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Entrevista exclusiva com Luca Turilli (Turilli/Lione’s Rhapsody)

Turilli/Lione Rhapsody é o nome do mais novo projeto de Luca Turilli e Fabio Lione, duas das principais figuras por trás do antigo Rhapsody of Fire, que agora segue capitaneado pelo tecladista Alex Staropoli. Confusões de lado, o guitarrista Luca Turilli falou longamente com a equipe do Metal Na Lata e contou detalhes do novo disco “Zero Gravity (Rebirth and Evolution) (2019)”, além de histórias do passado e inspirações. Turilli ainda falou sobre a morte de Andre Matos, que cantou em um de seus discos solos no passado. (Nota: Entrevista feita antes do recebimento do novo álbum da banda)

Por Gustavo Maiato
Colaboração Johnny Z.

Fotos por Tim Tronckoe

Metal Na Lata: A primeira pergunta é sobre a nova banda Turilli/Lione Rhapsody. Como você teve a ideia de montar esse novo projeto?

Luca Turilli: Foi algo inesperado, nós estávamos tocando a turnê de despedida do Rhapsody, era para ser algo pequeno, mas fez tanto sucesso que nós ficamos 2 anos tocando, foram 75 shows eu acho. E isso foi bom, porque nós testamos a relação entre mim e o Fabio Lione, nós estávamos sem nos ver tinha 7 anos. Nós perdemos o contato, mas era uma relação amigável, trocando e-mail na época do natal. Foi um teste e deu tudo muito certo. O plano era acabar essa turnê de despedida e nos dedicar para algo que fosse um projeto musical completamente diferente, algo que não fosse nem metal. Fabio ainda continua com bandas de metal, mas no meu caso, eu queria me dedicar a algo com piano, mais emotivo, bem diferente, com instrumentos acústicos.

Eu considero o Fabio um dos grandes cantores que tem por aí, não só no mundo do metal. Então, para mim, uma ideia que eu tive foi lançar um rock sinfônico no estilo do Queen, porque eu sei que o Fabio adora Queen e eu também. Mas no final, quando acabamos aquela turnê, os promoters viram que foi um sucesso e queriam que a gente lançasse algo na linha do metal. Então a gente disse, “ok, vamos ver o que a gente pode fazer”. Claro que a gente quer sempre fazer algo que a gente goste no momento, que corresponda ao nosso gosto musical. Então, nós falamos que iríamos criar essa banda chamada Zero Gravity e poderíamos tocar algo mais moderno.

A primeira ideia foi essa, e os empresários disseram ok. Os promotores, porém, acharam ridículo a gente começar do zero. Tivemos muitos encontros e discussões, algo em torno de 9 meses atrás. No final, nós chegamos a uma solução perfeita que fez nós todos felizes. Os promotores poderiam investir o dinheiro, nos permitindo gravar. Eu e Fabio, no lado artístico… A ideia, então, foi continuar o nome “Rhapsody”, porque é uma marca forte e os promotores gostam disso. Mas a gente fez algo novo, mudamos o logo, fizemos uma roupagem mais moderna para a banda. Ainda temos o impacto sinfônico e cinemático, mas adicionamos coisas que estamos gostando de ouvir hoje em dia: Dream Theater foi uma grande influência, elementos progressivos. Arranjos vocais no estilo do Queen…. No final, todo mundo ficou feliz e o álbum passou a se chamar “Zery Gravity” e adotamos a frase “Rebirth and Evolution” porque representa o que nós tínhamos em mente.

Assim, nós começamos uma campanha de crowdfunding para tornar isso possível. Se nós vamos continuar com o nome “Rhapsody”, temos que garantir a mesma qualidade que nós sempre tínhamos no passado quando o orçamento era grande. Foi um teste para nós, para ver se a gente ia continuar ou não. Depois, conseguimos o dinheiro também da Nuclear Blast e chegamos ao patamar de custos dos últimos álbuns do Rhapsody of Fire, o “From Chaos to Eternity” (2011). Os fãs colaboraram muito e foi ótimo, em 1 semana conseguimos 20.000 euros. Assim, tivemos convidados especiais, gravamos um vídeo que será divulgado em breve. Podemos trabalhar como no passado, será uma nova banda e não um álbum só.

Metal Na Lata: Sobre a sonoridade do novo disco… Nós temos duas músicas já lançadas, ambas com um forte aspecto sinfônico. O que você pode dizer sobre a diferença desse álbum para o que você costumava fazer no passado? Talvez a temática das letras…

Luca Turilli: Não é algo científico nem futurista como as pessoas podem achar vendo a arte, é apenas moderno. Nós queríamos um metal moderno e sinfônico. Por moderno, eu quero dizer guitarras bem pesadas, algo que eu nunca fiz antes, com a afinação em Dó. É a primeira vez que eu faço arranjos de guitarra nessa tonalidade grave e isso dá um impacto diferente. Nós vamos ter músicas no estilo opera, mas eu acho que tem um toque moderno aí dado pelas guitarras graves. Tem músicas que soam como Rammstein por causa da força da guitarra. Queremos combinar algo do passado e misturar com algo novo, com produção moderna, que estamos ouvindo muito hoje em dia. Enfim, temos esses elementos progressivos, tem duas músicas meio Dream Theater, com progressões de acordes diferentes. Tem outros que fãs de Rhapsody vão gostar.

Agora, a temática das letras é diferente. Estamos interessados em ciência, metafísica… Eu estou experienciando coisas novas graças ao yoga, a meditação, eu descobri coisas incríveis. Nós falamos também sobre psicologia na música “D.N.A (Demon and Angel)”. Tudo é relacionado por uma evolução espiritual que eu acho que atrai todo artista. Isso é relacionado ao aspecto fisiológico do artista, para onde vamos, de onde viemos… Todo artista fala disso, pintores, músicos, escritores, arte é arte… É tudo relacionado ao coração e à alma e isso é relacionado à arquétipos que são relacionados a nossa existência. Nós estamos conectados por essas perguntas filosóficas, é por isso que estamos aqui.

Você pode passar o dia em frente à TV, pode passar comendo ou se divertindo, mas perto da hora de dormir, todas essas perguntas chegam sempre. Algumas pessoas preferem dormir e se esquecer, outras, como eu, preferem se dedicar a isso. Eu faço isso nas músicas, não tem uma saga mais, estamos falando de uma forma mais direta, mesmo que eu ame usar metáforas e alegorias, conexões com simbolismo e geometria sagrada. Eu amo esse aspecto místico da vida.

Metal Na Lata: Uma pergunta para os fãs entenderem a situação… Quando o Rhapsody of Fire foi meio que dividido em dois, as pessoas disseram que você e o Alex Staropoli estavam de bem um com o outro. Mas então, você, Alex Holzwarth, Patrice Guers e o Dominique Leurquin, que eram membros do Rhapsody original, formaram uma nova banda chamada Rhapsody. Você pode explicar essa situação para a gente?

Luca Turilli: Parece confuso, mas é fácil de entender. Nós terminamos a saga em 2010, era isso que a gente queria fazer, nós começamos em 1997 e não iríamos terminar até finalizar. Era algo imenso, que nem toda banda consegue fazer, porque se separa antes por outras razões. Era algo grande para a gente. Então, nós pensamos que, depois de terminar a saga, não era igual antes, o mercado mudou muito e tal, então cada um poderia fazer suas próprias coisas. Foi uma divisão amigável, porque depois do final da saga, era meio estúpido continuar fazendo a mesma coisa. Imagine ficar no mesmo trabalho por 20 anos, você sente fisicamente que precisa mudar, você não se sente estimulado, fica de saco cheio de tocar as mesmas coisas.

Foi uma coisa normal se dividir em dois, eu não ia fazer mais nada relacionado ao Rhapsody, mas ao mesmo tempo, nós concordamos que eu iria continuar com o nome também, eu investi muito dinheiro próprio, porque naquele final o orçamento da banda estava baixo. Eu gastei muito do meu próprio dinheiro e no final seria burrice renunciar completamente ao nome “Rhapsody”. Nós concordamos que, se eu fosse continuar no metal, eu poderia usar o nome e Alex iria continuar com o Rhapsody of Fire, foi algo normal, eu investi muita coisa e no final era um hobbie somente, nós tivemos muitos erros na parte de negócios, mas isso não importa, é a realidade. Quando a gente se separou em 2010, o mercado estava em crise já e os promotores não estavam interessados se eu começasse uma nova banda, com um novo nome. Não seria justo se o Alex continuasse com o nome Rhapsody of Fire, isso daria uma vantagem enorme para ele. Se fosse eu a continuar, seria uma vantagem para mim artisticamente, com muito mais ofertas.

Por isso, chegamos a essa conclusão de uma maneira amigável. Então, os anos passaram e eu recebi uma oferta para fazer algo na linha do Avantasia, com muitos vocalistas famosos e tudo mais. O Alex decidiu continuar o Rhapsody of Fire e eu não quis fazer esse lance tipo Avantasia, então eu montei o Luca Turilli´s Rhapsody, porque o Dominique e o Patrice me seguiram depois da divisão. Então, nós queríamos uma evolução. Alex preferiu continuar com o estilo antigo, mas sem nada a ver com a antiga saga, porque ela foi escrita por mim e acabou oficialmente.

A gente não achou que fosse gerar essa confusão, porque eram duas identidades diferente: Luca Turilli´s Rhapsody e Rhapsody of Fire, soava diferente, mas não foi o caso! Quando a gente começou a fazer turnê com o nome Luca Turilli´s Rhapsody, eu me vi em situações estranhas, como ver o pôster do Rhapsody of Fire divulgando a gente! Foi terrível, nós não esperávamos isso. Especialmente dos promotores, eles mesmos ficaram confusos, eles não distinguiram as duas bandas e isso danificou as bandas. As pessoas ficaram confusas, duas bandas diferentes tocando as mesmas músicas… Já que eu não tinha músicas novas suficientes, é claro que eu toquei músicas do antigo Rhapsody.

Depois, nós começamos a falar sobre a reunião, depois que eu lancei dois discos com o nome Luca Turilli´s Rhapsody. Nós tínhamos planos de parar porque economicamente foi uma perda enorme, ainda maior do que na época do Rhapsody of Fire. Eu investi dinheiro da minha família e ia ser impossível continuar, mas aí veio a ideia da reunião dos empresários. Não foi algo que partiu de mim ou do Fábio. Isso foi em 2016 e eu a princípio não concordei, achei que fosse gerar mais confusão ainda com o nome. O Alex não quis também, o Fabio foi o único que quis. Então em uma noite de verão, eu pensei… Caramba, no ano seguinte será 2017 e corresponderá ao vigésimo aniversário da banda! Isso foi a fagulha que me fez repensar, era uma coisa especial, não era só uma reunião, era uma despedida para fechar o círculo das sagas heroicas.

Era a melhor maneira de encerrar esse capítulo antes de me dedicar a outros projetos musicais. Então, nós continuamos a ideia de tocar algumas datas, mas a turnê acabou durando 2 anos. Então, teve outra variável aí, logo depois da reunião, Fabio e o Alex Holzwarth deixaram o Rhapsody of Fire, teve uma briga entre eles e o Staropoli, mas não teve nada a ver com o que a gente estava pretendendo fazer com a reunião, porque a reunião já estava sendo planejada desde antes. No final, tudo levou a essa reunião e a possibilidade de mim e o Fabio trabalharmos juntos e o resto da história.

Agora, é ótimo, porque temos o nosso Rhapsody que é uma banda nova, não é mais Power Metal, mas é algo que os fãs antigos podem gostar, e tem o Rhapsody of Fire que está fazendo o estilo antigo. Então, todos os fãs vão gostar, as duas identidades são diferentes, os promotores finalmente entenderam, não estamos tendo os problemas de antes. É claro que eu e Fabio preferíamos ter ido com o nome Zero Gravity, mas na impossibilidade, essa foi a solução perfeita, nós mudamos a logo antiga e tudo mais, não é a situação perfeita, mas foi algo que estimulou artisticamente eu e o Fabio.

Metal Na Lata: Você criou obras-primas como “Emerald Sword” e “Dawn of Victory”, mas você disse que nunca mais iria tocar essas músicas antigas ao vivo. Com essa nova banda, será que você poderá mudar seu pensamento e tocar essas músicas de novo?

Luca Turilli: Posso te dizer que primeira coisa que pensamos quando estávamos discutindo o que tocar nesse novo projeto foi que precisávamos tocar algo da discografia antiga, mas com foco nas canções mais “sérias”, que se encaixassem com o novo estilo. Então, uma música como “Emerald Sword”, não iria se encaixar, até porque um dos argumentos para atrair pessoas para a turnê de despedida foi que nós não iríamos mais tocar as coisas antigas de novo. Então “The Village of Dwarves” não vai estar mais, mas têm músicas antigas que eu e o Fabio ainda gostamos, mesmo que tenhamos mudado nosso gosto musical. São músicas com uma aura mais moderna e séria, mesmo hoje em dia. Estou falando de músicas como “Dawn of Victory”, ou “Unholy Warcry”, músicas antigas… Tem uma que é uma das minhas favoritas das antigas que é “Riding the Winds of Eternity”. Se você ouvir essas músicas, é incrível como foram lançados em 1998, mas soam modernos e até meios progressivos.

Tem outras músicas que soam modernas também como “Sea of Fate” e “Reign of Terror”, essas músicas fazem parte da segunda era do Rhapsody e se encaixa melhor com o que estamos propondo. Aquelas músicas mais “espada” e tudo mais. Nós não queremos mais no set, até porque seria uma traição aos nossos fãs economicamente falando, porque nós prometemos que não iríamos tocar mais, foi um argumento promocional e queremos respeitar isso. Essas letras, hoje em dia, eu não sou um grande fã, são estranhas hoje em dia. Na época foi algo muito bacana, o melhor que podíamos fazer, mas agora preferimos focar em hits que soam modernos. Se você quiser ouvir as antigas, o Rhapsody of Fire está por aí.

Metal Na Lata: Recentemente, o Brasil teve uma enorme perda no cenário do metal, com a morte de André Matos, ex-Angra e Shaman. Como foi o seu contato com ele? O que você pode dizer sobre ele?

Luca Turilli: Eu tive a colaboração do André em uma música no passado, foi em 1999 ou algo assim, acho que em 2000 ou 2001, eu não lembro exatamente. Foi incrível, ele cantou uma música inteira no disco “Prophets of the Last Eclipse” (2002), uma versão de “Demonheart”. Ele tem uma voz incrível, mas desde então eu perdi o contato com ele, mas ele sempre ficou em meu coração por essa experiência que tivemos juntos, especialmente porque ele era uma grande pessoa. Eu não me importo tanto se o músico é bom ou não, para mim é mais importante o caráter, ele era uma pessoa muito respeitosa e foi um cara ótimo de se colaborar.

Eu sempre tive essa ótima memória e agora que ouvi as notícias, eu não quis publicar uma mensagem oficial, eu conheci um pouco da história dele e vi várias mensagens incríveis dedicadas a ele, 90% era verdade, mas 10% era coisa muito hipócrita, eu não queria falar sobre isso então, quis manter para mim. Pareceu que todo mundo estava caindo de amor por ele, eu me pergunto porque essas pessoas não falavam isso antes dele morrer, então eu preferi deixar isso de lado e deixar essas pessoas falarem, quando o barulho passar eu posso pensar nisso, como estou fazendo agora graças a você.

Metal Na Lata: Você tem algum sonho no aspecto musical da sua vida que você ainda não conquistou? Você já gravou com o Christopher Lee, já criou um mundo fantástico… Mas, por exemplo, você poderia fazer um concerto com uma orquestra ou tem algum vocalista especial que você gostaria de ter em suas músicas?

Luca Turilli: Eu sou um compositor e não um músico de tocar ao vivo, eu fui forçado a tocar ao vivo, o que foi ótimo, porque naquelas duas horas que você encontra o público é ótimo, mas o resto da tour é um tédio! Eu não posso compor, eu levo o teclado e a guitarra, mas não tenho tempo. Você tem que pensar em mil coisas e os melhores momentos são quando você encontra as pessoas por aquelas duas horas.

Eu sou aquele cara que trabalha no estúdio de manhã até de noite, essa é minha dimensão. Meus sonhos são sempre relacionados à composição. Lançar um álbum com piano, algo emotivo e com instrumentos acústicos… Mas nada medieval, eu parei isso. Algo tipo Ludovico Einaudi, o piano é meu instrumento querido, as pessoas acham que eu sou guitarrista, mas eu te digo que nunca mais toquei guitarra, porque eu não tenho tempo, então eu toco sempre piano, teclado. Às vezes é frustrante que as pessoas me conheçam como guitarrista, meu instrumento querido é o piano. Nessa nova banda, eu toquei mais os teclados do que a guitarra. Passei mais tempo no estúdio gravando o piano e as partes de teclado do que a guitarra. Por exemplo, tem muito solo que foi tocado pelo Dominique, alguns tocados pelo convidado Simone Mularoni, o engenheiro do estúdio, que é um ótimo cara.

Eu me dediquei às orquestrações, ao piano e tudo mais, porque isso é o que eu realmente amo. Eu não tenho tempo de ensaiar a guitarra, quando tocamos ao vivo é difícil, porque é um instrumento que eu não havia tocado por um ano. Por outro lado, eu adoro guitarra acústica, isso toca meu coração e minha alma.

Então, meu sonho seria um projeto que eu possa apresentar minhas composições para piano e meu violão acústico, eu acho que vou abrir um canal no YouTube para lançar essas coisas. Claro que tenho outros projetos que não têm a ver com o Power ou o Symphonic, mas não vou falar sobre isso agora porque não está relacionado com o metal.

Metal Na Lata: Como é trabalhar de novo com o Fabio Lione de novo?

Luca Turilli: O Fabio não é um cantor de um gênero específico, não tem limites artísticos, ele não pode ser associado a um estilo apenas. Para mim, ele é um dos grandes cantores que têm por aí, é um dos cantores mais subestimados, isso é uma provocação, ele é conhecido no metal e tal, mas ele é uma voz que devia ser considerada uma das melhores no cenário musical em geral. Sua voz permite que ele cante ópera, rock, pop, metal. Depois de anos sem falar com ele, eu descobri que a voz dele estava ainda melhor do que antes e eu não sei como isso é possível!

Eu entendo que a idade chega, ele fuma também e a voz tende a ir embora, mas o Fabio é um cara incrível, não sei o segredo dele, a voz dele ficou mais madura e melhor. Talvez o fato de ele tocar com muitas bandas diferentes e tocar diferentes estilos tenha ajudado ele. Ele é um cantor universal e por isso que decidimos montar essa banda nova, a voz tinha que ser a coisa mais importante nesse disco novo, o fundamento principal, por isso todas as composições estão “servindo” sua incrível voz.

Metal Na Lata: Qual compositor clássico é o seu favorito e mais te inspirou?

Luca Turilli: Essa é fácil! Quando eu era guitarrista e bem novo, minha mãe costumava ouvir Beethoven, Bach, depois eu descobri Paganini, que é relacionado com meu estilo clássico de guitarra. Meus guitarristas favoritos são Jason Becker e o Yngwie Malmsteen. Eu vim desse tipo de músicas, tinham elementos clássicos.

Depois, quando comecei a amar o piano, meu favorito passou a ser Frédéric Chopin. Eu até compus uma música do novo disco chamada “Amata Immortale” que tem uma pegada bem Chopin. Eu amo a dinâmica dele, muito romântico e apaixonado, eu adoro seus prelúdios e estudos. Quando eu componho algo, eu sempre começo com essa abordagem.

Metal Na Lata: Pensando em todas as músicas de sua carreira. Qual música que você escreveu que você gostaria de ser lembrado para a história?

Luca Turilli: Essa é uma pergunta difícil, porque existe uma música que eu posso associar a cada momento, mas não apenas uma. Eu sou um compositor, então quando eu fiz a turnê de despedida, eu ouvi todas as músicas antigas do Rhapsody, porque a turnê era baseada nesse material antigo. A gente tocou o “Symphony of Enchanted Lands” (1998) inteiro nessa turnê e foi ótimo, mas quando a gente teve que escolher com o Fabio quais músicas continuar tocando, eu ouvi todos os meus álbuns pela primeira vez depois de muitos anos. Então, eu já tinha esquecido de algumas músicas como a música título do “Symphony…”, a “The Dark Tower of Abyss”, “Wings of Destiny”, ou músicas do “Legendary Tales” (1997) como “Warrior of Ice” ou “Rage of the Winter”, por muitos anos eu não ouvia essas músicas.

Eu sou um compositor, então, quando eu termino um álbum, eu já estou trabalhando em outro projeto e não tenho tempo para ouvir as músicas. Mas se eu tenho que tocar elas ao vivo, preciso ensaiar e volto a revisitar essas músicas. Eu estou conectado nas músicas novas, estou projetando no futuro, senão eu ficaria entediado, eu não fico ouvindo minhas próprias músicas.

Mas se eu for ouvir tudo, eu posso dizer que têm músicas que foi importante, mas não é como se eu gostasse. Por exemplo, eu não sei mais as músicas dos meus discos solos. No Luca Turilli´s Rhapsody, eu tive que escolher umas músicas solo e foi uma descoberta, eu não ouvia minhas músicas já tinha 10 anos e eu fiquei fascinado com isso. Por essa razão, posso dizer que têm músicas que foram importantes, mas que não fazem parte do meu estilo, eu diria que “Dawn of Victory” eu ainda gosto, do Rhapsody antigo é bem representativa. Da época do Rhapsody of Fire, eu diria que uma música muito importante foi “Sea of Fate”, nós voltamos depois de problemas na área de negócios. Não pela música em si sabe, foi composta junto com o Fabio e representou a ressurreição da banda.

Outro momento importante foi quando tivemos a colaboração de Christopher Lee, na “Unholy Warcry”, foi uma música do “Symphony of Enchanted Lands Part II” (2004), quando tivemos a oportunidade de ter ele como narrador. Então essas três músicas são as que eu escolheria, agora estamos numa era moderna e não dá ainda para escolher uma que represente, talvez daqui uns 3 anos, quem sabe!

Metal Na Lata: Você comentou sobre seu trabalho solo, será que podemos esperar algo no futuro em relação a isso?

Luca Turilli: Não, isso foi anunciado como uma trilogia, eu comecei com o… Qual o nome mesmo? O “King of the Nordic Twilight” (1999), foi algo na linha do Rhapsody antigo. Aí teve o “Phophet of the Last Eclipse” (2002) que era algo meio eletrônico, híbrido, e eu adorei esse contraste com os instrumentos sinfônicos. Era mais relacionado ao futuro. Depois, o “The Infinite Wonders of Creation” (2006), que era mais conectado ao presente. Foi uma trilogia, se você ler o livreto do primeiro disco, foi uma trilogia e eu não vou arruinar isso. Nem tenho tempo para planejar algo nessa linha mais.

Metal Na Lata: Que bandas você tem ouvido hoje em dia? Algo novo que chamou sua atenção?

Luca Turilli: Minha banda favorita na música em geral agora é o Muse. O Sascha Paeh, quando estava ouvindo minhas composições, disse: “Luca, você vai gostar muito do Muse”. Eu não conhecia eles, mas depois de uns anos eu descobri eles, principalmente o álbum “The Resistance” (2009) e me apaixonei por eles. É uma banda que eu quero ver ao vivo, eu não vejo um show ao vivo tem uns 15 anos, a não ser meus próprios shows!

O último grande show que eu vi foi na época do “Images and Words” (1992), do Dream Theater, lá em 1995 por aí. Depois, eu vi uns shows do Nightwish, do Malmsteen, mas eu não vou mais, porque fiquei saturado disso. Quando eu vou em shows, é algo fora do metal, como Hans Zimmer com orquestra, eu adoro esse tipo de música. O Muse é difícil de ver, quando eles vêm em Milão ou Roma está sempre esgotado, difícil achar ingresso.

Agora, minha cantora favorita, que sempre me faz chorar toda vez que eu ouço, é a Adele. Ela é realmente a melhor. Dentro do metal, eu diria que o Myrath é uma banda dessas novas que são muito promissoras. Em geral, eu estou bem entediado com essas bandas de metal, eu sempre vejo as mesmas progressões de acordes. No Rhapsody, nós usamos todas as progressões de acordes que existem! Foram 20 álbuns, no Rhapsody nós mudávamos o tom, não seguíamos o padrão de progressão, mas no final de 20 anos, nós fizemos tudo possível!

Normalmente, eu gosto de bandas que usem progressões diferentes, já que todas as outras estão dentro de mim, meu cérebro já analisa essas coisas, eu sou um compositor… Eu passei então a colocar muitas camadas de orquestrações, para variar, e eu noto isso nas outras bandas. Eu gosto de bandas que conseguem trazer originalidade mesmo com essa mudança padrão de acordes. Por isso gosto do Myrath, com essa influência folclórica e étnica, nosso álbum novo tem essa situação. Eu sempre gostei do Angra por isso também, porque eles têm esses elementos pessoais. Nesse novo trabalho, eu tenho influências étnicas, como elementos indianos, tibetanos, asiáticos…

Gosto também de bandas originais como o Rammstein. Eu não gosto de todas as músicas, mas goto dessa abordagem original, o fato de cantar em alemão, eu adoro isso. Mas minha banda favorita no momento, sendo um pianista, é o Dream Theater, eu adoro o Jordan Rudess e do Kevin Moore, antes dele.

Metal Na Lata: Muito obrigado pela entrevista, foi ótimo falar com você!

Luca Turilli: Eu que agradeço! Nós estaremos no Brasil em breve, não sei se ainda esse ano, talvez no começo do ano que vem. Em janeiro, começamos a turnê mundial na Europa e imediatamente depois, é claro que estaremos na América do Sul, é onde temos as melhores plateias! Será um set list para todos os gostos, para pessoas que gostam do estilo antigo e quem gosta de algo mais moderno. Temos muitas músicas que até os fãs antigos podem gostar, estão todos convidados!

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