazendo o adepto se afastar do que realmente importa, que é adentrar aos seu mais profundos abismos e nigredos, tirando todas as suas máscaras e olhando de frente para os seus próprios demônios e, quem sabe, olhando nos olhos do seu Mestre Exu.”
A PRODUÇÃO DELIBERADAMENTE SUJA DO DEBUT
Metal Na Lata: na resenha, destaquei que a produção do álbum é propositalmente crua e suja, típica do Raw Black Metal. Ou seja, guitarras ásperas, poucos graves, bumbo estourado, assim como vocais em primeiro plano. E eu percebi isso: quem espera uma produção moderna como Dimmu Borgir ou Behemoth vai se frustrar. Por que essa opção estética?
Capa Preta:
“Porque somos maníacos por Metal e essa sonoridade é algo que remete as bandas que cultuamos. Depois de muitas versões testadas, chegamos nessa que estava de acordo com todos os propósitos que determinamos internamente.”
Metal Na Lata: O resultado é denso, respeitando a tradição do underground mas competitivo para o formato digital. Como vocês encontraram esse equilíbrio entre crueza e clareza?
Capa Preta:
“Eu acho que a propaganda do Diabo tem que ser o mais explicita e pornográfica possível. Falando no sentido da crueza gráfica e explicitês. Tudo isso a Quimbanda já tem desde sua gênese, realmente faz parte dela. Em qualquer pesquisa não se encontra menos que isso. Então a ideia de passar uma mensagem com clareza, sem perder as nossas raízes foi o que nos levou a essa sonoridade.”
ANÁLISE FAIXA A FAIXA: O GRIMÓRIO SONORO
“Fragmento da Suprema Oração”
Metal Na Lata: vamos falar do álbum faixa a faixa. A abertura, “Fragmento da Suprema Oração”, é uma introdução atmosférica e ritualística. Tem essa questão da “Oração de Si Mesmo” de Aleister Crowley e a substituição da súplica pelo comando da vontade. Por que começar o álbum com esse “Fragmento” propositalmente incompleto?
Capa Preta:
“Na real, a Suprema Oração é um longo texto e o ultimo de uma série de sete orações que faz parte de um ritual que leva sete noites seguidas, em que cada noite é feita uma oferenda especifica para Exu acompanhada de uma oração. Esse é um poderoso e complexo ritual de aproximação e simbiose com os Poderosos Mortos. É uma oração de empoderamento devocional através das forças obscuras de V.S. Maioral visando o fortalecimento espiritual e a revitalização dos votos pactuados.”
“Saudação a Vossa Santidade Maioral de Todos os Infernos”
Metal Na Lata: “Saudação a Vossa Santidade Maioral de Todos os Infernos” expande o conceito com blast beats implacáveis e um refrão quase cantado — algo raro no Black Metal. Vocês arriscaram nessa abordagem mais acessível?
Capa Preta:
“Essas nuances vocais foram algo muito mais do feeling infernal durante o momento das sessões de gravação do que qualquer coisa intencional. Como disse, não é do nosso intuito que algo não fique claro, tanto que colocamos as letras em português e inglês nos materiais fisicos. Essa faixa é quase como um ‘roteiro’ da saudação de V.S. Maioral que fazemos antes dos ritos devocionais.”
“Salve as Legiões do Poderoso Exu Capa Preta”
Metal Na Lata: “Salve as Legiões do Poderoso Exu Capa Preta” é a faixa onde o baixo se destaca como uma fundação sísmica. A letra evoca as falanges de Exu Capa Preta como exércitos espirituais. Como vocês trabalharam a dinâmica do baixo nessa faixa?
Capa Preta:
“As gravações das cordas ficaram todas a cargo do nosso maestro Caifás. Ele quem teve todo o feeling nessa parte da musica. Foi algo natural”
“Pombagira, Feiticeira Diabólica”
Metal Na Lata: “Pombagira, Feiticeira Diabólica” traz uma mudança de atmosfera — ritmo mais cadenciado, riffs mais melódicos. Vocês celebram o Sagrado Feminino na sua face mais destrutiva. Como vocês enxergam a Pombagira dentro da Quimbanda Luciferiana?
Capa Preta:
“Essa pergunta parece simples, mas poderia ficar aqui escrevendo paginas e paginas sobre isso. Para nós a Pombagira é a força feminina. As bruxas infernais chamadas em tantas noites. Os espíritos das feiticeiras, prostitutas, assassinas… Vetores de sabedoria e conquista e luxuria. São na mesma medida mães e amantes. Elas são o puro veneno.”
“Necromânticas Noites no Reino da Kalunga”
Thiago Loureiro: “Necromânticas Noites no Reino da Kalunga” é a faixa mais longa e atmosférica do álbum. Vocês exploram a necromancia e o culto aos mortos. O que é a “Kalunga” dentro da cosmologia de vocês e como vocês a traduziram musicalmente?
Capa Preta:
“Sobre Kalunga, tem um significado amplo e está ligado a noções de imensidão, mar, sagrado, divindade e ancestralidade. Mas é amplamente usada para se referir a CEMITÉRIO. Kalunga Pequena = Cemitério / Kalunga Grande = Mar, Oceano, Praia. Sendo assim, ‘Necromânticas Noites na Kalunga’ fala de mistérios e práticas do adepto relacionado ao Culto aos Mortos no cemitério de uma forma muito fundamentada, poética, enigmática e ao mesmo tempo muito direta. Relatando experiências e práticas feitas nas inúmeras idas ao cemitério na perspectiva de um necromante de Quimbanda. O deleite para nós, necro-maníacos é ir para o cemitério e Chamar os Mortos.”
“Devoção, Sangue e Guerra”
Metal Na Lata: “Devoção, Sangue e Guerra” é a faixa mais brutal do álbum — e eu confesso, é minha faixa favorita. Vocês trazem um ritmo de marcha militar e uma estética de resistência do Cangaço. Como foi construir essa faixa?
Capa Preta:
“Devoção, Sangue e Guerra é basicamente um ‘roteiro’ de uma pratica devocional na qual fazemos uma incisão no dedo anelar da mão esquerda a fim de fortificar os vínculos e a aliança com Exu e Pombagira. A intensidade do ato ficou bem representada na potencia nessa faixa.”
“O Vampírico Ataque das Kiumbas”
Metal Na Lata: “O Vampírico Ataque das Kiumbas” encerra o álbum de forma apoteótica. A faixa aborda o parasitismo espiritual e os perigos da senda. Por que encerrar com esse aviso?
Capa Preta:
“Não diria que é exatamente um aviso. A música traz relatos de experiências que eu ouvi, vi e vivi. Kiumba é uma palavra com origem nas línguas Bantu da África Ocidental especificamente no Quimbundo. Denomina um espírito bestializado, que carregam um ódio tão vorás por tantas dores, sofrimentos, perdas e frustrações, que mesmo após a morte permaneceu sem a revelação da Chama Negra de Exu. Esses espíritos podem ser aprisionados e escravizados usados para ataques espirituais, vampirismo e maldições terríveis.”
INFLUÊNCIAS E O MAPA DA GNOSE GLOBAL
Metal Na Lata: na resenha, mapeei uma lista extensa de influências que vão de Mortuary Drape, Mystifier e Negative Plane até Sarcófago, Watain, Beherit, Moonspell, assim como Corpus Christii… Como vocês absorvem tantas referências sem perder a identidade própria?
Capa Preta:
“Justamente por não tentar copiar nada. Essas influencias não são somente o que somos. Acho que todo o feeling que buscamos com a proposta sonora e temática acaba por nos levar a caminhos próprios. Além de outros fatores como o vocal em português diferente de todas essas que acaba tento uma estética sonora bem diferente dessas citadas. A nossa busca é essa também, criar uma identidade que ressoe como a proposta.”
O VEREDITO FINAL E O FUTURO
Metal Na Lata: Vocês receberam nota 8/10 na minha resenha — uma obra de referência, mas com espaço para expandir a paleta sonora. Como vocês recebem essa avaliação e o que podemos esperar do futuro do Capa Preta?
Capa Preta:
“Sinceramente não nos importa muito avaliações desse tipo, mas ficamos contentes por ver que a arte que criamos ressoa com outros. Entretanto, de fato, acho que num próximo lançamento poderemos trazer mais da musicalidade original da Quimbanda. Isso é algo que estamos a explorar mais no nosso som, assim como faixas mais atmosféricas. Temos conceitos prontos para os próximos materiais, mas não posso revelar mais do que isto.”
CONCLUSÃO
Metal Na Lata: Para encerrar, gostaria de deixar um espaço para vocês falarem diretamente aos leitores do METAL NA LATA e as todas legiões do underground. O que vocês desejam transmitir com este álbum?
Capa Preta:
“Agradeço novamente este espaço para expormos nossos propósitos e conceitos, agradeço também a quem nos tem apoiado e ajudado a divulgar a nossa arte. Para quem estiver na Europa, teremos noticias em breve de alguns shows. Esperamos estar a conseguir abrir portas para que outras pessoas possam conhecer melhor os tópicos em que aqui tocamos assim como para a Quimbanda e que Vossa Santidade Maioral permita que nossos hinos e essas palavras aqui escritas possam envenenar a maior quantidade de almas possíveis e que desperte a Chama Negra daqueles que a possuírem em seus corações. Salve a Resistência Diabólica!!! O Exu e Pombagira!!! SALVE A QUIMBANDA!!! SALVE O GRANDE DRAGÃO NEGRO!!!”
SANGUE, FORÇA E HONRA!
Metal Na Lata: senhores, foi uma honra absoluta. Este álbum me transformou, me arrancou do conforto da realidade cotidiana e me lançou em um reino de sombras e poder. Desejo toda a força e toda a guerra para o Capa Preta. O underground agradece. SANGUE, FORÇA E HONRA!
Capa Preta: Fico feliz em ler isso, espero mesmo que a sua alma continue sendo envenenada pela peçonha do Diabo. Pois cada ato nosso é sempre em nome Dele.

