Entrevista com Yuri Sabaoth (Fleshpyre)

fleshpyre_00
Compartilhe

A banda Fleshpyre, uma das bandas de Death Metal mais promissoras de Brasília, vem fazendo um barulho estrondoso com seu álbum de estreia, “Unburying The Horses Of War”. Batemos um papo com o vocalista Yuri Sabaoth, para sabermos sobre o início do grupo, como foi a criação e toda concepção para um dos principais lançamentos de 2018. Confira!

Por William Ribas (ex-Editor)
Fotos gentilmente cedidas pela banda

Metal Na Lata: Como se deu o início do Fleshpyre? E qual é o significado do nome?

Yuri Sabaoth: O projeto se iniciou entre Diego Lima (Guitarra) e Daniel Moscardini (Bateria), em 2014, com uma proposta de Death Metal mais técnico, eles se mantiveram em contato constante e trabalhando em composições novas em estúdio por alguns anos até o primeiro show, em 2016, quando já contavam comigo e Josivan Ribeiro (Baixo). O nome vem da proposta de ilustrar a ideia da carne que se consome através do fogo da destruição e deterioração humana.

Metal Na Lata: “Unburying The Horses Of War”, traz um belo trabalho de Death Metal. Tecnico, furioso e que consegue agradar em cheio o amante do estilo. Como foi o trabalho de composição para o disco?

Yuri Sabaoth: A banda em si começou e foi criada em torno dessas composições. Ela iniciou justamente para se fazer essa proposta que você identificou. O trabalho foi intenso e relativamente longo, dado que desde o embrião da banda até seu primeiro show foram 2 anos de composições e ensaios constantes. Mas o grande momento de finalização e concretização foi do final de 2015 até o primeiro show, no começo de 2016. No ano de 2015 os riffs, melodias e as músicas em si tomavam sua forma mais concreta, no aspecto instrumental. Na virada do ano para os primeiros meses de 2016, foi quando entraram as letras nas suas formas finais assim como a composição da maioria dos vocais. Isso mostra também nosso compromisso com nossa missão, que é a música. Não hesitamos em esperar e trabalhar primeiro em direção à maturação da arte para poder realizar nosso primeiro show. Começamos a “botar a cabeça para fora de casa” quando estávamos confiantes do nosso entrosamento e resultado.

Metal Na Lata: A capa é outro fator positivo, é olhar e já sentir o impacto. Trazendo em ilustração, a concepção das letras e título do álbum.

Yuri Sabaoth: A capa foi feita sob encomenda, ilustrando exatamente o que propúnhamos para o disco. Tivemos algumas reuniões entre nós para discutirmos o conceito da capa, assim como uma maneira dela se relacionar com o nome e conteúdo do disco. Essa ideia foi levada então a Zakuro Aoyama, artista brasileiro que se empenhou profundamente para fazer com a imagem o que fazemos com o som, que é trabalhar com o maior zelo e esforço possível. É bom saber que deu certo e casou bem!

Metal Na Lata: As letras abordam temas como ódio, a miséria humana, algo como estamos vivendo uma era bem pessimista. Com tantos problemas e individualismo, chega a ser fácil fazer um disco falando de como a humanidade está perdida?

Yuri Sabaoth: Falando agora como compositor de algumas das letras do disco, digo que não se trata apenas de como a humanidade “está” perdida, mas de como a miséria (no sentido mais essencial, não material) humana faz parte da própria humanidade no sentido de um “é”, de forma que tento trazer também uma percepção de pessimismo que constitui uma realidade perene, não só passageira. No seu estágio atual de sentido, a Fleshpyre não se aprofunda numa ideia de alternativa a isso, como se vislumbrasse uma outra chance ou mudança, nem como se estivéssemos desviados de algo melhor – apenas atesta o que se conhece.

Metal Na Lata: Qual foi a principal preocupação da banda no momento em que estavam criando o material?

Yuri Sabaoth: Nossa preocupação principal foi colocarmos o máximo de nós mesmos em cada detalhe. Cada virada de bateria, cada riff, cada impacto no baixo, cada agressividade e desespero nas letras e vocais. Podemos dizer que parte da alma de cada integrante está nesse projeto. Estamos certos de que cada um de nós evoluiu bastante com cada passo que demos artisticamente até agora.

Metal Na Lata: Como está sendo os shows de divulgação do álbum? Vocês tocaram em alguns festivais importantes em Brasília como, Ferroada Fest, Cerrado In Hell e Samamba Rock. O feedback após esses shows foi o esperado?

Yuri Sabaoth: É sempre bom ter contato com esses eventos que já tem raízes bem sólidas na história da cidade. Muitas lições para aprender, muita gente grande e nova também para trocar experiência. Temos respeito total para quem está aí dando a cara a tapa psra fazer acontecer. Sabemos que não é fácil, principalmente quando dura muitos anos. Sempre tentamos saber a percepção das pessoas a nossa volta após os shows. Não só amigos e pessoas próximas, mas estarmos abertos a estranhos e desconhecidos com críticas, elogios e sugestões. Até agora tem sido muito positivo, e temos a sensação de estarmos aprimorando nossa música e também nossa performance ao vivo.

Metal Na Lata: Existem conversas para os shows de divulgação do álbum passar por mais lugares?

Yuri Sabaoth: Temos um forte desejo de chegar a tocar esse ano no Nordeste, por onde temos um grande carinho e vontade de levar nosso trabalho, mas por enquanto nada concreto. Além disso, o eixo do Sudeste é sempre um ótimo lugar para o metal. No geral, estamos abertos e dispostos a ir a qualquer canto do país, do qual gostamos muito. Até o momento passamos por DF, MG e GO. Estamos acertando a possibilidade de voltar a Minas Gerais nos próximos meses, mas é só o que podemos falar, por enquanto.

Metal Na Lata: Lançar o primeiro álbum é sempre um momento especial na carreira de qualquer grupo. Como foi para vocês ouvir pela primeira vez tudo terminado?

Yuri Sabaoth: Realizador. É como ver uma semente plantada à mão na terra virar uma árvore e dar fruto. Foi independente nosso trabalho, então necessitou muito suor e empenho. Há a sensação também que não é apenas uma ideia, mas sim que temos algo concreto nas mãos, para mostrar a todos que queiram ouvir e dar corpo à nossa missão na arte que já chegou a diversos cantos do mundo, por mais que já vivesse nos nossos shows ao vivo, que já foram muitos, inclusive. Aliás, sobre nosso som viajar, temos muito feedback de gente fora do Brasil também, que inclusive nem mesmo falam português. Vendemos inclusive camiseta, patch e CD para a Europa, na nossa primeira semana com o material físico.

Metal Na Lata: Primeiro tivemos o lançamento do disco nas plataformas digitais e um bom tempo depois se teve notícia do lançamento em material físico. Isso de alguma forma atrapalhou os planos de vocês?

Yuri Sabaoth: Foi complicado, de certa maneira, mas ainda assim deu bons resultados. É possível que não tenhamos atingido tanta gente quando poderíamos ter, logo na largada, mas para muita gente através do globo é o material digital a porta de entrada, mesmo. Já vimos nosso som inclusive em sites Russos, dos EUA, e contato de gente desses países, também França e vários outros. No mínimo, inesperado, e uma surpresa agradável apesar da distância entre um lançamento e outro.

Metal Na Lata: Ser apontado por diversos como uma revelação e disco do ano. De certa forma coloca um peso para os próximos passos e trabalhos?

Yuri Sabaoth: Certamente! Inclusive gostaríamos de agradecer de cara ao Metal na Lata por ter presentado com essa grande menção na sua matéria de retrospectiva do ano de 2018. Sempre presentes em toda a cena, e estão antenados no que está acontecendo. Ficamos muito felizes e parabenizamos ao próprio site pelo empenho e também aos outros que figuraram entre os melhores do ano, bandas e músicos individuais. Quanto aos próximos trabalhos, reafirmo que isso traz mesmo um peso, porque não está nos nossos planos diminuir a qualidade em momento algum. Então quanto mais ralamos para atingir novos degraus de qualidade, mais será necessário trabalhar para superar o nível anterior, numa evolução constante. Isso não é fácil. Talvez a tarefa mais difícil na vida de qualquer músico. Mas entramos nessa porque cremos nesse desafio e o encaramos de peito aberto.

Metal Na Lata: Se tivesse que falar em poucas palavras sobre o álbum “Unburying The Horses Of War”, para uma pessoa que ainda não os conhece, o que você diria?

Yuri Sabaoth: Difícil resumir, mas ao invés disso, posso tentar usar algumas palavras-chave: Catarse, Rancor, Fúria, Reflexão e Suor. Fica com a pessoa o que tomar delas.

Metal Na Lata: Para terminar, Brasilia tem uma das cenas mais importantes do pais, parece que a cada esquina existe uma boa banda pronta pra detonar, o que colocam na bebidas de vocês?

Yuri Sabaoth: Pouca comodidade e muita paixão (risos). Brasília não é exatamente um ponto fixo em evidência para muita coisa de fora. Então uma coisa que parece estar em comum das décadas passadas até hoje em dia, é um pouco do sentimento de que se não fizermos nós mesmos, provavelmente não farão por nós. É meio que uma questão de sobrevivência ligada à paixão pelo que fazemos.

Metal Na Lata: Muito obrigado pela entrevista, o espaço final é todo seu.

Yuri Sabaoth: Nós é que agradecemos! A mensagem final é: Ouçam, componham, aprendam, leiam, assistam e construam. O Metal não está mais tão no mainstream como estava em décadas atrás. Se não for pelo cultivo crítico e preocupado das pessoas que ainda estão aqui, a cultura morre. As bandas morrem, os shows morrem, as rodas morrem, os jornais, rádios e pinturas que ainda nos pertencem podem morrer, sem continuidade. Talvez as ideias não, mas nada mais me surpreenderia com o pessimismo que esses dias trazem.

Mais informações:

www.facebook.com/fleshpyreofficial
[email protected]

Compartilhe
Assuntos

Veja também