Entrevista com Chris Boltendahl (Grave Digger)

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Entrevista com Chris Boltendahl (Grave Digger)

Vocalista comenta a nova formação, o álbum Bone Collector, o retorno ao Brasil e o legado de uma das bandas mais importantes do Heavy Metal alemão.

Pensar em Heavy Metal puro, simples, pesado e direto é pensar em Grave Digger. Desde 1980 na ativa e capitaneado pelo inconfundível vocalista Chris Boltendahl, a banda atravessou as décadas fazendo um som característico, preservando a essência do estilo e marcando seu nome na história do Heavy Metal. O grupo viveu seu auge justamente em um período em que o metal tradicional estava em baixa, durante os anos 1990, lançando verdadeiras pérolas como Heart of Darkness (1995), Tunes of War (1996), Knights of the Cross (1998) e Excalibur (1999) — discos que hoje são considerados clássicos do gênero.

Com a vindoura turnê celebrando os 45 anos de carreira, a lendária instituição alemã do Heavy Metal passará pelo Brasil realizando quatro datas em novembro deste ano. Aproveitando o momento, o Metal Na Lata teve a oportunidade de entrevistar seu líder, o carismático vocalista Chris Boltendahl, em um bate-papo sobre o atual momento da banda e toda a sua trajetória até aqui. Confiram!

Entrevista por Matheus “Mu” Silva
Fotos por Jens Howorka

Metal Na Lata: Olá, Chris! Antes de mais nada, é uma grande honra entrevistá-lo, cara. Bem-vindo ao Metal Na Lata!

Chris Boltendahl: Olá. Eu quem agradeço!

Metal Na Lata: Seu álbum mais recente, Bone Collector (2025), marcou uma nova era para o Grave Digger, agora com o guitarrista Tobias Kersting, e um distanciamento do lado conceitual dos últimos álbuns, trazendo um som de Heavy Metal mais direto. Como tem sido a recepção do álbum e da formação atual?

Chris Boltendahl: Quando o Axel Ritt saiu, trouxemos Tobias Kersting como novo guitarrista. Ele é ex-integrante do Orden Ogan e também tocou no meu projeto solo Chris Boltendahl’s Steelhammer. Achei que seria uma ótima ideia chamá-lo, porque ele é um grande fã de heavy metal e entende perfeitamente como o som do Grave Digger deve soar. Quando começamos a compor para o Bone Collector, voltamos automaticamente ao som característico da banda — sem teclados, mais direto, como uma banda de quatro integrantes: guitarra, baixo, bateria e vocais. Sem firulas. Então, sim, estamos de volta ao ponto de partida, mais ou menos.

Metal Na Lata: No Bone Collector, você trabalhou com o artista brasileiro Wanderley Perna, do Genocídio. Como foi essa colaboração e quanto o trabalho dele influenciou o álbum?

Chris Boltendahl: Ele fez toda a arte do álbum, sem nenhuma direção musical. Criamos juntos a capa principal e ele ficou responsável por todos os layouts e encartes. É um cara talentoso, um ótimo designer, e sua arte realmente agregou muito ao disco.

Metal Na Lata: A turnê de 45º aniversário passará pela América Latina em novembro. Vocês vieram ao Brasil pela primeira vez em 1997 e voltaram inúmeras vezes desde então, construindo uma forte base de fãs aqui. Quais são suas expectativas para os quatro shows em novembro?

Chris Boltendahl: Sempre ficamos muito felizes em voltar ao Brasil, porque amamos nossos fãs daí. Desde o momento em que gravamos 25 to Live (2005), no DirecTV Music Hall, em 2004, foi incrível. A reação do público foi extraordinária. Ano após ano, sempre é um prazer tocar aí. E agora estamos em nossa melhor forma. Espero que os fãs se juntem a nós — tocaremos muitas músicas clássicas, nada da era Axel Ritt, apenas faixas dos anos 80 e 90, além de duas ou três músicas novas. Será um setlist muito especial.

Metal Na Lata: Este ano marca o 20º aniversário do 25 to Live. Você tem alguma lembrança especial daquela noite épica?

Chris Boltendahl: Sim, tocamos por cerca de duas horas e meia. Foi um show excepcional. Tocamos pelo menos duas músicas de cada disco até então. Foi um verdadeiro monumento ao vivo, com Manny Schmidt e Stephan Arnold na formação da época. Do início ao fim, os fãs apoiaram a banda intensamente. Foi realmente incrível.

Metal Na Lata: Embora o metal tenha passado por um período turbulento nos anos 90, especialmente o old school, o Grave Digger atingiu seu auge justamente nessa fase. Como a banda evoluiu durante esse período?

Chris Boltendahl: Sempre acreditamos na nossa música e no som do Grave Digger. Nos anos 90, mudamos um pouco a sonoridade — os álbuns conceituais como Tunes of War, Knights of the Cross e Excalibur fizeram muito sucesso. Esses discos são tão importantes quanto Heavy Metal Breakdown (1984), Witch Hunter (1985) e War Games (1986). Também tivemos uma grande fase nos anos 2000 com Manny Schmidt. Passamos por muitos altos e baixos, mas toda essa experiência nos tornou o que somos hoje. E posso dizer que me divirto muito mais no palco agora do que há 20 anos. Tocamos recentemente em um clube para 500 pessoas e foi simplesmente fantástico. A banda está em excelente forma — vocês verão!

Metal Na Lata: No ano passado, o Grave Digger foi a atração principal do festival alemão Keep It True, conhecido por valorizar tanto bandas clássicas quanto novas formações que preservam o espírito do heavy metal old school. O que você acha dessa nova onda de bandas com sonoridade retrô?

Chris Boltendahl: Eu ouço algumas, como o Ambush, por exemplo. Mas, para mim, que vivi o heavy metal dos anos 80, as bandas daquela época — Rage, Helloween, Kreator — ainda são as mais relevantes. Muitas das novas tentam copiar demais o som da época e acabam perdendo identidade. É difícil recriar aquele sentimento, porque a maioria dessas bandas nem viveu os anos 80. É legal querer trazer essa energia, mas seria um desastre tentar fazer hoje um álbum como Heavy Metal Breakdown.

Metal Na Lata: Recentemente, vários álbuns dos anos 80 e 90 foram relançados. Há planos para reeditar mais materiais clássicos, especialmente dos anos 90, em edições de luxo?

Chris Boltendahl: Sim! Esses discos serão relançados em vinil em fevereiro do ano que vem.

Metal Na Lata: Você e Jens Becker carregam o legado da banda há décadas. Como é a relação de vocês, especialmente na parte criativa?

Chris Boltendahl: Nosso relacionamento é ótimo, mas é como um casamento (risos). Às vezes discutimos, claro, mas no fim nos entendemos. Estamos juntos há 28 anos e espero que continuemos assim. Meu maior desejo é que ambos mantenhamos a saúde e sigamos em frente. Somos pessoas bem diferentes, e talvez seja isso que funcione tão bem.

Metal Na Lata: Ano que vem, Tunes of War completará 30 anos — um marco na discografia do Grave Digger. Há planos para celebrar esse aniversário, como no Wacken em 2010?

Chris Boltendahl: Sim, pensamos nisso, mas ainda não há planos concretos. Estamos escrevendo um novo álbum para ser lançado em janeiro de 2027 e teremos muitos shows neste ano por conta do 45º aniversário. No ano que vem, faremos uma pausa para gravar e mixar o disco. Temos o aniversário do Tunes of War em mente, mas nada definido ainda.

Metal Na Lata: Você pretende lançar um novo álbum com seu projeto solo Chris Boltendahl’s Steelhammer?

Chris Boltendahl: Não! (risos). No momento, estamos totalmente focados no novo álbum do Grave Digger. Já temos algumas ideias e músicas escritas. É muito trabalho, principalmente porque fazemos tudo entre as turnês. Temos shows até janeiro, depois uma pausa até maio para gravar. Muito trabalho pela frente — sem Steelhammer por enquanto! (risos)

Metal Na Lata: Desde a entrada de Tobias, vocês têm resgatado músicas que não tocavam há muito tempo, como “Under the Flag” e “Back to the Roots”, além de outras nunca tocadas ao vivo, como “Keeper of the Holy Grail”. Há planos de incluir mais raridades no repertório?

Chris Boltendahl: Acho que temos um ótimo setlist no momento e vamos mantê-lo também na América Latina. Algumas pessoas que nos viram em festivais na Espanha já o conhecem, mas a maioria do público latino-americano ainda não. Então, sim, vamos apresentá-lo por aí.

Metal Na Lata: Muito obrigado pelo seu tempo, Chris. Foi uma honra conversar com você — sou fã da banda há quase 20 anos. Gostaria de deixar uma mensagem para os fãs que irão aos shows de novembro? Eu estarei lá! (risos).

Chris Boltendahl: Eu que agradeço o apoio, Matheus. Estaremos no Brasil tocando músicas dos anos 80 e 90 — então juntem-se a nós para uma grande noite! Obrigado!

Agradecimentos à todos da Opus Entretenimento pela oportunidade e parceria.

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