Lançando um dos seus melhores trabalhos, a banda de Thrash Metal do ABC (São Paulo), MX chega com “A Circus Called Brazil” colocando o dedo na ferida de quem tem político como bichinho de estimação. Batemos um papo com o vocalista e baterista Alexandre Cunha, que nos contou todos os detalhes que engloba o novo trabalho, comemoração dos 30 anos de “Simoniacal” e muito mais. Confira!
Por: William Ribas
Metal Na Lata: Primeiramente, parabéns pelo novo álbum. Como foi o trabalho de composição de “A Circus Called Brazil”?
Alexandre Cunha: Obrigado, sempre uma honra poder participar do METAL NA LATA! Bom, o álbum basicamente tem 3 músicas mais antigas (“Lucky”, “Marching Over Lies” e “Toy Soldier”), que foram feitas por mim, Décio e Morto há anos atrás, “Toy Soldier” foi reformulada por mim e pelo Dumbo antes de gravarmos. As 3 letras e linhas de voz são minhas. As outras músicas com exceção de “A Circus Called Brazil” teve a carcaça e as maioria das bases feita pelo Dumbo inclusive as linhas de voz e as letras, que algumas participei também, as bases foram aprimoradas na medida do possível, é assim que fazemos, Décio realocou algumas notas, criou algumas bases complementares e fez a composição das partes exclusivas dele como solos e lapidamos uma a uma. A música “ A Circus Called Brazil” nasceu de dois riffs que o Décio nos mostrou, na mesma hora comecei a escrever a letra e fazer os encaixes e por ser uma música com clima circense e irônico surgiu a ideia de toda a concepção da capa, nome do álbum, que sugeri logo que finalizei a letra, e todos gostaram muito e assim ficou.
Alexandre Cunha: Concordo sim, historicamente acho que o MX tem esse lance de buscar fazer capas inteligentes, irônicas e sempre relatando os problemas políticos e sociais, e tem que chamar a atenção pela qualidade do desenho logicamente, acho que “ A Circus Called Brazil “ está entre nossas melhores capas com certeza. Quanto a música “ Fleeing Terror” foi uma boa escolha para música de trabalho inicial, apesar de ser rápida e agressiva é uma música muito audível o que amplia um pouco o leque com relação ao público e está sendo um grande cartão de visitas para o novo álbum.
Metal Na Lata: Em “A Circus Called Brazil”, temos 10 faixas que mostram muito bem o que é o MX, mas ao mesmo tempo a banda se permitiu ousar e sair da zona de conforto testando coisas diferentes principalmente na parte dos vocais. Foi algo natural esse processo ou houve uma certa pressão interna?
Alexandre Cunha: Acho que nada que fizemos anteriormente chega perto desse álbum, nesse quesito principalmente, as vozes foram muito bem trabalhadas, os encaixes, letras, foi uma grande evolução vocal e um desafio para mim que nunca estudei voz. O álbum “Last File” (1998), já tem um pouco disso, mas nada comparado com esse. Devo muito disso ao Dumbo que sempre acreditou que poderíamos fazer algo desse tipo sem perder a agressividade característica da banda. Estamos muito felizes com o resultado. Acho que a pressão ficou comigo pois não sabia até onde poderia chegar, mas tudo fluiu naturalmente.
Metal NA Lata: “Simoniacal” completa 30 anos de seu lançamento agora em 2018 e “Mental Slavery”, no ano que vem. São álbuns extremamente cultuados pelos fãs da banda e, por quem curte Thrash Metal em geral. Existe a possibilidade de algum relançamento ou um show comemorativo tocando os discos na integra?
Alexandre Cunha: Sim, esse ano vamos fazer os shows de lançamento do novo álbum e vamos tocar também o Simoniacal na íntegra em alguns eventos comemorando os 30 anos de um dos álbuns que mais marcaram nossa carreira.
Metal Na Lata: Vocês participaram dos tributos ao Motorhead e Black Sabbath, organizado pela gravadora inglesa Secret Service Record. Como houve o convite?
Alexandre Cunha: Sim, fizemos o tributo ao Motorhead (teremos essa música como bônus em nosso álbum físico licenciado pela Motor Music Ltd), e ao Black Sabbath e, iremos gravar para o tributo do AC DC que para nós é motivo de muito orgulho. Fomos convidados pelo selo Secret Services e agradecemos muito pelo convite e participação.
Metal Na Lata: Com o lançamento do novo álbum obviamente estarão colocando os pés na estrada. Como estão os preparativos para a turnê? Existem datas já agendadas?
Alexandre Cunha: Sim, temos alguns shows pré-agendados para lançamento do álbum em Santo André/SP, em breve vamos divulgar, nós do MX não temos disponibilidade para extensas turnês por motivos pessoais, mas vamos fazer a maior quantidade de shows possível. Fiquem atentos!!
Metal Na Lata: O MX teve vários momentos de vai e volta, ficaram parados, banda dá um “tempo”, depois volta, logo depois param de novo. Mas desde 2012, estão firmes e prontos. O que ocorria que a banda não conseguia se firmar? E até que ponto essas idas e vindas atrapalharam a carreira do grupo?
Alexandre Cunha: O MX teve uma sequência muito forte até a década de 90, depois disso alguns integrantes manifestaram vontade de se dedicar a vida profissional extra banda, éramos moleques quando isso aconteceu, com certeza teríamos uma outra realidade se isso não tivesse acontecido, mas isso passou e não é algo que lamentamos, acho que colhemos o que plantamos, foi uma opção. A banda está firme, com algumas limitações de tempo e agenda pois temos nossas vidas para tocar também, mas acho que esse álbum mostra toda a dedicação que tivemos nesse período pós 2012, é um grande prazer poder lançar esse novo material. Lembro que quando voltamos tivemos grande apoio na cena underground, mas sempre existiam pessoas que não acreditavam muito que poderíamos lançar algo de peso na cena, sabemos das limitações do cenário como um todo para bandas como o MX, mas mostramos que a banda pode se superar sempre.
Metal Na Lata: Na minha opinião, “ A Circus Called Brazil”, é o melhor trabalho do MX, um disco forte, com letras acidas, colocando o dedo na ferida, instrumental afiado, era o disco que faltava na discografia da banda. Músicas como “Fleeing Terror”, “Murders”, “Lucky”, “Toy Soldier”, “Marching Over Lies” e a faixa título, já nasceram clássicas e prontas para os shows. Mesmo que seja complicado falar de álbum que acabou de sair, é realmente o melhor trabalho do MX?
Alexandre Cunha: Quanto a isso não tenho um pingo de dúvida, disparado nosso melhor trabalho em todos os aspectos, acho que o tempo dirá e confirmará isso. Precisávamos mostrar um álbum nesse nível (sem falsa modéstia), estávamos devendo isso. Eu tenho um grande apreço por todas as músicas, não consigo ainda escolher, eu sempre gosto mais daquela que estou ouvindo no momento (risos), tipo pai coruja mesmo (risos), mas essas que você citou podem ser tratadas como carro chefe.
Metal Na Lata: Hoje em dia, o ser humano está cada vez mais intolerante, querendo que somente a sua opinião tenha valor e seja respeitada. Como o novo álbum gira em torno de questões polemicas, de algum modo não há um certo receio que a mensagem contida nas letras seja má interpretada?
Alexandre Cunha: Estamos vivendo uma fase difícil, tudo é motivo de discussão , o país vive o seu pior momento em minha opinião. Com relação a política, que é o calcanhar de Aquiles atualmente, o álbum não é tendencioso, não escolhe um lado, simplesmente é contra todos que fazem ou pregam o mal para a sociedade, os que roubam, os que doutrinam de forma radical, guerras, matanças e todas as desgraças e injustiças que nos assolam. O sistema em que vivemos cria armadilhas fáceis e faz com que o povo viva nesse constante atrito sem sequer se dar conta que somos todos ludibriados e manipulados o tempo todo. A mensagem é clara na faixa título, “I don’t care if they are red or blue …” acho que a mensagem que queremos passar é essa, mas sabemos que sempre terá alguma polêmica envolvida, faz parte.
Alexandre Cunha: Temos material suficiente para lançarmos um DVD da fase da volta da banda que inclui basicamente músicas dos álbuns Simoniacal, Mental Slavery e Again. Vamos pensar nisso, acho que passou da hora.
Metal Na Lata: Se tivessem que escolher uma música para uma pessoa que vai ouvir a banda pela primeira vez, qual seria e por que?
Alexandre Cunha: Acho que como já escolhemos isso anteriormente para esse álbum manteríamos a “ Fleeing Terror” que mostra bem o que é o MX atualmente.
Metal Na Lata: Por curiosidade, Alexandre, você ocupa o posto de vocalista e baterista, em algum momento pensou em ficar somente com uma função?
Alexandre Cunha: Em alguns momentos cheguei a pensar, mas acho que faz parte da cara do MX e o esforço para manter as duas funções acaba valendo a pena. A voz e a bateria de nossas músicas em especial desse novo álbum não são simples, exigem muito o tempo todo, chega a ser desumano em algumas situações ao vivo mas vamos sempre fazer o melhor que pudermos e ao vivo tenho o suporte das outras vozes que fazem muito bem-este papel.
Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, espaço final é todo de vocês.
Alexandre Cunha: Agradecemos muito a oportunidade de participar no METAL NA LATA, sabemos do esforço de todos para fazer a cena girar, e gostaria também de agradecer a todos os nossos amigos e fãs que são o grande motivo para que tudo isso possa acontecer, nosso álbum está disponível em todas as plataformas digitais, o lançamento do álbum físico está previsto para início de julho, escutem e opinem, o feedback de vocês é muito importante!! Stay Thrash!
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