Entrevista com Bill Hudson (As I Lay Dying)
Uma das grandes referências do metalcore mundial, o As I Lay Dying anunciou, através da produtora Dark Dimensions, seu retorno ao Brasil com duas apresentações: São Paulo (03/05 – Vip Station – adquira seu ingresso aqui) e Curitiba (04/05 – Tork n’ Roll – adquira seu ingresso aqui). A turnê celebra os 20 anos do lançamento de Shadows Are Security, um dos trabalhos mais importantes do gênero e responsável por projetar a banda internacionalmente.
Após mudanças internas, o grupo foi reformulado pelo vocalista e membro fundador Tim Lambesis, contando agora com o guitarrista brasileiro Bill Hudson (Northtale, Doro, I Am Morbid), Don Vedda (guitarra), Chris Clancy (baixo e vocais limpos) e Tim Yeung (bateria; ex-Morbid Angel, Divine Heresy e Vital Remains). Além disso, a banda lançou dois novos singles e confirmou que um novo álbum está em fase de composição, dando início a um novo capítulo em sua trajetória.
O Metal Na Lata conversou com Bill Hudson que, em um papo leve e descontraído, falou sobre sua entrada na banda, as novas músicas, a turnê europeia e as expectativas para os shows no Brasil. Confira!
Entrevista por Lucas David
Edição por Johnny Z.
Fotos por Tom_Flynn (exceto onde mencionado)
Bill, logo após o anúncio do retorno do As I Lay Dying e sua entrada você mencionou que já conhecia Tim Lambesis (vocal) há algum tempo. Como foi o processo para ser convidado a integrar a banda?
Bill Hudson: Eu já o conhecia, mas não éramos próximos. Quando minha carreira nos Estados Unidos começou, em 2006, eu tinha uma banda chamada Cellador, e no início abríamos shows para o As I Lay Dying, que na época estava em alta por causa do ‘Shadows Are Security’, então último lançamento deles. Chegamos a tocar juntos no Japão, inclusive com o Heaven & Hell, com Tony Iommi, Ronnie James Dio, Geezer Butler e Vinny Appice. Foi surreal — o Dio no camarim ao lado (risos)! Apesar disso, eu não era próximo do Tim, tinha mais contato com outros integrantes, especialmente o Nick Hipa. No ano passado, eu estava em turnê com o I Am Morbid e recebi uma ligação do Tommy Vext, que é amigo do Tim e me indicou. Eu já havia trabalhado com o Tim Yeung, então tudo fez sentido. Ele me ligou, eu ainda tinha alguns shows na Europa e fui direto para a casa dele. Nos conhecemos melhor e deu tudo certo.
Com essa nova formação, tivemos o lançamento de dois singles (“Echoes” e “If I Fall”) e a confirmação de um novo álbum. O que você pode nos contar sobre esse material?
Bill Hudson: Na verdade, não tive muito envolvimento nesses singles — ambos já estavam prontos. Em “If I Fall”, gravei apenas o solo, e “Echoes” já havia sido registrada por um músico de estúdio. No momento, ainda não gravamos as novas partes, mas o processo de composição está bem avançado. Temos material para mais de um álbum. A ideia, se não me engano, é lançar o disco antes do verão americano, entre junho e julho, mas ainda sem data definida.
Você já tocou com bandas como I Am Morbid, Doro e Savatage, transitando por diferentes estilos. Como tem sido entrar em uma banda de metalcore?
Bill Hudson: Já passei por algo parecido quando toquei com o I Am Morbid. Eu cresci ouvindo Morbid Angel, sabia da importância deles, mas nunca tinha tocado death metal. No caso do As I Lay Dying, a sensação foi semelhante. Eu conhecia a banda, mas não estava atualizado com o material mais recente, que é bem diferente. Eu já tinha convivido com bandas como Killswitch Engage, Bullet for My Valentine e All That Remains em turnês, então não era algo totalmente novo. Mas tocar é outra história (risos). Algumas músicas mais recentes foram desafiadoras — “My Own Grave”, por exemplo, exigiu muito tempo com metrônomo. Mas eu gosto disso, gosto de ser desafiado.
Então foi um desafio mesmo?
Bill Hudson: Com certeza. As músicas antigas são mais tranquilas, mas as mais recentes são doidas… o Phil Sgrosso estava inspirado (risos). “My Own Grave”, toda vez que começa ao vivo, eu penso: “lá vamos nós de novo” (risos).
Falando da turnê, vocês estão tocando ‘Shadows Are Security’. Você já conhecia bem esse álbum?
Bill Hudson: Sim, e tenho uma história engraçada. Esse disco era enorme quando saiu. Eu tinha acabado de me mudar para os EUA, e todo mundo ouvia — até quem não era do rock. Lembro de entrar no carro de uma ex-namorada e ver CDs de Maroon 5 junto com Shadows Are Security. Ela nem curtia metal, mas todo mundo tinha o disco. Na época, eu não gostava muito. Mas hoje entendo melhor: enquanto bandas como My Chemical Romance e Good Charlotte estavam puxando o público para algo mais pesado, o As I Lay Dying chegou com um som mais agressivo e bem produzido pelo Andy Sneap, o que fez muito sentido para aquela geração.
Você prefere tocar as músicas desse álbum ou os outros clássicos?
Bill Hudson: Gosto mais do Shadows Are Security, apesar de às vezes as músicas serem parecidas entre si (risos). Mas também curto muito “Blinded”, “Parallels” e “A Greater Foundation”.
Como tem sido a recepção do público na Europa?
Bill Hudson: Fizemos uma turnê europeia com datas na Rússia, Áustria, Alemanha, Suíça e Holanda. Foi incrível. Por conta das polêmicas envolvendo o Tim, eu não sabia como seria, mas especialmente na Rússia os shows foram completamente sold out. Na Alemanha, tocamos em um lugar onde eu havia me apresentado com a Doro meses antes, e com o As I Lay Dying havia o dobro de público. Isso mostra que muita gente fala groselha na internet, mas comparece aos shows.
Você está novamente ao lado do Tim Yeung. Como foi reencontrá-lo?
Bill Hudson: Engraçado, porque antes de conhecê-lo pessoalmente, eu ouvi o trabalho dele no Divine Heresy e fiquei impressionado. Depois, acabei passando por várias bandas pelas quais ele também passou. Viramos amigos quando entrei no I Am Morbid. Tocamos juntos em vários projetos, inclusive com o Tommy Vext. Brincamos que, nos últimos 16 anos, praticamente todas as bandas dele tiveram a ver comigo (risos). Quando o Tim Lambesis me convidou, eu fiquei em dúvida por conta das polêmicas. Mas quando soube que o Tim Yeung estaria na banda, liguei para ele. Ele disse que já tinha aprendido todas as músicas e estava empolgado. Então eu falei: “se você está dentro, eu também estou”.
Sobre os shows no Brasil, o que podemos esperar?
Bill Hudson: Estou muito empolgado! Amo tocar na América do Sul, ainda mais em São Paulo, minha cidade. Curitiba será novidade para mim. Já conheço mais de 60 países, mas no Brasil acabo conhecendo apenas onde toco. Então estou animado para isso também. E confesso que não sabia o tamanho da banda no Brasil. Mas comecei a receber muitas mensagens e senti um carinho muito grande — diferente até de outras cenas.
Você sente diferença entre o público do metalcore e o de outros estilos?
Bill Hudson: Sim, é um público mais jovem. No metal mais tradicional, muita gente quer ser músico. Já no metalcore, vejo mais fãs de verdade, que valorizam o fato de você estar ali.
Existe uma pressão maior ao tocar no Brasil?
Bill Hudson: Não. Já toquei várias vezes aqui com diferentes bandas. O que vejo é o melhor público do mundo. Sempre digo: o brasileiro pode até criticar na internet, mas vai aos shows e demonstra um carinho enorme.
Para finalizar, deixe um recado aos seus fãs e, claro, do As I Lay Dying.
Bill Hudson: Quero agradecer ao Metal na Lata pela oportunidade. Os shows no Brasil serão muito especiais para mim e para a banda. Sempre falo para eles sobre o público de São Paulo — é algo único, diferente da Europa e dos EUA. Quando subirmos ao palco, mal vamos conseguir nos ouvir (risos). Espero encontrar todos vocês. Estou muito feliz e ansioso para chegar ao Brasil!
SERVIÇOS:
AS I LAY DYING EM SÃO PAULO
Data: 3 de maio (domingo)
Local: Vip Station
Endereço: Rua Gibraltar, 346 – Santo Amaro – São Paulo/SP
Realização: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press
Bandas de abertura: Throw Me To The Wolves e Self Insight
Abertura das Portas: 17h
Início do Evento: 20h
Ingressos: https://ingressomaster.com/comprar/29/as-i-lay-dying-sao-paulo
Classificação: 18 anos
É obrigatória a apresentação de documento de identidade
AS I LAY DYING EM CURITIBA
Data: 4 de maio (segunda-feira)
Local: Tork N’ Roll
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 1695 – Rebouças – Curitiba/PR
Realização: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press
Banda de abertura: Self Insight
Abertura das Portas: 19h
Início do Evento: 21h
Ingressos: https://ingressomaster.com/setores/30/as-i-lay-dying-curitiba
Classificação: 18 anos
É obrigatória a apresentação de documento de identidade
Links Relacionados:
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