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Eternal Sacrifice – “Hierophant” (2026)

Eternal Sacrifice – “Hierophant” (2026)

Brazilian Ritual Records
#BlackMetal #PaganBlackMetal #SymphonicBlackMetal #EpicBlackMetal

Para fãs de: Cradle of Filth, Opera IX, Dimmu Borgir

Texto por Lucas David

Nota: 9,0

Com mais de 30 anos de carreira e chegando ao seu quarto álbum de estúdio, o Eternal Sacrifice aposta em seu lado mais pesado e extremo, tomando de assalto o underground com Hierophant, um disco que consolida a banda como um dos nomes mais fortes do metal nacional em termos de composição, técnica e poder.

O novo trabalho evidencia uma faceta mais teatral e visceral, com guitarras sujas e pesadas, vocais maníacos e uma cozinha que martela o ouvinte sem misericórdia. Cada faixa carrega o peso e a atmosfera de um ritual profano, repleto de blasfêmia. Há também um salto significativo na produção: os instrumentos soam cristalinos, fugindo da típica cacofonia do estilo, mas sem perder a agressividade e a essência selvagem. A arte de capa, assinada por Rubens Azoth, merece destaque ao capturar com precisão toda a aura obscura e ritualística do álbum.

Musicalmente, o disco transita entre momentos de velocidade extrema, com blast beats intensos, e passagens mais cadenciadas, flertando com o Doom Metal e incorporando elementos fúnebres. O uso de teclados contribui fortemente para a ambientação, criando uma atmosfera de tensão, medo e imponência.

A faixa de abertura, “Os Três Anéis de Vara (In Frontibvs Ardes, O Serpens Splendide XVIII)”, sintetiza bem essa proposta, com riffs gélidos em tremolo, bateria avassaladora e os vocais dominantes de Magister Templi Lhorde Haadaas Anton Naberius: Cultibus Magicis, que soam especialmente ameaçadores nos momentos mais cadenciados. “Toth’s Letters (Clavem Ritvvm In Verbo Occvlto Dedi Tibi XX)” mantém a intensidade, alternando entre velocidade e peso, destacando riffs hipnotizantes e um solo marcante, além de um uso mais evidente dos teclados, remetendo ao que o Dimmu Borgir apresentou em Puritanical Euphoric Misanthropia (2001).

“Under The Shroud (Corpvs Tvvm Nvdvm In Calcvlo Et Calice Meo Abvndans Tvo Immacvlato Sangvine DCLXVI)” eleva o caráter épico do disco, com mudanças de andamento, passagens acústicas e vocais mais suaves que funcionam como respiro, sem perder a intensidade. Já “Thargirion (The Highest Scale Of The Tree Of Death, The One Who Opposes Tiphareth)” encerra o álbum com grandiosidade, combinando riffs pesados, blast beats e elementos corais que reforçam o tom ritualístico e épico da obra.

Sem medo de explorar sua identidade e sem se limitar a fórmulas prontas, o Eternal Sacrifice entrega um trabalho denso e desafiador. Hierophant não é um álbum de fácil digestão, mas recompensa aqueles que se entregam à experiência com uma jornada épica, ritualística e envolvente. É, sem dúvidas, o ápice da banda em sua forma mais blasfema, agressiva e brutal.

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