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Entrevista com Felipe Morgoth e Rodolfo Mnac (SavageZ)

Logo nos primeiros compassos, o Death Metal praticado pelo maranhense SavageZ pode te levar a nocaute. Isso se deve à brutalidade do instrumental somado a uma voz feminina afiada, que comanda a parte lírica com agressividade ímpar, colocando o grupo entre as principais promessas do metal nacional. Ahnysha Krüst (vocal), Felipe Nunes “Morgoth” (guitarra), Rogers Rocha (guitarra), Rodolfo Mnac (baixo) e Hugo Andrade (bateria) lançaram “New Dimensions”, seu primeiro trabalho de estúdio, em 2019, e nós, do Metal Na Lata, batemos um papo exclusivo com Morgoth e Mnac sobre o passado, o presente e o futuro da banda, suas influências e muito mais. Confira!

Por William Ribas
Fotos: Divulgação

Metal Na Lata: Como se deu o início da banda?

Felipe Morgoth: Desde o início a proposta era fazer algo que realmente acrescentasse, principalmente, à cena local. O Rodolfo é o membro mais antigo, logo em seguida eu entrei, e juntos decidimos que a banda se chamaria SavageZ e começamos a moldar o som que temos hoje.

Metal Na Lata: Vocês levaram cinco anos até lançarem seu primeiro trabalho. Qual foi a importância desse período até a chegada de “New Dimensions”?

Felipe Morgoth: Cada um desses cinco anos foi importante para nós, pois conseguimos nos lapidar individualmente e como um grupo. Conforme fomos trocando ideias e propostas, fomos também conhecendo novas bandas que nos inspiraram e influenciaram ao longo da composição de nossas músicas. Esse período foi essencial para que nós conseguíssemos o melhor resultado possível no primeiro trabalho.

Metal Na Lata: Em 2015, seria lançado o EP “Anima Igni”, que foi cancelado devido a uma mudança na formação. Parte desse material chegou a ser aproveitada em “New Dimensions”?

Rodolfo Mnac: A única música que foi aproveitada foi a “Black Visions”, que acabou se tornando o norte para a confecção do novo álbum. Ela foi retrabalhada, inclusive como um solo incrível do nosso colega e membro honorário Helenilton Cabral, e acabou ficando muito melhor. Além dela, já tínhamos as bases da “Deformed”, que até hoje é uma de nossas favoritas, tanto que foi nossa primeira escolha para um vídeo.

Metal Na Lata: “New Dimensions” teve a produção toda feita pela banda. De alguma maneira, trabalhar “em casa” trouxe mais segurança para o resultado final?

Felipe Morgoth: Sem dúvida, além de conseguirmos um resultado final mais próximo ao que realmente queríamos, sem a pressão de horários de estúdio e tendo a liberdade para fazer e refazer como gostaríamos; entretanto, tivemos que superar as limitações dos equipamentos com trabalho extra na produção, mas ficamos bastante satisfeitos com o resultado final.

Metal Na Lata: Contem-nos sobre os clipes para as músicas “Deformed” e “Escape from Reality”. Existem planos para outros vídeos?

Felipe Morgoth: “Deformed” foi nosso primeiro vídeo de divulgação do “New Dimensions”. É uma produção própria, gravado e editado apenas por nós mesmos, e o resultado foi muito além do esperado, vide a quantidade de críticas positivas que recebemos. “Escape from Reality” é um “vídeo-ensaio”, em que tivemos a ajuda da Hellen Rose com as filmagens, e registramos algo muito próximo do que é a banda ao vivo. Sim, planejamos trabalhar pelo menos mais dois vídeos de músicas deste álbum.

Metal Na Lata: Algo que chama bastante atenção no disco é a linha instrumental que segue um Death Metal/Thrash Metal bastante técnico, e com vários momentos que nos permitem julgar que dentro da banda temos grandes fãs de Prog Metal, correto?

Rodolfo Mnac: Demais. E não só de Prog Metal. Na verdade, todos os integrantes têm uma vasta gama de interesses musicais e influências diversas, o que acaba nos dando muitas opções na hora de escolher qual linha seguir para expressar o que queremos nas músicas. Além disso, estamos sempre vasculhando bandas novas para conhecer e tentar aprender coisas novas. É um processo constante e interminável.

Metal na Lata: A parte lírica traz um verdadeiro leque de assuntos: alienação religiosa, morte, ódio e o lado escuro da humanidade. Gostaria que fizessem um resumo do álbum para os nossos ouvintes que ainda não tiveram contato com a banda.

Rodolfo Mnac: Ao longo do álbum nós tentamos enveredar por temas profundos, explorando questões que sempre pairam em nossas mentes, tais como: por que o ser humano ainda insiste nos mesmos erros ancestrais que os levam à confusão mental, frustração e a uma existência medíocre, deixando seus medos primitivos os conduzirem à cova prematura? A perspectiva da finitude e da morte é o que nos torna realmente humanos? Tentar traduzir isso em forma de música é um bom desafio que nós estamos determinados a aceitar.

Metal Na Lata: Ainda sobre a morte, esse é um tema bastante usado dentro do metal de modo geral. Como não fazer para não cair numa mesmice?

Rodolfo Mnac: Essa foi uma das perguntas que nós fizemos logo no começo. A nossa proposta e o nosso objetivo sempre foi tentar fazer algo novo, o mais original possível, sem ter a pretensão de ser “avant-garde” ou experimental demais. Então, decidimos ir à contramão do sangue pelo sangue e das tripas pelas tripas [risos], e falar da morte de uma perspectiva mais poética, filosófica e existencial. Claro, sem perder o peso desse assunto nem suavizar coisa alguma. O resultado soou satisfatório nas primeiras tentativas, então seguimos por essa linha.

Metal Na Lata: Qual música de “New Dimensions” representa melhor a essência do SavageZ?

Rodolfo Mnac: Essa pergunta é muito, muito difícil de responder. Pensei em “Escape from Reality”, “Black Visions” e a própria faixa título. Mas acredito que, em termos tanto líricos quanto instrumentais, é a “Deformed”. Por enquanto.

Felipe Morgoth: Acho que todas elas expõem um pouco da personalidade da banda, mas, para mim, as favoritas são “Believe or Die (Profane Fate)”, pela temática, que faz uma forte crítica à alienação religiosa, e “Black Visions”, pela pegada técnica e a quantidade de influências que conseguimos entrelaçar em uma mesma música.

Metal Na Lata: ”New Dimensions” será lançado também na Europa. Nesse pouco tempo desde que o álbum saiu, como está sendo o feedback do público? Já existem conversas para uma turnê fora do país?

Rodolfo Mnac: Vontade não falta. Estamos recebendo uma resposta extremamente positiva, tanto no Brasil quanto no exterior, o que nos incentiva demais a cada dia a perseguirmos essa ideia. Estamos ainda construindo um público enquanto divulgamos nosso álbum. Na primeira oportunidade concreta que tivermos, vai rolar.

Metal Na Lata: A banda participou do tributo internacional ao Death e participará do tributo brasileiro ao Iron Maiden. Qual a importância dessas duas bandas especificamente para a sonoridade do SavageZ?

Rodolfo Mnac: O Death é com certeza uma de nossas maiores referências. Participar de um tributo a eles é uma grande honra para nós. O Iron Maiden não fica atrás. Foi uma das bandas que nos formou enquanto headbangers, que nos ensinou o caminho. Ambas são verdadeiras instituições musicais. Sempre tocamos covers de uma dessas duas bandas em nossos shows. São influências que jamais serão postas de lado por nós.

Metal Na Lata: O Metal nasceu para quebrar regras, não se permitir estagnar etc. Mas infelizmente estamos vivendo certa censura imposta pelos próprios headbangers. A moda da vez é a briga entre quem acha que as bandas devem se posicionar contra os políticos versus aqueles que acham que política não deve ser misturada com música. Qual é o posicionamento de vocês?

Rodolfo Mnac: É verdade que muitos de nós, leigos, não quer se meter com política nem mesmo superficialmente, mas temos de ser realistas: os políticos se importam com cada um de nós, seus supostos e pretensos eleitores. Ultimamente temos visto muitas bandas, inclusive grandes, ficarem com um pé atrás quanto a esse assunto, por terem opiniões “polêmicas” ou por não quererem dividir seu público. Nós da SavageZ somos completamente contra qualquer tipo imposição contra a liberdade de expressão e postura ditatorial. Acreditamos que mesmo que o tema da política não seja o nosso foco, devemos mostrar a que viemos. Metal não é só bater cabeça e beber cachaça, mas também assumir uma posição. A censura ao Facada Fest III é um ótimo exemplo de que devemos ficar de olho no que acontece no meio político, não só no que nos afeta diretamente como foi o caso, mas de maneira geral.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista! O espaço final é todo de vocês!

Rodolfo Mnac: Nós que agradecemos pelo espaço que o Metal Na Lata nos deu. Esperamos que essa entrevista seja uma boa oportunidade para que mais ouvintes cheguem até nós e conheçam nosso som, e que nós, enquanto comunidade, juntemos cada vez mais um bom número de headbangers no Brasil e no mundo. Obrigado por tudo e Metal para sempre!

Felipe Morgoth: Muito obrigado pela oportunidade de poder falar um pouco sobre a SavageZ, especialmente por se tratar de um site de mídia livre. Sabemos o valor disso e quanto isso tem se tornado escasso nos tempos atuais!

Mais Informações:

Facebook: https://www.facebook.com/savagezband
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCYEH0kqE9QPpYmHL3FN-j1A
Instagram: https://www.instagram.com/savagez_band/

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