O Fleshgod Apocalypse é uma banda de Orchestral Death Metal formada na Itália em 2007, sendo um trio em estúdio e um sexteto ao vivo, ambos comandada por Francesco Paoli. Paoli que começou a banda como guitarrista e vocalista, mas que as várias mudanças de formações o transformou em baterista, para em 2017 voltar novamente como frontman na guitarra e vocais. Batemos um papo exclusivo com ele, que nos contou sobre essas mudanças de formação, além do novo álbum “Veleno”, lançado pela Nuclear Blast, e sobre os planos futuros. Confira!
Por Ricardo Karelisky
Fotos por Dave Tavanti e Nuclear Blast
Francesco Paoli: Nossas influências clássicas são mais modernas, como trilhas para filmes. Começamos como uma banda mais Death Metal, ou melhor, somos uma banda de Death Metal. Nosso som é essa mistura de Death Metal com ópera e música clássica que está na nossa cultura italiana, no nosso sangue, então incluímos isso no nosso som.
Metal Na Lata: Existem muitos compositores italianos, desde Vivaldi, Boccherini, Rossini e Verdi, ou seja, a língua italiana foi muito bem usada nas óperas. Você já pensou em cantar uma, duas ou três músicas em italiano?
Francesco Paoli: Nós pensamos em colocar o máximo possível da nossa cultura no álbum, mas nunca fizemos isso até agora, mas quem sabe como material bônus em algum álbum futuro. O máximo que fizemos foi colocar o nome do álbum em italiano (risos).
Metal Na Lata: Provavelmente vocês já responderam isso centenas de vezes, mas por que “Veleno”? (Nota: “Veneno” em português)
Francesco Paoli: É uma palavra que conecta todas as músicas do álbum a um conceito. E não é tão diferente ao português ou castelhano. É uma metáfora ao veneno do homem, a auto sabotagem e a auto destruição da humanidade. E o álbum é sobre a relação do homem e da natureza, e sempre tem esse conceito do homem que é o ator principal e que sempre envenena o mundo. A palavra pode ser usada como metáfora ou não, há vários significados para ela. E usamos em italiano pois soa bem, amamos o jeito que soa. É uma forma de homenagear a nossa cultura.
Metal Na Lata: O primeiro single lançado foi “Sugar”, o que pode me dizer sobre ele?
Francesco Paoli: É uma música sobre viciados em drogas. Tratamos a fundo esse tema que, infelizmente, é muito atual e muito presente no mundo, e tratamos de forma bem pesada. Escolhemos ela primeiro por causa disso.
Metal Na Lata: O segundo single é “Carnivorous Lamb”, conte-me sobre ela.
Francesco Paoli: Fala sobre a relação de amizade entre os homens, e de como pode ser venenosa com traições, interesses pessoais, egoísmo e desonestidade. Como disse anteriormente, o álbum trata do veneno do ser humano em tudo que está em volta. E, também, fala sobre outras formas de amor como casais e familiares com seus problemas, como em “Sugar”.
Metal Na Lata: Nós podemos ver uma evolução cada vez maior desde os primeiros álbuns, como é o processo de composição do trio? O que mudou dessa vez?
Francesco Paoli: Nada, na verdade eu e o pianista (Francesco Ferrini), sempre compomos todas as músicas até agora. O primeiro álbum eu fiz sozinho e o EP “Mafia” (2010), também. Depois disso, tivemos a colaboração dos outros e desde então nada mudou. Tudo que você ouve ou vê vem de nós três.
Metal Na Lata: Como as recentes mudanças de formação alteraram o dia-a-dia da banda?
Francesco Paoli: A primeira mudança foi meio chocante, pois éramos amigos bem próximos e de repente isso acabou. Ainda somos bem amigos, mas não temos tanto contato pois moramos em cidades diferentes. Mas, ao mesmo tempo foi muito bom, pois trouxe nova energia, novo sangue ao grupo. Nós somos uma banda de muita sorte, pois todos somos amigos, os antigos músicos são amigos dos novos e nunca tivemos brigas, grandes problemas e nem nada demais, sempre foi bem tranquilo. No começo foi complicado, mas manejamos bem isso e a banda agora é bem saudável. A relação entre todos é ótima e todos saíram ganhando.
Metal Na Lata: Quais foram seus sentimentos quando Tommaso Ricardi saiu da banda e você se viu na frente do palco novamente? Lembrando que o primeiro show nesse nova formação foi aqui no Brasil em 2017.
Francesco Paoli: Foi complicado no início, pois não foi apenas a troca de instrumento em si. Claro que trocar a bateria por guitarra e vocal é desafiador, mas isso não foi comparável ao mudar de função para frontman e ter uma relação com a plateia, ter que falar com ela, interagir, achar um link entre eu e ela. Mas, eu sou sortudo pois isso ocorreu no Brasil que é uma plateia bem receptiva, quente e que me apoiou desde o início. Mesmo que eu estivesse desacostumado e não tão a vontade como agora, a plateia só queria curtir, aproveitar o show, e foram bem legais em relação a isso. Com certeza isso não aconteceria se fosse outro país ou fora da América do Sul. Demorei alguns shows para achar minha personalidade dentro desse novo papel, mas agora estou bem confortável e feliz com isso.
Metal Na Lata: Vocês tocaram em São Paulo recentemente com o Wolfheart, o que acharam do show, da cidade e de tudo mais?
Francesco Paoli: São Paulo é uma cidade linda e não pudemos aproveitar muito, mas o show foi excelente, foi uma explosão de felicidade para todos nós, um dos melhores shows até agora. Foi uma ótima ideia começar pela América do Sul. Vocês são ótimos, sempre nos sentimos bem aí.
Metal Na Lata: Eu estive presente neste show de São Paulo e achei fantástico. No recente álbum vocês lançaram como bônus um DVD com um show em sua cidade natal?
Francesco Paoli: Foi ótimo! Foi o show mais importante da nossa carreira, pois tocar com amigos e familiares na plateia foi bem legal. Musicalmente foi bom também. Foi bem legal a Nuclear Blast incluir esse show como bônus, pois mostra o potencial dessa nova formação. Temos boas memórias disso e já estamos planejando fazer mais coisas desse tipo com o álbum novo, mas não posso contar muito por enquanto (risos), mas temos várias ideias para colocar em prática.
Metal Na Lata: Sobre o mesmo tema, vocês tem um quinteto de cordas e coro nos discos, já imaginaram em fazer um show ou uma turnê com orquestra igual muitas outras bandas como Kiss, Metallica, Therion, Epica e etc fizeram?
Francesco Paoli: Você já respondeu a questão, pois você citou grandes bandas aí, lógico que isso seria o sonho. Talvez façamos e queremos fazer, mas ao mesmo tempo temos que ser realistas, pois o custo disso é estratosférico. Talvez um show seja mais fácil! Isso vai ocorrer em algum momento na nossa carreira, mas não sei quando e nem como, só sei que com certeza esse dia chegará. Não sei se uma orquestra inteira ou só um grupo menor. Teria que ter muita gente envolvida, muito planejamento para dar certo. É bem complicado.
Metal Na Lata: Voltando ao novo álbum, no Spotify tem uma versão deluxe que contém todas as músicas de forma instrumental. Fica mais do que provado dessa forma todo o poder, precisão e como soa bem o novo trabalho. Quem teve essa linda ideia?
Francesco Paoli: Pensamos que era uma ótima ideia fazer um karaokê para nossos fãs (risos). Falando sério, achamos que a música era ótima, soava bem e queríamos dar ao público a oportunidade de ouvir isso também, toda essa precisão e os detalhes, o lado poético do som. Então, como extra foi bem legal. A Nuclear Blast fez um ótimo trabalho com os materiais extras, como o DVD que comentamos, o álbum todo instrumental e as faixas extras.
Metal Na Lata: Sobre essas faixas extras, temos a versão de “Reise, Reise” do Rammstein e uma regravação do “The Forsaking”, por que essas duas?
Francesco Paoli: Bom, sempre tocamos “Reise, Reise” ao vivo. Somos grande fãs deles e lembrávamos de quando pegávamos o carro para ir aos shows mais longe com Rammstein tocando! Era um grande aditivo para gente. Adoramos eles ao vivo e foi bem legal gravá-la, ela é bem épica. Sobre “The Forsaking”, queríamos outra versão, uma mais atmosférica, com outra pegada, com cordas, com mais profundidade, mais experimental e todo mundo perguntou-se “por que não?” E no fim, todos ficamos felizes com ela.
Metal Na Lata: Hoje em dia, com internet e tudo mais, nós podemos ter na palma da mão todo um mundo de opções, isso ajudou ou atrapalhou a banda?
Francesco Paoli: Eu acredito que tenha ajudado, pois vendemos muitas coisas pela internet, várias cópias digitais. Sempre temos muita exposição e promoção, e somos gratos a isso. Lógico que muitos mecanismos mudaram ao longo dos anos, mas estou confiante que sites e aplicativos como Spotify e Apple Music trabalham juntos com as gravadoras e fazem tudo funcionar bem. Acredito que a indústria musical está mudando e estamos todos fortes e será positivo para nós. Os novos artistas terão mais possibilidades e facilidades para trazerem materiais novos e é mais democrático, já que o próprio público escolhe o que quer consumir.
Metal Na Lata: Para finalizar, após o lançamento de “Veleno”, quais são os próximos passos da banda e como está a agenda de vocês até agora?
Francesco Paoli: Agora temos alguns dias de folga e partiremos para os festivais de verão pela Europa, em seguida vamos para uma turnê mundial pela Asia, Austrália e China até o fim do ano,. Na sequência voltamos para a Europa, depois ano que vem iremos para a América do Norte, tudo isso para mostrar um novo show com as músicas novas. Queremos logicamente voltar para a América do Sul, só não sei quando, mas queremos. Temos muitas ideias, muitas opções e enquanto não estamos na estrada estamos compondo, melhorando o que já temos.
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