Entrevista com Simen Sandnes (Evergrey)
Integrando uma das mais respeitadas bandas do metal progressivo europeu, o baterista Simen Sandnes faz parte do Evergrey, conhecido por sua sonoridade densa, emocional e tecnicamente refinada. Com uma base de fãs fiel ao redor do mundo — especialmente no Brasil — e prestes a lançar seu novo álbum Architects of a New Wave, a banda retorna ao país para duas apresentações, incluindo no Bangers Open Air. Confira nosso bate-papo com o baterista.
Entrevista por Henrique Haag
Edição por Johnny Z.
Crédito: Fotos por Patric Ullaeus
Você entrou na banda em 2024, assumindo a bateria após a saída de Jonas Ekdahl. Como foi esse primeiro contato com a banda e os ensaios iniciais?
Simen Sandnes: Bom, para começar, eu senti que desde o início, nos primeiros ensaios, foi tudo muito natural, encaixou imediatamente e todo mundo percebeu que havia uma boa conexão.
O seu estilo de tocar tem diferenças marcantes em relação ao do Jonas. Você pode explicar melhor essas diferenças e como isso impactou o som da banda?
Simen Sandnes: A única coisa que tivemos que nos acostumar um pouco foi que eu tenho uma pegada bem diferente da do Jonas: eu tenho uma forma de tocar mais “pra frente”, mais agressiva, tocando bem adiantado em relação ao tempo — isso é natural para mim. Na linguagem musical, você pode tocar mais “empurrando”, mais “para trás” ou exatamente no tempo; eu toco de forma mais “pra frente”, enquanto o Jonas era o oposto, mais “laid back”, mais relaxado. Então isso exigiu um pouco de adaptação da banda, porque a energia muda completamente — é mais sobre a sensação do que sobre certo ou errado, já que ambos são ótimos à sua maneira.
E como foi o processo de adaptação coletiva dentro da banda até chegar no entrosamento atual?
Simen Sandnes: Mas assim que todos entraram nessa mentalidade, e eu e o Johan (Niemann, baixista) começamos a nos entrosar mais, tudo ficou muito fácil; começamos a tocar juntos e foi tipo: “isso é fantástico”. Teve um pouco de ajuste, mas como eu venho de um background mais progressivo — com Shining e Temic — há muito mais improvisação.
Falando em improvisação, isso parece ser uma característica forte do seu estilo. Como isso se manifestou no Evergrey e quais desafios trouxe?
Simen Sandnes: Todos os meus fills de bateria são improvisados, e muitas coisas que fiz no novo álbum do Temic, por exemplo, são 100% improvisadas; eu nem conseguiria replicar ao vivo, porque faria algo diferente. Então estou acostumado a esse tipo de liberdade, e isso também exigiu adaptação, tanto minha quanto da banda, porque no começo eu nunca repetia o mesmo fill duas vezes. Eles estavam acostumados com o Jonas, que fazia sempre o mesmo fill no mesmo momento da música, enquanto eu não sou assim — se hoje eu sinto vontade de fazer algo diferente, eu faço.
Como vocês encontraram esse equilíbrio entre improvisação e consistência nas músicas ao vivo?
Simen Sandnes: Então tivemos que encontrar um equilíbrio: o quanto posso improvisar, o que precisa ser igual todo dia e o que pode variar. Levou um tempinho, mas encontrei meu jeito de trabalhar dentro desses limites e hoje eu diria que está perfeito, especialmente com as músicas novas, porque eles já estão acostumados com minha forma de tocar.
E como tem sido a resposta dos fãs desde a sua entrada na banda?
Simen Sandnes: Sobre os fãs, sinto que eles têm sido muito, muito receptivos comigo. Honestamente, quase não vi comentários negativos sobre mim no Evergrey. Este será um ano muito especial para a banda, com vários shows importantes e festivais.
Como está sendo viver essa rotina intensa logo no início da sua trajetória com o Evergrey?
Simen Sandnes: Fantástico, tem sido incrível. A gente viaja muito, vê bandas boas, toca em festivais incríveis — coisas que você só vive estando em uma banda bem-sucedida. Em 2024 fizemos cerca de 80 ou 90 shows pela América do Sul, Escandinávia, festivais de verão, além de 46 shows em 52 dias na Europa, então foi bem intenso.
E como está a agenda para este ano? O ritmo continua puxado?
Simen Sandnes: No ano passado foi um pouco mais tranquilo, mas agora temos Bangers Open Air, Austrália, festivais de verão, mais shows em julho e depois Estados Unidos. Ou seja, é mais um ano corrido — mas é exatamente o que eu quero fazer, então para mim é uma bênção.
Você comentou sobre focar totalmente na bateria. Esse momento representa uma virada na sua carreira?
Simen Sandnes: Finalmente consegui focar apenas em tocar bateria, que sempre foi meu objetivo. E tem uma história interessante: no Natal de 2023, minha irmã me perguntou sobre resoluções de ano novo, e eu disse que não era exatamente uma resolução, mas que em 2024 eu diria “não” para todos os outros trabalhos, como produção de vídeo e eventos corporativos, para focar apenas na bateria.
E foi aí que surgiu o convite para o Evergrey, certo?
Simen Sandnes: Duas semanas depois, no dia 5 de janeiro, o Tom Englund me chamou para fazer teste no Evergrey. Ou seja, parece que eu manifestei isso — foi exatamente o que eu queria, e aconteceu.
Sobre os shows no Brasil no Bangers Open Air: o que os fãs podem esperar dos setlists, especialmente entre o festival e o side show?
Simen Sandnes: Bom, não sei o quanto posso revelar, mas serão setlists diferentes, com mais material novo, e no show no Manifesto teremos um show mais longo, então será algo bem especial.
Isso significa que quem for nos dois shows terá experiências distintas?
Simen Sandnes: Sim, e espero ver todo mundo nos dois shows.
Muito obrigado pela entrevista! Você pode deixar uma mensagem para os fãs brasileiros?
Simen Sandnes: Brasil, aqui é o Simon do Evergrey. Estamos voltando para fazer um show no Manifesto Bar no dia 22 de abril e no Bangers Open Air no dia 25 de abril. Estamos muito ansiosos para voltar ao que, para mim, é o melhor público e um dos melhores países do mundo para tocar. Espero ver vocês lá, me provem que estou certo e mostrem por que vocês são os melhores. Nos vemos lá!
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