Entrevista: Perpetual Requiem, banda paulista de Prog/Gothic/Doom

Perpetual Requiem - Foto - Ivo M
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Entrevista: Perpetual Requiem, banda paulista de Prog/Gothic/Doom

Em 03/09/2026, o Perpetual Requiem, banda paulista que mescla Gothic Doom e Prog em sua música, lançou seu registro de estreia, o EP An Ocean Of Sorrow (leia a resenha do Metal Na Lata). Esse registro impressionou, pois sua sonoridade segue o caminho da criatividade, dispensando fórmulas prontas. Embora sejam claras as influências de nomes como Anathema, Paradise Lost, Pink Floyd, Opeth e Machine Head, as composições do Perpetual Requiem soam ímpares.

Os três membros do line-up, Fernando Boccomino (vocal e guitarra), Marco Nunes (guitarra, baixo e vocal) e Fábio Moysés (bateria), já faziam trabalho autoral no Chaosfear, banda de Groove/Heavy Metal, porém nada parecido com o Perpetual Requiem.

A fim de saber como eles chegaram à sua proposta atual, entrevistei a banda. Acompanhe o que rolou nesse bate-papo logo abaixo.

Entrevistando Perpetual Requiem:

Meta Na Lata: o registro de estreia do Perpetual Requiem, o EP An Ocean Of Sorrow, traz uma diversidade de elementos musicais que formam uma identidade única, sem se prender, portanto, a fórmulas prontas e consagradas. Como os fãs de Metal, que costumam agir de forma reacionária quanto a novidades, reagiram ao seu primeiro lançamento?

Pepertual Requiem:

“O público em geral recebeu o álbum de braços abertos, na verdade. Quem nos conhecia de bandas anteriores imaginava que o álbum seria uma extensão delas, e isso pode ter sido um choque num primeiro momento. Mas, no geral, a resposta foi superpositiva.“

A diversificada e multi-facetada sonoridade do Perpetual Requiem

Metal Na Lata: Mesclar Anathema, Paradise Lost, Opeth, Pink Floyd, Machine Head, Depeche Mode, Sisters of Mercy, entre outras, em uma sonoridade, certamente, é nada comum. Esse conceito nasceu de forma deliberada ou natural enquanto se compunha as faixas do EP?

Perpetual Requiem:

“Foram as duas coisas, na verdade. Num primeiro momento, as músicas nasceram de ideias do Fernando e minhas que não teriam muito espaço em nossas bandas anteriores. A própria banda nasceu dessa forma, para viabilizar sons que não tinham espaço para vir à tona. Depois disso, decidimos que aquele seria o caminho a ser trilhado por nós.”

Metal Na Lata: Inegavelmente, essas primeiras quatro composições do Perpetual Requiem têm pontencial comercial. Assim sendo, vocês pretendem explorar ou investir nesse fato de alguma forma? Pois, ao contrário do que muitos fãs de Metal pensam, sucesso não é um heresia.

Perpetual Requiem:

“Acredito que o ‘potencial comercial’ que você citou tenha relação com o fato de que, apesar de densas, melancólicas e, de certa forma, arrastadas, as músicas são assobiáveis ou ‘cantáveis’. Isso faz com que elas possam transitar melhor por vários estilos, sem necessariamente fugir do Metal.

Transição sonora entre Chaosfear e Perpetual Requiem

Metal Na Lata: o mais recente registro do Chaosfear,o EP Aeternum (2021), de alguma forma, carrega a semente do que é,atualmente, o Perpetual Requiem?

Perpetual Requiem:

“Acredito que não diretamente. Mas existem, sim, semelhanças nas produções. Por exemplo, a presença de instrumentos diferentes do habitual do estilo. Outra coisa que temos em comum é o fato de focarmos mais no peso e nos sentimentos do que na velocidade e na agressividade. De qualquer forma, não foi algo deliberado.”

Divulgando An Ocean Of Sorrow

Metal Na Lata: houve algum show para celebrar o lançamento de An Ocean Of Sorrow? Para sua divulgação, há datas de shows agendadas?

Perpetual Requiem:

“Ainda não temos uma data específica para os shows, mas queremos fazer isso com bastante cuidado. Nosso objetivo não é apenas reproduzir as músicas ao vivo, mas conseguir levar para o palco toda a atmosfera, o peso e as nuances do álbum. Por isso, pensamos em algo pontual e bem organizado, para que a apresentação esteja à altura do material que produzimos.”

Planos para o futuro

Metal Na Lata: ainda que possa estar cedo para tal definição, vocês pretendem manter a proposta musical para a sua próxima gravação?

Perpetual Requiem:

“Já temos alguns sons em andamento, e eles têm a mesma tendência dos anteriores, ou seja, não ter um estilo muito definido.”

A ausência de vocal gutural

Metal Na Lata: quando ouvi An Ocean Of Sorrow, pensei que a qualquer momento haveria algum vocal gutural, mas isso não aconteceu. Embora esse fato não tire de forma alguma a qualidade das músicas, era algo meio que esperado. A banda nem chegou a pensar nessa possibilidade?

Perpetual Requiem:

“Nunca pensamos em ter vocais guturais. Não que isso não possa acontecer no futuro, mas nós temos uma coisa que poucas bandas têm: um vocalista que sabe cantar e tem uma voz extremamente marcante. Então, acredito que explorar essa característica seja muito mais excitante.”

Produção independente X Selo

Metal Na Lata: produção independente, há muito tempo, não é mais sinônimo de precariedade, já que a qualidade de An Ocean Of Sorrow é impecável em todos os sentidos. Ainda assim, a partir de agora, um selo não ajudaria a expandir a visibilidade de uma banda que possui um material com potencial em mãos?

Perpetual Requiem:

“Selos sempre são bem-vindos, desde que proporcionem possibilidades além das que já temos. Senão, permanecemos como estamos.”

A temática lírica do Perpetual Requiem

Metal Na Lata: com o intuito de mostrar ao leitor um pouco dos temas das letras do EP, vou escolher minha faixa predileta, “The Pleasure Of Freedom”. Entretanto, sintam-se à vontade para também falar sobre qualquer das outras três músicas.

Perpetual Requiem:

“As letras, de forma geral, giram em torno de tristeza, melancolia, luto e erros do passado, mas sempre com um fundo de superação e busca por dias melhores. Nossas letras não são depressivas nem negativas; abordamos todos esses aspectos citados acima, mas sempre de uma forma positiva.”

“Todos passamos por momentos difíceis e pesados, que nos deixam em situações delicadas, e a melhor forma de sairmos disso é colocarmos toda essa tristeza para fora, seja escrevendo ou conversando sobre ela. Guardar sentimentos negativos e tristezas só nos faz mal.”

“Por mais que seus dias estejam ruins e você se sinta para baixo, sempre haverá um suspiro de perseverança e esperança de dias melhores. Procuramos mesclar tudo isso em nossas letras!”

Considerações Finais

Metal Na Lata: esse espaço é livre e serve para vocês falarem sobre algo que não perguntamos na entrevista e que julguem de suma importância. Da mesma forma, para falar sobre o que venha à cabeça.

Perpetual Requiem:

“Agradecemos ao Johnny Z por todo o apoio que tem nos dado desde o início! E fiquem ligados: sigam nosso Instagram @perpetualrequiemband para acompanhar as novidades e as próximas datas de shows. Nos vemos na estrada!”

Metal Na Lata:

Nós é que agradecemos a atenção do Perpetual Requiem e, desde já, aguardamos novidades.

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