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Entrevista com Victor Cutrale (Antrvm)

Entrevista com Victor Cutrale (Antrvm)

Em meio ao cenário cada vez mais turbulento do metal nacional, surge a ANTRVM — banda paulista criada em 2020 por Victor Cutrale (ex-Furia Inc) e Victor Henrique —, que desde o início tem desafiado limites ao costurar com brutalidade e imaginação um som que transita entre Groove, Thrash, Death Metal e Metalcore, sempre permeado por influências do cinema de horror.

Com o primeiro EP, Defiler (2023), a ANTRVM expôs um viés sombrio, individualista e inquieto. Agora, em Social Death, o olhar se amplia para o coletivo: escancara-se a barbárie social, a hipocrisia mascarada, as distorções institucionais e as ideologias que corroem as bases humanas.

A nova formação — que conta ainda com Daniel Gava (guitarra), Bruno Nicolozzi (baixo) e Kevin Bosio (bateria) — imprime uma sonoridade mais grave e agressiva, marcada por linhas modernas de bateria e uma urgência que reflete o caos do mundo lá fora.

Nesta entrevista, Victor Cutrale nos conduz pelos bastidores de Social Death, explica os conceitos e metáforas por trás de algumas faixas, comenta sobre a trilogia de EPs que a ANTRVM está construindo e compartilha suas visões sobre evolução artística, identidade sonora e o papel crítico que a música pesada pode (e deve) exercer na atualidade. Confira!

Entrevista por Cristiano Ruiz
Fotos por Leonardo Benaci (@leobenecifoto) e Matheus ‘Mu’ Silva (ao vivo)

Metal Na Lata: Assim que coloquei “Social Death” para tocar, me deparei com a diferente e surpreendente faixa “Meat Dumplings”. O que ela significa no contexto do EP?

Victor Cutrale: A ideia de cada EP é captar um clima, usando clássicos dos filmes de horror como fonte de inspiração. Vivemos tempos loucos, em que máscaras e conceitos sociais são construídos para passar uma imagem de funcionalidade e felicidade. Meat Dumplings é uma faixa feliz que esconde uma verdade terrível.

Metal Na Lata: O anúncio do EP “Social Death” falou em “escancarar a barbárie social”. Sendo assim, quais são as variações de temáticas líricas presentes neste disco?

Victor Cutrale: No primeiro EP, “Defiler”, a proposta era abordar o indivíduo, os desejos do “eu”. Já “Social Death” amplia o tema e parte para o coletivo. Fala sobre relacionamentos, construções sociais e toda a maluquice que perpetua na nossa sociedade.

Metal Na Lata: Embora esteja há pouco tempo em atividade, o Antrvm já tem dois registros oficiais que totalizam dez faixas. Quanto a banda evoluiu desde o lançamento de “Defiler” até “Social Death”?

Victor Cutrale: Somos um grupo bem produtivo. Trabalhamos semanalmente em todas as frentes do projeto: composição, ensaios, e até reuniões administrativas, por assim dizer. É natural que gostemos de nos desafiar e sair da zona de conforto. Também buscamos variar nossas ideias — por isso há uma sutil mudança sonora de um trabalho para o outro.

Metal Na Lata: Em suas composições, a banda mescla vários subgêneros como Thrash, Death, Groove e Metalcore. Ainda assim, parece que o Antrvm já encontrou sua própria identidade sonora. O que vocês acham dessa afirmação?

Victor Cutrale: Acho que o próximo EP vai responder melhor essa questão. Nosso primeiro objetivo era construir uma trilogia de EPs que funcionasse como um grande álbum. Somos um projeto recente e talvez fosse arriscado lançar um álbum logo de cara.

Metal Na Lata: “Social Death”, que sucede “Defiler”, é o segundo capítulo de uma trilogia de EPs. Isso quer dizer que ainda teremos mais um EP em breve?

Victor Cutrale: Sim, estamos finalizando as composições para o terceiro EP. A ideia é gravá-lo em 2026 e, em 2027, encerrar essa primeira etapa do projeto.

Metal Na Lata: Como têm sido os shows de divulgação do EP “Social Death”?

Victor Cutrale: Não somos uma banda com uma grande frequência de shows, mas tudo está indo conforme o planejado. Parcerias estão sendo formadas, temos tido uma troca muito legal com outras bandas. Ainda não fomos descobertos pelo grande público, mas estamos cativando pessoas realmente interessadas no nosso material.

Metal Na Lata: Ao ouvir “Social Death” na íntegra algumas vezes, fica clara a intenção da banda de soar diferente a cada faixa, mesmo mantendo o peso. Ou seja, o auto-plágio está fora dos planos do Antrvm?

Victor Cutrale: A gente trata cada música como um projeto particular. Cada faixa precisa funcionar junto com as outras, mas também tem que ser forte o suficiente para representar a banda em qualquer situação.

Metal Na Lata: Por não se encaixar nas definições clássicas dos subgêneros do Metal, a banda enfrenta algum tipo de resistência dos chamados ‘tr00zões’?

Victor Cutrale: A gente já é tr00 o suficiente pra não cair nesse tipo de pilha (risos). Somos fanáticos por metal. Se algum tr00zaum não curtir o nosso som, provavelmente essa pessoa não curte metal de verdade.

Metal Na Lata: Onde foi gravado o “Social Death”? Quem foi o produtor? A masterização aconteceu no mesmo local?

Victor Cutrale: A bateria foi captada pelo produtor Adriano Daga. As cordas e vozes foram gravadas por Wagner Meirinho, que também assumiu a produção geral do EP. A mixagem e masterização foram feitas por Brendan Duffey, nos Estados Unidos.

Metal Na Lata: Além da produção do terceiro EP que fecha a trilogia, quais são os próximos planos do Antrvm?

Victor Cutrale: Tocar o máximo possível, dentro das nossas condições, criar mais conexões com outras bandas e, quem sabe, dar um giro fora do Brasil. Estamos abertos a todo tipo de aventura!

Metal Na Lata: Quais são as influências musicais dos membros da banda? E até que ponto essas influências servem como referência na hora de compor?

Victor Cutrale: Todos nós curtimos algumas bandas em comum, mas o grande lance é que somos 100% metal. Gostamos dos mesmos elementos: rifferama maligna, bateria destruindo tudo e um vocal que cospe fogo e enxofre. Acho que isso resume bem nossas influências.

Metal Na Lata: Fiquem à vontade para comentar sobre a entrevista e, se quiserem, falem algo que não foi perguntado.

Victor Cutrale: Muito obrigado pelo espaço — esse tipo de trabalho nos ajuda demais! Confiram nosso som na sua plataforma favorita!

Siga a ANTRVM nas mídias sociais em: @antrvm.official

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