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Evergrey – “Architects of the New Weave” (2026)

Evergrey – “Architects of the New Weave” (2026)

Napalm Records | Valhall Music
#ProgressiveMetal #DarkMetal

Para fãs de: Dream Theater, Symphony X, Kamelot

Texto por: Henrique Haag

Nota: 9,0

Depois de mais de três décadas de carreira, o Evergrey chega a “Architects of the New Weave” vivendo uma nova etapa de sua história. O álbum marca a estreia oficial do baterista Simen Sandnes em estúdio, após ele já ter acompanhado a banda ao vivo. Além disso, é o primeiro disco em mais de dez anos sem Jonas Ekdahl, que deixou o grupo em 2024 após uma longa passagem pela formação.

O trabalho também foi marcado pela saída de Henrik Danhage, guitarrista que integrou o Evergrey em diferentes momentos de sua trajetória. Durante as gravações, Johan Niemann assumiu uma função pouco habitual e dividiu com Tom S. Englund a execução dos solos de guitarra. Stephen Platt, por sua vez, não participou das gravações, mas entrou oficialmente para a banda posteriormente como segundo guitarrista. Assim, a nova formação se consolidou ao lado de Tom, Johan, Simen e do tecladista de longa data Rikard Zander.

Mesmo diante dessas mudanças, “Architects of the New Weave” não representa uma ruptura com o som construído pelo Evergrey ao longo dos anos. Peso, melancolia, melodias marcantes e elementos progressivos continuam presentes. Entretanto, esses ingredientes aparecem organizados de maneira que permite à banda explorar novas possibilidades sem deixar de lado sua identidade.

Faixa a faixa

A abertura fica por conta de “Welcome to the Pattern”, uma introdução curta que utiliza uma voz robotizada para recitar trechos da letra da faixa-título. Em vez de funcionar como uma música completa, ela atua como uma introdução narrativa, apresentando o conceito de “Architects of the New Weave” antes do início propriamente dito do álbum.

“The Shadow Self” chega intensa e bastante progressiva. Riffs pesados e intrincados, grooves de bateria marcantes e uma melodia forte criam uma composição que representa bem a capacidade do Evergrey de combinar agressividade e emoção. Tom conduz a música com uma interpretação que alterna momentos mais contidos e outros de maior intensidade. Enquanto isso, Simen acrescenta uma nova dinâmica à cozinha do grupo, criando arranjos que representam uma abordagem diferente dentro da discografia. Os coros dos refrões também trazem uma novidade, com a participação de Salina Englund, filha de Tom.

A faixa-título, “Architects of the New Weave”, amplia ainda mais a atmosfera construída no início do disco. A música explora diferentes momentos, combinando passagens mais pesadas com trechos melódicos. Em alguns momentos, lembra “The Storm Within”, álbum de 2016. Além disso, é a faixa que melhor sintetiza esta fase da banda, com refrões para cantar junto e um equilíbrio entre os elementos tradicionais do Evergrey e uma abordagem mais contemporânea.

Em “The World Is on Fire”, a banda aposta novamente em uma sonoridade pesada e extremamente quebrada. As guitarras ganham bastante espaço, enquanto a bateria conduz a música com força. Ao mesmo tempo, os vocais mantêm a característica melódica que acompanha o grupo desde seus primeiros trabalhos. A composição transmite uma sensação de urgência e amplia o contraste entre a música e sua letra.

“Heaven” reduz um pouco a melancolia e apresenta um dos momentos mais rápidos e atmosféricos deste novo trabalho. A música dá mais espaço aos vocais de Tom e desenvolve uma construção que conduz ao refrão marcante. É uma faixa que mostra um lado mais contemplativo do Evergrey, sem abandonar completamente o peso. Mais uma vez, a bateria de Simen se destaca, impulsionando a música sem acelerar artificialmente sua construção. Outro detalhe que chama a atenção é o tema de guitarras antes dos solos, que lembra bastante um trecho de “The Masterplan”, do álbum “In Search of Truth”, de 2001.

Na sequência, “The Script” recupera a melancolia que só o Evergrey consegue trazer para suas músicas. As melodias de teclado ganham destaque, fazendo com que os riffs de guitarra funcionem mais como acompanhamento durante o desenvolvimento da composição. Enquanto isso, Tom conduz a narrativa com uma interpretação que alterna força e tristeza, acompanhando o conteúdo da letra. A música também demonstra como o Evergrey consegue utilizar elementos progressivos sem transformar suas composições em exercícios de virtuosismo.

“Leaving the Emptiness” segue por uma direção mais positiva em meio à melancolia do restante do trabalho. A composição explora sentimentos de vazio e distanciamento, temas recorrentes na obra da banda. No entanto, sua construção gradual acaba transformando a música em algo surpreendentemente positivo. As guitarras contribuem tanto para o peso quanto para a atmosfera, enquanto a bateria acompanha as mudanças de intensidade. A banda também lançou um videoclipe bastante diferente de tudo o que havia apresentado em sua discografia até então.

Em “Longing”, a banda aposta novamente em uma abordagem mais melódica e emocional. A música cria um contraste interessante com as faixas mais pesadas do álbum e permite que Tom coloque sua interpretação vocal em primeiro plano. Os teclados, por sua vez, sustentam boa parte do clima da composição. Aos poucos, a música cresce e utiliza diferentes camadas instrumentais para reforçar sua mensagem. Vale a pena prestar atenção à letra. Trata-se de uma balada bastante progressiva que, assim como “The Script”, traz à tona o lado mais melancólico do Evergrey.

“A Burning Flame” conta com a participação especial de Mikael Stanne, vocalista do Dark Tranquillity, The Halo Effect e Cemetery Skyline, adicionando uma nova dimensão à música. Eu esperava que o contraste entre as vozes de Mikael e Tom fosse maior. Ainda assim, a combinação funciona bem dentro da identidade melódica do Evergrey. O resultado é um dos encontros mais interessantes que a banda já realizou e uma das faixas que mais se distancia da fórmula tradicional do grupo.

“Call Off Your Lions” retoma uma abordagem mais pesada e direta. A música apresenta riffs fortes, uma bateria bastante presente e uma construção que alterna momentos de maior agressividade com passagens melódicas. A composição evidencia a importância da nova dinâmica trazida por Simen, especialmente na maneira como a bateria interage com as guitarras.

Em “Chains of Shame”, o clima volta a ficar mais sombrio. A música trabalha com uma atmosfera densa e uma construção que privilegia o peso e a interpretação vocal. Ao longo da composição, as guitarras criam diferentes camadas, enquanto a seção rítmica mantém uma base sólida para o desenvolvimento da faixa.

O encerramento da edição regular fica por conta de “The Prophecy”. A música recupera elementos de trabalhos anteriores, principalmente de “The Aftermath”, do álbum “Hymns for the Broken”, de 2014, e da faixa-título “The Storm Within”, de 2016. Peso, melodias e atmosferas tristes e melancólicas dão ao disco um encerramento digno de um álbum do Evergrey. É daqueles finais que fazem os fãs mais atentos à trajetória da banda continuarem acompanhando cada novo trabalho.

A edição brasileira

A edição brasileira de “Architects of the New Weave” acrescenta três faixas bônus, que também aparecem na edição europeia deluxe. “Heights” amplia o repertório com uma composição triste que lembra bastante algumas músicas da banda inglesa Coldplay. Ainda assim, mantém a atmosfera característica do Evergrey. É uma faixa curta que funciona como complemento natural ao álbum.

Na sequência, aparece “Oxygen! (Album Mix)”, primeiro single deste novo trabalho, aqui apresentado com uma nova mixagem. A faixa havia sido lançada anteriormente durante a turnê europeia do Evergrey em conjunto com o Katatonia. Além disso, mostra um lado mais triste e introspectivo do que boa parte do restante do disco.

Fechando a edição brasileira, “One Heart” apresenta uma abordagem mais direta e tradicional em relação ao restante do álbum. Lançada originalmente apenas no vinil especial do disco anterior, “Theories of Emptiness”, de 2024, a faixa funciona bem como material adicional justamente por explorar um lado mais direto ao ponto do Evergrey. O refrão conta ainda com as vozes dos fãs que participaram da campanha divulgada pela banda na época da gravação, o que torna a música especialmente significativa. Ela já havia sido disponibilizada posteriormente nas plataformas de streaming. Portanto, não é totalmente desconhecida pelos fãs, mas agora também passa a integrar a edição brasileira em CD.

Ao longo de “Architects of the New Weave”, o Evergrey demonstra que as mudanças em sua formação não significam necessariamente uma mudança de identidade. A estreia de Simen na bateria acrescenta uma nova dinâmica à banda. Já a participação de Johan nos solos de guitarra revela uma faceta diferente da formação e contribui para o caráter particular deste momento do grupo.

“Architects of the New Weave” representa, portanto, um momento de transição. É um álbum marcado por mudanças importantes, mas o resultado mantém os elementos fundamentais da identidade do Evergrey enquanto registra o início de uma nova etapa em sua história.

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