Entrevista com Mark Knight (Bang Tango)

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ENTREVISTA COM MARK KNIGHT (BANG TANGO) 

Quando até o fã mais dedicado já havia perdido as esperanças, eis que o Bang Tango anunciou através das redes sociais a reunião da formação original, responsável pelos melhores e mais inesquecíveis trabalhos, para shows pontuais a serem realizados no decorrer de 2020. Logo após o primeiro deles, ocorrido no lendário Whisky a Go Go, em Los Angeles, o guitarrista Mark Knight falou conosco sobre essa volta, fez um breve retrospecto da carreira e comentou sobre possibilidades para o futuro. Ah, falamos sobre futebol americano também! Boa leitura!

Por Marcelo Vieira
Fotos: Divulgação

Metal Na Lata: Em julho de 2019, você atribuiu ao “ego inflado” do vocalista Joe Leste o motivo pelo qual a reunião da formação original do Bang Tango nunca acontecia. Em outubro de 2019, você anunciou que os membros da formação original da banda participariam do próximo álbum do seu Mark Knight & the Unsung Heroes. O que aconteceu nesse espaço de três meses?

Mark Knight: Meu anúncio sobre todos os membros originais do Bang Tango participando do novo [álbum do] Mark Knight & the Unsung Heroes não incluía Joe Leste. Eu canto na minha banda, da qual [o guitarrista] Kyle Stevens já fazia parte. Eu precisava de um baixista, então liguei para Kyle Kyle e ele se ofereceu para tocar em algumas faixas, e considerando que [o baterista] Tigg Kettler é uma parte tão importante da história da banda, eu escolhi uma música que pensei que serviria para ele tocar, e ele ficou feliz em fazer isso.

Metal Na Lata: Após anos de tentativas frustradas, a formação original do Bang Tango finalmente se reunirá para shows selecionados em 2020. Joe afirmou: “Nós cinco tínhamos e ainda temos um vínculo musical e pessoal que simplesmente não dá para negar. Uma hora depois de entrarmos no estúdio para ensaiar, ficou claro que precisávamos fazer isso e fazer pelas razões certas.” A quais “razões certas” você acha que ele se referiu?

Mark Knight: Essa é uma pergunta que somente Joe poderia responder. O que posso dizer é que “razões certas” para mim é tocar as músicas com os caras que criaram as músicas.

Metal Na Lata: O anúncio da reunião gerou um burburinho na cena. Tendo em vista que o Bulletboys e outras bandas também anunciaram recentemente a reunião de suas formações originais, você vê isso como uma tendência para as bandas de hard rock do final dos anos 1980 / início dos anos 1990? Na sua opinião, festivais como o M3 e eventos como o Monsters of Rock Cruise influenciam isso?

Mark Knight: Bem, eu não tenho certeza se é uma tendência, mas realmente algumas bandas anunciaram reunião em 2020. Eu diria que o M3 e o MORC não influenciam essas reuniões, mas oferecem uma ótima oportunidade de expor as bandas para uma grande quantidade de pessoas.

Metal Na Lata: Então por que vocês cancelaram a sua apresentação no Monsters of Rock Cruise?

Mark Knight: Acabamos de nos reunir e sentimos que era um pouco cedo para fazer o show. O Bang Tango havia sido escalado antes da formação original se reunir.

Metal Na Lata: O primeiro show da formação original reunida ocorreu no lendário Whisky. Como você descreve a sensação geral de subir ao palco com os caras? Você sentiu algum tipo de mágica no ar ou algo assim? A química entre vocês permanece a mesma depois de todos esses anos?

Mark Knight: Quando subimos ao palco no Whisky, tudo fez sentido. A química é real, nós cinco temos coisas que se encaixam. Fizemos incontáveis shows em todo o mundo e, mesmo depois de muitos anos sem tocar juntos, as coisas não mudaram, todo mundo sabia o que fazer. Além disso, trabalhamos muito para que tudo soasse como deveria.

Metal Na Lata: O setlist consistiu de oito faixas do álbum de estreia “Psycho Café” (1989), quatro de “Dancin’ On Coals” (1991) e uma de “Love After Death” (1994). Foi difícil escolher o que tocar? Além dos singles, quais músicas permanecem como as favoritas dos fãs e da banda para tocar ao vivo?

Mark Knight: Nós pensamos “que músicas um fã do Bang Tango que não vê os membros originais tocarem há anos gostariam de ouvir?”. Não foi tão difícil. Algumas músicas para as quais fizemos videoclipes poderiam ter sido adicionadas ao setlist, mas sempre há outras oportunidades para isso. Nós queríamos tocar mais músicas do “Love After Death”, mas sentimos que o primeiro show deveria se ater às músicas que as pessoas realmente conhecem. A reação a “Wrap My Wings”, “Love Injection”, “Someone Like You” e “Attack of Life” foi ótima.

Metal Na Lata: Alguns jornalistas — e até mesmo alguns fãs — colocam o Bang Tango no balaio das hair bands. Para mim, isso é quase um crime. É óbvio para mim que vocês tiveram influências musicais diversas, em oposição a muitos dos seus pares de Los Angeles no final dos anos 1980. Quais seriam essas influências?

Mark Knight: Todos nós trouxemos influências diferentes para a banda, o que torna o nosso som bastante único. Do classic rock ao funk, blues, metal; tudo está lá.

Metal Na Lata: E quais são suas influências pessoais?

Mark Knight: Sou um cara mais do classic rock, sempre em busca de boa música. Para mim, a música vem antes do estilo.

Metal Na Lata: Apesar de soar muito diferente do que as bandas de hard rock estavam lançando naquela época, “Psycho Café” teve dois clipes na programação da MTV. Como foi ver sua música na TV e no rádio e as coisas começando a acontecer?

Mark Knight: Foi realmente mágico e nós meio que não queríamos pensar demais e continuamos trabalhando duro. Estávamos todos super empolgados e foi um momento surreal em nossas vidas, tipo “isso está realmente acontecendo?”.

Metal Na Lata: Nenhum outro guitarrista — inclusive eu — parece saber como tocar a icônica introdução de “Someone Like You” corretamente. Você concorda?

Mark Knight: [risos] Bem, devo dizer que vi muitos guitarristas tentarem, mas nenhum realmente acertou em cheio. É confuso para mim o fato de que ninguém consegue, pois são apenas notas. Engraçado que quando tocamos no Whisky eu pensei que era melhor eu acertar isso ou as pessoas diriam por aí que mesmo o cara que compôs não consegue tocar!

Metal Na Lata: Embora haja algumas levadas mais funkeadas aqui e ali em “Psycho Café”, vocês realmente levaram o fator funk para outro patamar no álbum seguinte. Você vê “Dancin’ on Coals” como um precursor do que, por exemplo, o Faster Pussycat fez em “Whipped!” (1992) e outras bandas de hard rock da época fizeram para se afastar desse gênero?

Mark Knight: Interessante essa sua pergunta! No “Dancin’ on Coals” nós tivemos um orçamento maior para trabalhar e quisemos trazer músicos de fora, como uma seção de cordas e um coral. Também trocamos de produtor. E é engraçado você ter mencionado o Faster Pussycat, porque usamos o mesmo produtor deles, John Jansen.

Metal Na Lata: Na sequência, vocês lançaram o ao vivo “Ain’t No Jive…Live!”. Por que lançar um EP em vez de um CD?

Mark Knight: A ideia inicial da gravadora era fazer um videoclipe para “Midnight Struck” do “Dancin’ on Coals”, mas acabou optando por fazer outro EP ao vivo na esperança de gerar o interesse que o nosso primeiro EP ao vivo [“Live Injection” (1989)] havia gerado. Estávamos perdendo o timing com “Dancin’” e depois de muito brainstorming foi essa a saída que eles encontraram.

Metal Na Lata: A formação original do Bang Tango guardou o mais pesado para a saideira. Em “Love After Death” vocês adotaram um som muito mais pesado e até abandonaram a abordagem mais funkeada dos discos anteriores. Como você descreveria a música que se ouve em “Love After Death” em relação ao clima geral dentro da banda?

Mark Knight:  Queríamos voltar a um som mais cru e ousado e retomamos a parceria com o produtor Howard Benson, que fez nosso primeiro disco. Adoramos o resultado e o consideramos um dos nossos melhores trabalhos. Ao contrário do que possa parecer, [“Love After Death”] de modo algum significa que a banda estava se separando. Perdemos nosso contrato com a gravadora depois que terminamos de gravá-lo, e foi de partir o coração.

Metal Na Lata: O que você acha da música que Joe fez sob a alcunha de Bang Tango no tempo que você esteve fora? E o que você acha das versões regravadas dos clássicos do Bang Tango que aparecem nessas compilações do tipo flashback?

Mark Knight: Eu nunca ouvi nenhum desses discos, então não posso responder! Não sou fã das regravações!

Metal Na Lata: Talvez seja muito cedo para fazer planos, mas os fãs obviamente gostariam de saber se vocês gravarão músicas novas. Vocês já conversaram sobre isso?

Mark Knight: No momento, não há planos de escrever músicas novas. O novo álbum do Mark Knight & the Unsung Heroes é minha prioridade. Ele terá 14 músicas, todas inéditas, e está ficando incrível.

Metal Na Lata: Antes de encerrarmos, já que ambos somos torcedores dos Raiders, eu gostaria de falar sobre futebol americano. Nosso time está de mudança para Las Vegas. Você acha que isso será positivo? O que falta, na sua opinião, para que os Raiders voltem a ser competitivos?

Mark Knight: Amo os Raiders! Sim, acho que a mudança lhes dará uma nova vida. O time está melhorando aos poucos graças a essa molecada nova, então eu sinto que eles só precisam de amadurecimento! [Derek] Carr precisa ser um pouco mais casca-grossa. Ele parece ter medo de se machucar. O frisson de se mudar para Las Vegas, e com isso o novo estádio, fará com que mais olhos se voltem para o time na temporada que vem. Assim, espero que os Raiders correspondam. Espero e torço por isso.

Metal Na Lata: Muito obrigado pelo seu tempo, Mark! Agora, pra terminar, que tal deixar uma mensagem para os seus fãs no Brasil e os leitores do Metal Na Lata?

Mark Knight: Obrigado pelas perguntas, foi um prazer respondê-las! Fiquem ligados que haverá muitas novidades do Mark Knight & the Unsung Heroes em 2020. Também fiquem ligados na agenda do Bang Tango! Felicidades a todos!

Mais informações:

www.markknightandtheunsungheroes.com
www.bangtango.net

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