
Banda principal: Evergrey
Local: Teatro Rival Petrobras, Rio de Janeiro/RJ
Data: 22/11/2019
Produção: OnStage Agência
Texto por Marcelo Vieira
Fotos por Gustavo Maiato e Rogério Talarico
Às vésperas de completar vinte e cinco anos de carreira, o Evergrey volta ao Brasil para promover “The Atlantic”, seu décimo primeiro álbum e terceiro volume da série “conceitual, mas nem tanto” iniciada em 2014 com “Hymns for the Broken” e continuada em 2016 com “The Storm Within”. Sem dar as caras por aqui desde 2011, quando a turnê Glorious Collision incluiu cinco datas no país, o quinteto liderado pelo genial Tom S. Englund, obviamente, privilegiou material recente na primeira das três etapas do giro atual, ocorrida no Rio de Janeiro, na última sexta-feira, 22, numa infeliz coincidência de dia com outro importante show na cidade. Mais infeliz ainda é o fato de esse outro show, do Viper & Guests, ter sido cancelado devido à baixa vendagem de ingressos.
Não que o Teatro Rival estivesse lotado, também. Veja: se nem todos que gostam de pizza e de batata frita gostam de pizza de batata frita, nem todos que gostam de prog metal e de power metal gostam do Evergrey. Ao reunir características tanto de um gênero quanto de outro no seu chamado “dark melodic metal”, os suecos acabam não soando tão experimentais ou “pseudo-clássicos” como gostariam os fãs de prog nem sustenidos e velozes a ponto de fazer os fãs de power empunharem suas espadas e partirem rumo a terras distantes montados em seus dragões unicórnios. Sua “fanbase” é, portanto, tão específica quanto o som e, talvez por isso, seja também numericamente limitada.
Em se tratando de casa, porém, houve upgrade em relação ao antigo Teatro Odisseia, local da apresentação de 2011: além do som melhor, nada da sucursal do inferno que é o bairro da Lapa numa sexta à noite no entorno. O mesmo, porém, não se pode dizer da iluminação: se de um lado havia o perigo de crises epiléticas por fotossensibilidade devido aos estrobos contínuos, de outro, os fotógrafos, tanto profissionais quanto aqueles que preferem assistir ao show pela tela do celular, sofreram para obter bons cliques em meio à falta de luzes na frente do palco — um pedido da banda, vale destacar.
“Vocês estão ótimos. Já nós cinco estamos na merda”, brinca Tom ao final de “Weightless”. A segunda da noite e também segunda de “The Atlantic”, com seu refrão grudento (“It’s over, it’s over my friend…”) sendo entoado como se fosse um clássico, ditou o tom das duas horas e pouco seguintes, quando a expectativa de um repertório mais propenso à fase recente foi quebrada com a inclusão de números das antigas como “Words Mean Nothing”, de “Solitude, Dominance, Tragedy” (1999), e “Monday Morning Apocalypse”, faixa que dá nome ao sexto álbum do grupo, lançado em 2006.
Quando um fã grita “eu te amo”, Tom responde com “você me assusta”. Tendo a escuridão se tornado acolhedora, celulares foram guardados. Letras como a de “Passing Through” estavam na ponta da língua. Introduções e passagens eram pontuadas por “hey, hey, hey, hey”. “The Fire” trouxe o baixista Johan Niemann, mais do que fazendo backing vocals, basicamente ecoando o que Tom cantava, num esquema de chamada e resposta que torna a metafórica letra sobre fim de relacionamento ainda mais desesperadora: “Are the fires the same? Still burning the same?”, questiona.
Se headbanging sincronizado fosse modalidade olímpica, medalha de ouro para o Evergrey. Aliás, toda a movimentação sobre o palco parece friamente calculada, mas nem por isso tem-se a impressão de uma performance burocrática. Tudo bem que Tom poderia agradecer com mais do que um simples “joinha”, mas antes isso do que os “coraçõezinhos”, né? Na plateia, em vez de rodas de pogo, cirandas do bem nas quais “brothers of metal” rodavam com uma mão no ombro do colega ao lado e a outra segurando uma das long necks mais inflacionadas da noite carioca. “Se tem álcool, eu tô bebendo!”, exclama Tom enquanto abre ele mesmo a sua própria cerveja.
Clima de festa, apesar da emotividade em alta, sobretudo em “I’m Sorry”, puxada pelo tecladista Rikard Zander após uma breve exibição solo. Com um desempenho campeão de Henrik Danhage — do qual este que vos escreve conseguiu a palheta e cuja Charvel não nega a preferência pelo hard rock —, “All I Have”, outra de “The Atlantic” e quem sabe o melhor momento do disco, antecipou “The Grand Collapse”, a última do tempo regulamentar. No bis, almas foram lavadas com saliva e lágrimas na sequência “Recreation Day”, “A Touch of Blessing” e “King of Errors”. E a considerar o volume do canto nessa trinca, pode-se concluir que o saudosismo é real e oficial.
O Metal Na Lata agradece a OnStage Agência pelo credenciamento e pela parceria.
Setlist Evergrey:
A Silent Arc
Weightless
Distance
Passing Through
The Fire
Leave It Behind Us
As I Lie Here Bleeding
Black Undertow
Monday Morning Apocalypse
Words Mean Nothing
I’m Sorry
My Allied Ocean
All I Have
The Grand Collapse
When the Walls Go Down
Recreation Day
A Touch of Blessing
King of Errors






















