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Entrevista exclusiva com Jairo Vaz Neto (Chaos Synopsis)

Batemos um papo com Jairo Vaz Neto (vocal/baixo) do Chaos Synopsis, que nos contou detalhes sobre o novo álbum “Gods Of Chaos”, a turnê europeia agora no mês de abril e, também, toda a trajetória do grupo que chega com os dois pés na peito com seu mais novo lançamento. São doze anos de estrada e muita história para contar. Confira!

Por William Ribas

Metal Na Lata: Como se deu o início das atividades da banda e quais foram as principais influencias no começo?

Jairo Vaz Neto: Acredito que como todo início de banda, éramos moleques e queríamos tocar música extrema, o mais rápido e a maior quantidade de shows possível. Tirando as grandes bandas que são influência de praticamente todas as bandas que vieram depois, eu me influenciava muito nas bandas aqui da região, Rectal Collapse e Ophiolatry.

Metal Na Lata: Quais as principais lembranças do lançamento do primeiro álbum “Kvlt Ov Dementia” (2009) e sua tour fora do país?

Jairo: Lançar o primeiro álbum é uma aventura, tenho muitas lembranças do processo todo de gravação, onde me diverti demais e aprendi muita coisa. Referente a tour, novamente, aquele sonho de muleque de viajar pra longe, tocar em países que você sempre sonhou visitar e conhecer muita gente nova, é difícil descrever, a palavra sensacional é pouco perto do sentimento envolvido.

Metal Na Lata: No segundo disco “Art of Killing” (2013), a banda falou sobre serial killers, um tema que já foi muito usado. Como foi falar desse tema sem esbarrar no que outras bandas já falaram?

Jairo: Embora seja um tema bem comum, não só na música como na arte em geral, acabei nem me ligando muito e tentei não procurar músicas que falassem sobre o tema pra me inspirar, assim pude escrever as letras tranquilamente sem medo de copiar alguma banda.

Metal Na Lata: A temática de “Seasons of Red” (2015) tem como tema conquistadores, guerra e sofrimentos levados para os povos conquistados, como surgiu a ideia para esse tema?

Jairo: Logo após vermos que lançar um álbum temático funcionou muito bem, resolvemos que trabalharíamos dessa forma dali pra frente. Então cada um trouxe várias ideias de temas e fizemos uma votação entre nós pra decidir qual seria o escolhido. Acredito que caiu muito bem, pois escolhemos histórias bastante violentas e reais que aconteceram e continuam a acontecer no mundo.

Metal Na Lata: A banda incluiu mais melodias no “Seasons of Red” (2015), foi algo que já vinha sendo conversado ou foi saindo naturalmente?

Jairo: Embora já fosse algo que eu gostasse bastante, acho que foi rolando naturalmente. Quando você compõe, acaba trazendo muita coisa nova de tudo que você ouve no cotidiano. Eu ouço bastante heavy metal, assim como o JP, então acho que isso facilitou.

Metal Na Lata: O vídeo de “Gods Upon Mankind” tem como tema os faraós e foi muito elogiado pelos fãs. Qual a importância desse feedback para banda?

Jairo: É interessante para vermos que estamos no caminho certo. Eu gosto muito de superproduções nos clipes que assisto, então tentamos, dentro do orçamento da banda, fazer algo legal que nos agradasse e acredito que conseguimos, tanto que quem assistiu também gostou.

Metal Na Lata: As letras são um ponto forte nas músicas da banda, de onde vem a inspiração?

Jairo: Quando escolho um tema, faço muita pesquisa, lendo várias fontes e vários pontos de vista diferentes, inclusive muitas vezes tendo que ralar pra traduzir sites de forma a entender os fatos pelos olhos do local onde aconteceram. Após muita leitura e certeza do tema, ouço as músicas prontas e vou encaixando as ideias.

Metal Na Lata: Ano passado, foi lançado o Split “Intoxicunts”, ao lado da banda polonesa Terrorizer. Qual foi a repercussão desse lançamento?

Jairo: Foi interessante, pois saíram muitas resenhas positivas tanto no Brasil quanto no exterior. Mas o mais legal foi ver que rola um bairrismo, pois no Brasil recebemos mais elogios que eles e na Polônia foi o contrário, embora seja um CD colaborativo de bandas amigas, todas as pessoas tratavam como uma disputa de qual banda é melhor.

Metal Na Lata: Falando agora do novo álbum, “Gods Of Chaos” aposta em uma temática conceitual sobre o caos, guerras e destruição, trazendo velhas mitologias onde o homem criava deuses para explicar o desconhecido. Explique para nós um pouco desse conceito usado no álbum.

Jairo: Tudo começou quando escrevi a letra de “Serpent of the Nile” para o split “Intoxicunts” (2016). Utilizar um deus do caos naquela letra já me abriu a mente para que o próximo álbum do Chaos Synopsis utilizasse essa temática. Com o tema escolhido, pesquisei muito sobre cada criatura, tentando utilizar um pouco da visão dos povos criadores da mitologia, seus medos das criaturas e a utilização dos mitos pra explicar o desconhecido até então.

Metal Na Lata: Qual foi a principal preocupação da banda no momento que estava criando o novo álbum?

Jairo: Não sei se ficamos exatamente preocupados com algo na hora de criar, mas tivemos um processo de criação diferente dessa vez, normalmente íamos ao estúdio com algumas ideias de riffs e criávamos juntos as melodias e pontes de cada riff. Além de tudo, grande maioria das coisas foi criada após boas doses de cerveja, me senti como o Black Sabbath em seus tempos áureos.

Metal Na Lata: Como vocês analisam “Gods Of Chaos” em um todo. Saiu exatamente como a banda queria ou hoje pronto, ouvindo vêem que poderia ter colocado um algo a mais?

Jairo: Ainda estou no momento que estou curtindo bastante a música e ainda meio ligado a criação, então não consigo ver ainda se poderíamos ter feito algo diferente. No geral, passado algum tempo sem ouvir um álbum, quando retorno a ele sempre vejo uma coisa ou outra que talvez ficasse melhor de outra forma. Mas um disco é uma foto daquele período de tempo da banda, então não acho legal pensar muito em alterações depois do CD pronto.

Metal Na Lata: A produção do novo  álbum foi feita pelo baterista da banda, Friggi, qual é o lado positivo de ter um membro da banda produzindo o disco?

Jairo: O processo todo fica muito mais fácil, porque é a nossa visão que está ali, sem ninguém de fora fazendo alterações. Com o Friggi produzindo, o que você ouve é o Chaos Synopsis em sua essência, sem tirar nem por.

Metal Na Lata: Agora em abril vocês estarão indo para Europa para 26 shows na primeira parte da tour de divulgação do novo álbum, qual a expectativa para os shows e por que primeiro shows lá e depois por aqui no Brasil?

Jairo: Já é a segunda vez que fazemos dessa forma o lançamento de um álbum e é interessante porque com tantos shows seguidos, conseguimos testar o funcionamento das músicas ao vivo. Fazendo o lançamento em shows esporádicos, acabamos não conseguindo esse feedback das músicas novas ao vivo. Além do que, passar 30 dias na estrada tocando numa banda de rock é das coisas mais sensacionais que alguém pode fazer, é diversão demais.

Metal Na Lata: Qual é a música que melhor define “Gods Of Chaos”?

Jairo: Acredito que “Storm of Chaos” é uma boa síntese de tudo que tem no álbum, ela tem uma boa dose de melodia, assim como é o som mais rápido do CD. Ela trás todos os pontos diferentes que usamos nesse álbum.

Metal Na Lata: Depois de 12 anos, quais são os pontos positivos e negativos para a banda?

Jairo: O lado bom é sempre estar na estrada, conhecer muita gente nova e me divertir horrores com os caras da banda, levamos a sério o lance do Rock ‘n Roll de estar se divertindo sempre e não focamos no negativo, sempre na parte boa. Tocar, beber, rir e curtir.

Metal Na Lata: Vocês são do interior de São Paulo, como você vê a força do interior na cena hoje em dia?

Jairo: Há uma parada interessante, o interior, independente do estado, apoia MUITO mais as bandas e os shows, acredito que se de ao fato de não ocorrer tanta coisa sempre. Dito isso adoro tocar pro interior do Brasil, as pessoas curtem o rock como se não houvesse amanhã e isso é revigorante após horas na estrada.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, espaço final é seu.

Jairo: Agradeço o apoio de sempre, fiquem ligados, pois metade abril estará disponível nosso novo álbum “Gods of Chaos”.

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