Sejamos sinceros, ao pensarmos em países com bons exemplos de bandas de metal extremo, raramente voltamos nossa atenção aos Estados Unidos da América. Normalmente lembrado por conta de vertentes mais populares e radiofônicas, existem nomes persistentes entranhados nas mais sombrias e perturbadoras vertentes sonoras, sendo um dos mais consistentes a banda A Hill To Die Upon. A banda de Blackned Death Metal a cada novo trabalho mostra um melhor e maior desenvolvimento, sendo o último passo com o álbum “Via Artis Via Mortis” (2017), lançado pela Luxor Records. Confira agora, com exclusividade, a nossa entrevista com R. Michael Cook (bateria) onde além de abordarmos seu último lançamento, também falamos sobre sua história e legado.
Por Márllon Matos
Fotos gentilmente cedidas pela banda
Michael Cook: Hardcore realmente prevalecia em nossa área do Meio Oeste. E nos atraia porque era pesado e agressivo. As mesmas qualidades que nos atraíram para o hardcore mais tarde nos atraíram para o metal. Quando escutamos As I Lay Dying, tentamos escrever músicas tão pesadas quanto as deles, Quando passamos a ouvir Behemoth, 1349 e Amon Amarth, deixamos o hardcore para trás e começamos a formar o som do A Hill To Die Upon. Ainda escutamos muitas bandas de hardcore, mas não tanto quanto fazíamos nos nossos 15 anos.
Metal Na Lata: Uma certa instabilidade na formação sempre acompanhou a banda, tanto que todos os cds prévios eram gravados primordialmente apenas por vocês, irmãos Cook. Como isso se firmou e quem é o A Hill To Die Upon hoje.
Michael Cook: Meu irmão e eu sempre “pegamos muito pesado” coma banda. Isso significa que muitos de nossos membros e amigos não procuraram em fazer um grande acordo com a agenda intensa que nós mantínhamos nos primeiros 5 a 10 anos da banda. Nós diminuímos o ritmo recentemente e estamos mais propensos a encontrar uma rotina melhor para nós quatro. Atualmente, A Hill To Die Upon é Adam Cook (voz/guitarra), Nolan Osmond (guitarra), Brent Dossett (baixo) e eu (bateria).
Metal Na Lata: Não são poucos os casos de bandas com familiares em sua formação que passaram por momentos turbulentos em sua história, mas este não parece ser o caso dos irmãos Cook dentro do A Hill To Die Upon. Como é o relacionamento entre vocês enquanto irmãos e companheiros de banda?
Michael Cook: Adam e eu temos muitas diferenças. Provavelmente não tanto quanto a maioria das pessoas, porque sempre nos demos muito bem desde que éramos crianças. Apenas conversamos até descobrirmos quem está certo (risos).
Metal Na Lata: As letras presentes em seus trabalhos nunca foram apenas palavras sem nexo cantadas a esmo. É perceptível como elas forma se desenvolvendo gradualmente, anexando diversos elementos da filosofia,mitologia dentre outros campos. Foi algo planejado para buscar ser diferente entre uma multidão de bandas ou isto veio a surgir naturalmente?
Michael Cook: Minhas letras sempre se voltam para certos temas. Não procuramos usar certas idéias para o A Hill To Die Upon, mas existem conceitos que são muito importantes para Adam e eu. Depravação humana; a importância da divindade; o horror da guerra. Essas são as coisas que voltamos a dar escape para nossas necessidades artísticas e espirituais de novo e de novo. Nós usamos a mitologia porque eu estudei grego e latim na faculdade, juntamente com meus estudos sobre literatura. É uma antiga tradição ocidental usar a mitologia como uma metáfora na arte.
Metal Na Lata: Particularmente acho “Via Artis Via Mortis”(2017) o lançamento mais maduro e pessoal de vocês. Ainda que ele tenha certa conexão com o modus operandi do AHTDU ainda sim é diferente. Como ele é visto por vocês dentro da discografia da banda?
Michael Cook: “Infinite Titanic Immortal”(2009) e “Omens”(2011) foram dedicados ao desenvolvimento de nossa sonoridade. Com “Holy Despair”(2014), tentamos aprimorar nossas habilidades com o som que começamos. Nunca sentimos como se nossos três primeiros álbuns tivessem impactado o mundo artístico, mas foi bom para nós e as pessoas aparentemente gostaram deles. “Nekya” (de “Holy Despair”) abriu uma porta para nós. “Via Artis Via Mortis” foi uma tentativa intencional para seguir esta sonoridade.
Metal Na Lata: Diferente dos outros anos, desta vez fomos meio que pegos de surpresa com o anuncio de um novo álbum. Qual o motivo dessa decisão?
Michael Cook: Nossos primeiros três álbuns foram produzidos em uma longa e ininterrupta sequência de atividade da banda. Começávamos a escrever imediatamente após o lançamento do álbum anterior. Tiramos um tempo de descanso após “Holy Despair” (2014), então não procuramos para anunciar quando iríamos começar a escrever novamente. Mas, trabalhando com a Luxor Records, eles possuem um cronograma de lançamento e procuramos cumpri-lo.
Michael Cook: Matt e Bombworks foram maravilhosos com oA Hill To Die Upon, mas sentíamos que era a hora de mudar. A Luxor tinha nos procurado alguns anos atrás mas não estávamos prontos. Nossos amigos da banda Broken Flesh disseram que a gravadora estava trabalhando bem, e agora nossos amigos do Dagon disseram o mesmo. A Luxor Records tem grandes pessoas e nos tem ajudado muito a impulsionar nosso lançamento.
Metal Na Lata: De longe considero a faixa “Great Is Arthemis Of The Ephiseans” uma de suas melhores composições nessa quase década e meia de história. E não deixa de ser curioso notar que sua espinha dorsal é a faixa acústica “Nehustan” presente no álbum “Omens”(2011). Como surgir a ideia dessa ‘mutação’ ? Ocorreu alguma dificuldade durante o processo?
Michael Cook: Sempre procuramos fazer de “Nehushtan” uma canção completa, mas não encontrávamos um jeito de faze-lo durante a composição de “Omens”. A ideia permaneceu em cima da mesa para “Holy Despair”(2014), mas foi só quando estávamos escrevendo o material de “Via Artis Via Mortis”(2017).
Metal Na Lata: Ainda pegando um gancho, essas pequenas faixas acústicas eram uma das surpresas junto com a regravação de alguma canção tradicional em formato metalizado e ambas idéias foram descartadas neste último álbum. Algum motivo especifico para tal ato e há chances da tradição retornar em um futuro cd?
Michael Cook: Quanto a música tradicional, simplesmente não encontramos uma ideal. “Satan, Your Kingdom Must Come Down” e “O Death” fizeram muito sentido. Até brincamos com “Angel Band”, mas não parecia uma música que pudéssemos trabalhar. Tanto a faixa acústica quanto a versão não foram deixadas de lado intencionalmente, mas não queríamos faze-las apenas por hábito. Não tivemos muita inspiração nelas, então focamos em nossas músicas regulares.
Metal Na Lata: Existe uma boa relação com o público mexicano, já que diversas vezes o grupo teve a oportunidade de tocar lá. Como foram essas experiências em um modo geral e qual vez foi a mais impactante?
Michael Cook: Amamos o México! Tocamos por volta de 3 vezes lá, mas queremos retornar em breve!
Michael Cook: Amaríamos tocar no Brasil. É só uma questão de encontrar o produtor certo e pagar nossas passagens. Temos muitos fãs por ai e adoraríamos encontra-los logo!
Metal Na Lata: Michael, assim como muitos músicos brasileiros você também toca em outras bandas fora do espectro do metal. Alguma vez já o reconheceram como baterista do A Hill To Die Upon?
Michael Cook: Olha, não é comum. Eu toco mais country e western, e este público não costuma ouvir metal (risos).
Metal Na Lata: Para finalizar, as comparações com o Behemoth irritam vocês ou é algo que não lhes incomoda mais?
Michael Cook: Nós amamos Behemoth. A comparação faz sentido porque, juntamente com Satyricon e 1349, eles ainda são uma de nossas maiores influências.
Metal Na Lata: Muito obrigado pelo tempo disposto e pela entrevista. As palavras finais são suas.
Michael Cook: Agradecemos a todos que nos escutam. Esperamos tocar perto de vocês em breve!
Maiores informações:
Facebook: www.facebook.com/ahilltodieuponband
Instagram: www.instagram.com/ahilltodieupon
Youtube: www.youtube.com/AHTDUofficial
Bandcamp: www.ahilltodieupon.bandcamp.com
