
ENTREVISTA COM FREDERIK “FREDDY” SCHNOOR (FREDDY AND THE PHANTOMS)
A banda Dinamarquesa de rock clássico Freddy And The Phantoms está lançando seu quinto disco, “A Universe From Nothing”, e o vocalista Freddy Schnoor bateu um papo exclusivo com o Metal Na Lata sobre a temática do novo trabalho, a inspiração por trás de algumas de suas músicas e também sobre a cena dinamarquesa ao longo da história. Leia mais abaixo!
Por Gustavo Maiato
Fotos: Divulgação

Metal Na Lata: Na página oficial da banda no Facebook, você diz que o novo álbum, “A Universe From Nothing”, é o seu lançamento mais pesado e descompromissado até agora. O que mudou na banda durante o processo de composição desse álbum em comparação com os anteriores?
Freddy: A banda é inspirada pelo blues desde o começo, mas desta vez todos queríamos mergulhar no lado mais hard rock de nossas raízes; quando comecei a tocar guitarra, Black Sabbath e Led Zeppelin foram as primeiras bandas que aprendi a tocar. Finalmente chegou a hora de fazer algo nesse estilo, e também foi bom gravar um disco sem pensar em singles de rádio ou qualquer outro fator comercial em momento algum.
Metal Na Lata: A música “River of Hate” foi a primeira a chegar a todas as plataformas de streaming e eu posso sentir uma grande influência das bandas do início dos anos 70, como Deep Purple e Black Sabbath nela. O tecladista Anders Haahr fez um ótimo trabalho com o tradicional rock organ. Você pode nos dizer como foi escrever essa música e qual o papel do teclado na banda?
Freddy: Essa música começou como um pop que eu inventei e os outros caras da banda acharam que tinha ficado muito moderno e talvez um pouco melódico demais. Então fizemos outra tentativa e começamos a tocar a música como se fosse um clássico do Deep Purple, como “Highway Star”. De repente tudo funcionou e a agressividade certa estava lá instantaneamente. O órgão Hammond é essencial na nossa banda, e o Anders sempre contribui com algo diferente ao nosso som. Ele é um músico formado em conservatório, então tem uma perspectiva totalmente diferente em muitas coisas!
Metal Na Lata: O novo disco traz letras que lidam com temas diferentes e atuais, como ciência versus religião, livre arbítrio e feminismo. Quais são as mensagens que a banda pretende trazer com o disco?
Freddy: Acho que estamos tentando dizer que seja lá qual for a verdade em que você apoie, todos estão evoluindo o tempo todo e vivendo em constante fluxo. Por exemplo, quando físicos explicam como o universo surgiu do nada – sendo que eles não têm respostas concretas e, finalmente, admitem que tudo pode ter sido obra de Deus ou de algum tipo de criador –, como saber ao certo como as coisas surgiram? Outro exemplo é visto em relação ao paradigma do feminismo – pode-se chegar ao ponto de as mulheres estarem no controle e se tornarem o mesmo tipo de força opressora que elas começaram a lutar contra.

Metal Na Lata: “A Universe From Nothing” foi gravado no lendário Medley Studios. Você pode nos dizer como foi gravar no mesmo local que Glenn Hughes e Radiohead gravaram?
Freddy: O Medley é um ótimo lugar e toda a atmosfera definitivamente dá algo extra à “sensação” de quando você está gravando. Nosso bom amigo Søren Andersen dirige o lugar hoje em dia e ele tem esses maravilhosos amplificadores e microfones que captaram com fidelidade o nosso som ao vivo.
Metal Na Lata: A Dinamarca tem uma grande história no cenário do rock e do metal com bandas como Mercyful Fate, Anubis Gate, King Diamond, Pretty Maids e Volbeat. Como você vê a contribuição dinamarquesa ao rock e ao metal ao longo dos anos e o que a nova geração de bandas dinamarquesas na qual o Freddy And The Phantoms se inclui tem a acrescentar?
Freddy: Eu acho que a contribuição dinamarquesa para o hard rock e, especialmente, para o thrash metal tem sido bastante significativa historicamente quando pensamos em Mercyful Fate e Metallica. Atualmente, acho que temos um punhado de novos nomes, inclusive nós mesmos, tentando fazer algo novo com uma receita antiga. Na verdade, a mesma receita e inspiração que as bandas que iniciaram os movimentos do metal nos anos 80 tiveram. Assim como esses caras, nós amamos o Sabbath, o Purple e o Thin Lizzy – mas sabemos olhar para isso com uma perspectiva de 40 anos no futuro. Eu acho isso interessante, e bandas como Rival Sons, Graveyard e Mastodon fizeram o mesmo com muita criatividade e obtiveram muito sucesso. O que eu realmente não gosto é quando as bandas da Dinamarca tentam fazer uma cópia do som do “Black Album” ou do “Appetite for Destruction”. Isso é chato e sem sentido na minha visão e, para ser sincero, ainda há muitos tentando fazer isso… Respeito muito o que o Volbeat fez, mas eles nunca ressoaram em mim ou me deram qualquer satisfação musical real. Eles são extremamente bons naquilo que fazem, mas, aos meus ouvidos, soa fabricado.
Metal Na Lata: A faixa “Andromeda” é complementada por uma bela instrumental chamada “Andromeda, pt. 2.” Qual foi a inspiração para escrever esta peça tão diferente do resto do disco?
Freddy: A inspiração para esta peça neoclássica, que é uma ideia de Anders é a velha música barroca de Johann Sebastian Bach, além de um flerte com Jon Lord e os elementos clássicos do Deep Purple. A ideia era realmente juntar peças de música que pareciam ter sido feitas há anos. Algo do futuro e algo de tempos quase medievais.
Metal Na Lata: Bandas como Freddy And The Phantoms, Rival Sons e Greta Van Fleet estão de alguma forma prestando homenagem a um gênero criado há 50 anos. Por que você acha que esse estilo de rock ainda é popular? Qual é o segredo para manter a chama viva?
Freddy: O mais importante é parecer natural e nunca forçado. Se esse tipo de música ressoa em você e você é capaz de tocá-la então é isso que você deve fazer. Fica completamente legítimo e relevante. Quando as pessoas abusam de firulas e imitações, a coisa perde a razão para mim.
Metal Na Lata: A banda lançou cinco discos até agora. Olhando para trás, o que você tem a dizer sobre as conquistas e eventuais erros cometidos? Algum arrependimento? Quais lições você aprendeu e quais são os planos para o futuro?
Freddy: Grandes perguntas. Me pergunte novamente daqui a dez anos. Acho que estamos em um bom lugar agora, tendo feito nosso álbum mais forte até o momento. Viver neste mundo agora é bastante incerto, então vamos torcer para que todos possamos voltar a tocar ao vivo em breve.
Metal Na Lata: Se você pudesse escolher alguém para participar de uma nova música do Freddy And The Phantoms, quem seria e por quê?
Freddy: Eu sou um nerd em história do rock, então eu convidaria o Neil Young para fazer uma pequena jam conosco!
Metal Na Lata: Beleza! Para encerrar, mande o seu recado para os leitores do Metal Na Lata!
Freddy: Esperamos ver vocês quando estivermos em turnê pela América do Sul em algum momento no futuro! Até lá, se cuidem!
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