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Entrevista com Rodrigo Marenna (MARENNA)


O Marenna surgiu em 2014 como um projeto do vocalista e compositor Rodrigo Marenna. Rapidamente, tudo começou a tomar forma e a banda lançou em 2015 seu primeiro trabalho, o EP “My Unconditional Faith”, que já mostrava um hard Rock AOR de bom gosto e categoria. Mas em 2016, o grupo acabou colocando no mercado um dos melhores lançamentos do ano, não apenas do estilo! Com um pouco mais de peso, mas dosando peso e melodia como poucos, “No Regrets” traz faixas que deveriam tocar em todas a s rádios que se dizem rock neste país! Escute as melodias de “Can’t  Let You Go”, “Never Surrender”, “The Price” e “Fall In Love Again” e você entenderá o que estou dizendo… Batemos um papo com Rodrigo para falar de sua carreira, seus trabalhos e planos para o futuro. Confira agora no METAL NA LATA!

Por Sergiomar Menezes

Metal Na Lata: Rodrigo, primeiramente, gostaria de agradecer sua disponibilidade em conceder essa entrevista para o Metal na Lata e, também, te parabenizar pelo excelente trabalho em “No Regrets”, lançado no ano passado. Um trabalho que nos mostra além de músicos de excepcional talento que são, o Brasil não fica nada a dever para muito do que vem lá de fora! E já começando, como surgiu a ideia de montar uma banda que leva o seu nome?

Rodrigo Marenna: Muito grato por participar desta entrevista e por todo o apoio de vocês da imprensa especializada. Bom, há muito tempo venho com esta ideia de ter algo 100% meu, com a minha visão artística bem como, visão de negócio, então resolvi dar vida a este projeto após 2 anos de muita pesquisa sonora e de mercado, porém, pensei em fazer de uma forma diferente, com as contribuições de músicos locais afim de difundir o nome destes pelo mundo e de certa forma interagir com o público destes músicos, assim surgiu o Marenna, com um núcleo baseado em eu e mais os meus dois produtores, e colaboradores, Jonas Godoy e Arthur Appel.

Metal Na Lata: Falando de influências, que bandas ou artistas te influenciaram?  E você acha importante um músico não ter limites em sua maneira de compor? Te pergunto isso tendo em vista que muitos artistas se limitam ao estilo que tocam, criando assim uma barreira criativa em sua linha de composição.

Rodrigo Marenna: Bom, falando em influências, eu curto muita coisa diferente, mas respondendo a sua pergunta, minhas maiores influencias com certeza são Ian Gillan, Glenn Hughes e David Coverdale, fora estes, muita coisa acaba entrando no meu jeito de compor, tenho uma tendência mais melódica, e componho além de Hard Rock, outras coisas na vertente mais pop e na vertente mais pesada, tudo vai do contexto e do momento, importante você deixar fluir e estar sempre atento as novidades, abrir a mente e tentar captar o que há de melhor em cada cenário.

Metal Na Lata: Em 2015, você lançou o EP “My Unconditional Faith” que continha quatro faixas. Lembro que, na época tive a oportunidade de ouvir e resenhar para o site Road To Metal e ali já tínhamos uma pequena mostra do que estava por vir. Como se deu a gravação deste trabalho?

Rodrigo Marenna: Eu tinha uma música e vários rascunhos. Apostei tudo nesta música, “You Need To Believe”, e foi ai que tudo começou. Em seguida houve um grande interesse pelo trabalho e percebi realmente que tinha atingido meu público e que todo o trabalho de pesquisa que tinha feito não tinha sido em vão. Mesmo sem muitas perspectivas, o resultado foi muito legal, então comecei a perceber que poderia lançar singles e comecei a entender que a cada lançamento atingíamos mais pessoas, só então veio a ideia de lançar um EP para registrar fisicamente o que estávamos fazendo, de novo, sem muita pretensão. Foi ai que apareceu a gravadora, assinamos, e lançamos o EP com duas faixas bônus na Europa e no Japão. A gravação foi desta forma, fizemos o núcleo do trabalho (eu, Jonas e Arthur ) e convidei músicos parceiros para gravar bateria e solos de guitarra.

Metal Na Lata: Obviamente que ser um músico independente traz inúmeras dificuldades. Afora todo o trabalho que envolveu a gravação deste registro, como foi a recepção do EP tanto aqui no Brasil como lá fora?

Rodrigo Marenna: Com certeza! Nunca foi fácil para a música independente como um todo, ainda mais em um país em que as pessoas não entendem o que você quer dizer na sua maioria (não generalizando), não se importam com a profundidade dos temas ou não entendem a sua preocupação com todos os detalhes, timbres e cores das músicas, porém, eu me foco no público que realmente consome e entende meu som. Pelo menos eu tento! Então, a recepção de um modo geral foi muito bacana, obtivemos ótimas resenhas, consolidamos muitas parcerias e conquistamos uma certa credibilidade com o mercado, mas é só um começo, temos muito trabalho pela frente, sempre podemos fazer mais e melhor.

Metal Na Lata: No mesmo ano você participou da seleção para tocar em um dos maiores festivais do mundo, o Sweden Rock Fest. Como se deu a chance de participar e qual foi sua reação ao ficar entre os dez melhores na etapa semifinal?

Rodrigo Marenna: Exatamente! Tínhamos uma música e, de repente, havíamos sido escolhidos dentre mais de 3 mil inscritos do mundo inteiro pelo júri técnico do festival. Foi surreal! E ter passado para a final foi mais incrível ainda! Valeu a experiência, porém, o que falta ainda é realmente as pessoas comprarem a ideia de que tendo um representante brasileiro da música independente neste festival, pode acarretar uma quebra de tabu enorme, porque somente o Sepultura havia tocado lá. Pensem na gama de portas e na potencialização do nosso mercado independente tendo um representante por lá! É para refletir e deixar um pouco o ego de lado, e realmente acreditar, se envolver, chamar todas as pessoas possíveis para votar. Neste ano ficamos na semifinal novamente e senti que realmente faltou envolvimento das pessoas como aconteceu com bandas da Suécia e EUA que obtiveram em média 9 mil votos. É preciso apoiar de verdade seja quem for o artista selecionado, fica a dica.

Metal Na Lata: “No Regrets”, lançado no ano passado, mostra uma evolução sensível entre ele o EP de 2015. Isso aconteceu de forma natural, ou você já vinha pensando em colocar em prática essa linha mais “pesada” e melódica?

Rodrigo Marenna: “No Regrets” foi escrito para ser justamente um novo capítulo mais audacioso da carreira Mesclei tudo que eu gosto dentro deste disco. Peso, melodia, a profundidade das letras e, principalmente, a possibilidade de trabalhar com elementos diferentes que pudessem enriquecer a obra, sem sair do estilo mas abranger outras coisas. Ir além de um simples riff repetitivo de rock, ou seja, um disco para adultos. Tudo isso acabou vindo de forma natural no processo de composição e pré-produção.

Metal Na Lata: Mesmo sendo um álbum bastante homogêneo, algumas faixas acabaram se destacando. Num primeiro momento, “Can’t Let You Go” se mostra de fácil assimilação e possui melodias viciantes.

Rodrigo Marenna: Nesta faixa o destaque realmente são os vocais melódicos, guitarras pesadas, mas o que realmente chama a atenção é o sintetizador que em conjunto com a linha de baixo dão o tom da pegada da música.

Metal Na Lata: “The Price” é uma faixa que mostra uma dose maior de peso, mas que apresenta vocais mais melódicos e por vezes rasgados, mais próximos do hard americano. Partindo dessa linha, percebemos que o AOR é muito presente em sua maneira de compor. Como conciliar a parte mais “pesada” do hard e a linha mais melódica do AOR sem que isso acabe soando confuso?

Rodrigo Marenna: Na verdade, tudo é uma questão de dosagem. Você precisa se colocar do outro lado as vezes e tentar entender se realmente a mensagem está sendo passada. Acredito que não inventei a roda mas, apenas, me arrisco a dizer que corri muitos riscos neste disco por não ir em uma única direção e isso faz parte da minha personalidade. Não acredito em conceitos prontos, gosto de apostar sempre na maioria das vezes. Essa música eu apostei em ‘grooves’ característicos de algumas bandas dos anos 80/90 e recriei a minha atmosfera toda em cima destas batidas e de um riff simples, trabalhando ai como base a batida e a melodia vocal. Quanto a soar confuso, ai vai depender de quem ouvir e sacar que os elementos muitas vezes se cruzam, mas o grande lance é deixar rolar a sua verdade no som.

Metal Na Lata: Outra faixa que merece destaque é “ Fall in Love Again”, que foi produzida em parceria com os irmãos Andria e Ivan Busic (ex-Dr. Sin). Como se deu o contato entre vocês e como foi trabalhar com dois músicos experientes e de grande qualidade técnica?

Rodrigo Marenna: Foi muito legal! Na verdade, o contato foi profissional mesmo. Através de um anuncio do novo estúdio deles, entramos em negociação e tudo fluiu muito bem desde a pré-produção até a finalização. Souberam dar exatamente o tempero que eu buscava para o som, e o resto nem precisa falar! Gravar com caras que são referências do estilo, fora o profissionalismo incontestável deles, é outro papo, inclusive na versão importada do CD, que saiu este mês na Europa e no Japão, contempla a versão demo essa música como faixa extra.

Metal Na Lata: “About Love” e “Forever” possuem guitarras bem arranjadas, enquanto a balada “ So Different” mostra um lado mais melódico e harmônico. Você acha importante essa variação entre as faixas visando um maior dinamismo ao trabalho?

Rodrigo Marenna: Com certeza! Acho que todas as músicas são diferentes e similares ao mesmo tempo, pois todas tem praticamente os mesmos elementos, porém esboçados de formas diferentes. A essência vai estar lá se você for a fundo. Acho que você ganha mais amplitude no trabalho, quando aposta em elementos diferentes, pois pode trabalhar singles em diferentes ocasiões por exemplo, ampliar sua linha de atuação e justamente por trabalhar com colaborações. Acredito que o trabalho acaba ganhando cores diferentes.

Metal Na Lata: E os planos para esse ano, Rodrigo?

Rodrigo Marenna: Trabalhar muito a divulgação da marca, consolidar parcerias, fazer alguns shows e preparar um novo trabalho.

Metal Na Lata: Deixo aqui o espaço para suas considerações finais, novamente agradecer sua disponibilidade em atender o Metal na Lata E, de antemão, já deixar claro para você que estamos sempre disponíveis para divulgar seu excelente trabalho! Abraço!

Rodrigo Marenna: Imagina! Eu que agradeço o carinho com o meu trabalho e todo o apoio recebido. Acredito que demos um novo passo e, com certeza, o caminho será esse. Muitas parcerias e muito trabalho. Meu agradecimento à todos que estão apoiando o projeto e fazendo ele crescer a cada dia. Um abraço a todos!

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