Eskröta – “Cenas Brutais” (2020)

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Eskröta “Cenas Brutais” (2020)
Independente
#Crossover#ThrashMetal#Hardcore

Para fãs de: NervosaSurraCemitérioNuclear AssaultRatos de PorãoD.R.I

Nota: 9,0

O mundo vem passando por momentos turbulentos em todos os aspectos possíveis e imagináveis, e uma das falsas revoluções humanas é o modo de pensar que somos todos livres e que as mulheres devem e podem ocupar qualquer profissão, o que de fato já passou da hora. No papel, tudo é muito bonito e com um agradável aroma, mas, infelizmente, na prática o que vemos é algo totalmente fora de qualquer realidade, ainda fizemos numa sociedade que finge acreditar na dor do outro, onde “um tapinha não dói”, sem ismos, achismos e rótulos. Para alguns de mentes retrógradas, o lado feminino ainda tem o dever de ser submisso, ficando a alta hierarquia apenas nos espaços domésticos e sexuais, numa visão “chicobuarqueana” exposta na clássica e poética, mas não menos verdadeira, “Mulheres De Atenas”.

Obviamente o mundo das guitarras pesadas também se encontra no submundo intelectual, mesmo com muita coisa mudando bastante nos últimos tempos. A banda Eskröta, que começou como um trio feminino e que hoje em dia tem seu line up com Yasmin Amaral (Vocal e Guitarra), Tamyris Leopoldo (Baixo) e John França (Bateria), lança agora em 2020, “Cenas Brutais”, um disco que é carregado pela realidade nua e cruel de uma parcela de brasileiros, digamos que ele explicitamente é uma audição do que era escrito no polêmico e sangrento Noticias Populares; assassinato, tortura, xenofobia, repressão policial, assedio e injustiça social.

Com os temas descritos acima, é impossível querer algo bonzinho e calmo, aqui as letras e instrumentais são um só, ou seja, agressivos, brutais com tudo sendo cuspido de forma acida e cortante sobre os ouvidos de porcelanas que fingem viver num belo e florido conto da Walt Disney. Faixas como “Grita”, “Tribunal Popular”, Não Vale Nada” e “Massacre”, são verdadeiros deleite para fãs de algo rápido com a banda fazendo muito bem a mistura Crossover com Hardcore, Thrash, Punk, ou com qualquer estilo rápido que pareça estar levando socos na velocidade da luz no melhor estilo cavaleiros de ouro.

As participações especiais de Mayara Puertas (Torture Squad) em “Vai se Arrepender”, Fernanda Lira (ex- Nervosa) berrando como de costume na faixa “Refugees” e o fechamento com “Filha do Satanás”, que conta com os vocais de Hugo Golon (Cemitério) num retrato atualizado e infelizmente ainda comum da obra “Carrie, A Estranha” do fenomenal Sthepen King, fazem com que o trabalho ganhe também em dinamismo, já que todos trouxeram suas personalidades para cada faixa.

“Cenas Brutais” dificilmente será batido na categoria “esfregar a verdade na sua cara” e muito provavelmente ganhará também na categoria surpresa, pois ele não é o que você tem certeza vai ser.

William Ribas

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