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Entrevista exclusiva com Edu Lopez (VORGOK)


A banda carioca Vorgok vem fazendo um estrondoso barulho no underground brasileiro. Seu primeiro álbum “Assorted Evils” chamou bastante atenção de todos por ser um disco coeso, sólido e que traz a mais pura brutalidade em forma de música. Batemos um papo com Edu Lopez (Vocal/Guitarra) que nos contou um pouco mais sobre tudo que cerca essa grande promessa do Metal Nacional.

Por William Ribas

Metal Na Lata: Qual o significado do nome Vorgok?

Edu Lopez: O nome “VORGOK” surgiu da necessidade de uma palavra que fosse curta, soasse forte e traduzisse a seguinte ideia: a coleção de todos os males passados, presentes e futuros praticados e a serem praticados pela humanidade. Tendo em vista a inexistência de uma palavra que designasse esse coletivo, fui fazendo experiências, tipo juntando sílabas desconexas, até chegar em “VORGOK”. Esse significado apresenta a temática lírica da banda.

Metal Na Lata: A banda foi criada em 2014 e em dois anos de estrada já lançou o primeiro álbum. Como foi o trabalho de composição?

Edu Lopez: As músicas que estão em “Assorted Evils” foram todas compostas por mim, inclusive as letras com exceção da faixa “Drowning”, que foi composta pelo João Wilson (baixo) e é um prelúdio em violão de náilon funcionando como uma introdução para a faixa seguinte, que fecha o disco, chamada “Mass Funeral At Sea”. No entanto, os arranjos das músicas foram exaustivamente trabalhados por mim e pelo João, que deu uma contribuição importantíssima nessa área. Contudo, espero e é bem provável que todo mundo participe do processo de composição do próximo CD. Atualmente, integra a banda também Bruno Tavares (guitarra; Forceps, Demolishment) e estamos trabalhando com diversos bateristas contratados.

Metal Na Lata: As letras em “Assorted Evils” falam de manipulação, extermínio, opressão e intolerância, assuntos que infelizmente vivemos no cotidiano. Hoje em dia, com tudo isso, é mais fácil se ter inspiração para uma nova música?

Edu Lopez: Em “Assorted Evils”, os temas abordados foram intolerância religiosa (“Kill Them Dead”), manipulação (“Deception in Disguise”), opressão (“Antagonistic Hostility”), extermínio das espécies (“Last Nail in our Coffin”), direitos dos povos do terceiro mundo à alimentação (“Hunger”), à educação (“Headless Children”), ao refúgio (“Mass Funeral at Sea”), escravidão no século XXI (“Man Wolf to Man”) e o ressurgimento de doutrinas nacionalistas xenofóbicas como o nazismo (“Hell’s Portrait”). A maior parte das letras teve por base pesquisas de relatórios de organismos da ONU como FAO, ACNUR, UNICEF e artigos doutrinários veiculados em variadas publicações. Infelizmente, o mundo contemporâneo é uma fonte inesgotável de inspiração para escrever letras que abordem temas tão trágicos. Não tenho a ilusão infanto-juvenil de que uma banda underground de Thrash Metal seja capaz de aplacar diretamente males históricos de tamanha envergadura, mas acredito que é possível dar uma colaboração quanto à conscientização das pessoas para sua existência e, assim, por via indireta, fomentar a tomada de atitudes que, elas sim, possam se opor paulatinamente à tais atrocidades com ações práticas tomadas no dia a dia.

Metal Na Lata: Boa parte das letras, como você mencionou, foram escritas baseadas em pesquisas e relatórios da ONU, Unesco e outros órgãos, e também o famoso artigo de Norberto Bobbio “As Razões da Tolerância”. Por tudo isso podemos dizer que o disco é conceitual?

Edu Lopez: O disco não foi concebido como um disco conceitual, mas isso é algo que eu gostaria de explorar no futuro. No entanto, como os temas todos derivam do conceito de “VORGOK”, como expliquei acima, ele dá sim a impressão de ser um disco conceitual. Bom, talvez até seja e eu é que não me dou conta (risos).

Metal Na Lata: O álbum foi, e ainda é, bastante elogiado por críticos e fãs. Como a banda enxerga isso?

Edu Lopez: O álbum tem tido uma receptividade que nos surpreendeu, com várias resenhas positivas no Brasil, França, Reino Unido, inclusão na programação de web rádios da Europa e América do Sul, vários pedidos de entrevista e convites para shows. Estamos muito felizes com a boa receptividade do material e com a quantidade de novos amigos que temos feito em razão dela.

Metal Na Lata: Mais de seis meses após o lançamento do primeiro álbum, qual é sua auto avaliação sobre ele?

Edu Lopez: Continuamos muito felizes com o resultado obtido. O álbum, embora suas referências ‘old school’ evidentes, é uma obra do seu tempo, isto é, do presente. Não achamos que soe datado ou que seja uma viagem ao tempo passado. Mais ainda é muito recente. Talvez se você repetir essa pergunta daqui a um ano eu te dê outra resposta.

Metal Na Lata: A banda faz um Thrash Metal ‘old school’, mas nem por isso deixa de trazer algo atual, ou até mesmo um toque Hardcore, Crossover e etc. Como vocês definem o som do Vorgok?

Edu Lopez: Nosso objetivo é fazer um Thrash Metal na pegada mais brutal do estilo, com influências de Death Metal e algum Hardcore. Acho que esse é o resultado que se vê em “Assorted Evils”.

Metal Na Lata: Como andam os shows para divulgação de “Assorted Evils”?

Edu Lopez: Temos tido a oportunidade de dividir o palco com grandes bandas, como Hicsos, Forkill, Lacerated and Carbonized, Forceps, Raebelliun, Funeratus, D.I.E, 7 Peles, temos datas já marcadas com Massive Fire, Sextrash, Sangre e Horror Chamber e outras ainda a serem anunciadas. Estamos contentes com a receptividade que temos recebido e tem sido pura diversão fazer esses shows.

Metal Na Lata: Há alguns anos atrás muito se reclamava da cena carioca e público que não comparecia aos shows. Algo mudou ou o Rio de Janeiro é o reflexo do que acontece, também, em outras cidades brasileiras?

Edu Lopez: A cena underground carioca sofre dos mesmos males que castigam outras cenas pelo Brasil. O que pode haver entre as cenas são diferenças de grau dos problemas, mas eles são os mesmos, entre outros, poucos espaços para tocar, condições geralmente abaixo do mínimo aceitável, poucos produtores com a visão de realizar um trabalho sério, público reduzido e, atualmente, a grave crise econômica que enfrentamos tem piorado muito as coisas, até porque as bandas precisam elas mesmas investir no seu trabalho. O lado positivo é que, mesmo assim, há inúmeras bandas excelentes nos mais variados estilos de metal e que levam sua arte à sério e que, junto com esses poucos produtores e público, conseguem manter a cena viva e pujante. Acredito que uma nova época começa a se desenhar na cena carioca, com muitos dos envolvidos adotando uma visão empreendedora e não se deixando seduzir cegamente pela paixão que temos pelo metal, o que pode levar, por falta de racionalidade e excesso de emoção, à tomada de decisões equivocadas sobre os rumos a seguir. Acredito firmemente que estão sendo plantadas sementes para um futuro muito melhor.

Metal Na Lata: Quais os próximos passos da banda?

Edu Lopez: Durante o correr deste ano nosso objetivo é tocar ao vivo o mais que pudermos. Ano que vem vamos entrar em modo de composição e, quem sabe, lançar algum material novo no final de 2018.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, espaço final é todo seu.

Edu Lopez: Gostaria de agradecer ao espaço para a entrevista e convidar os leitores para subscrever nosso canal no youtube para receber notícias atualizadas da banda – não se preocupem porque não vamos encher o saco de ninguém com babaquices irrelevantes “para estar em evidência”! Bem assim para ouvir nosso som nas plataformas de ‘streaming’ e, caso haja interesse, adquirir o CD físico e merchandising através da nossa página no facebook. Fiquem ligados porque 2017 promete! Thrash on!

Mais informações:

www.facebook.com/vorgok
www.youtube.com/channel/UCEUEey8HY-IQRNYvYPJC3wQ

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