Exhumation – “Seas of Eternal Silence” (1997/2019) (Relançamento)
Vic Records
#DeathMetal, #MelodicDeathMetal, #TechnicalDeathMetal, #AtmosfericDeathMetal
Para fãs de Hypocrisy, Death, Atheist Band, Nightrage
Nota: 9,0
Apesar de eu ter certa ressalva ao denominado “Death Metal melódico”, os gregos do Exhumation souberam utilizar muito bem essa premissa, no caso a melodia, a seu favor. “Seas of Eternal Silence” é o álbum de estreia da banda, sendo lançado em 1997, e tendo agora uma edição remasterizada, que conta com o acréscimo da demo “Deepest Side of Fear” (94) como bônus.
Contando com gente conhecida em suas fileiras (o guitarrista Marios Iliopoulos, hoje atualmente no Nightrage, começou sua carreira no grupo), o Exhumation parece estar em processo de hibernação, pois seu último lançamento fora “Traumaticon” de 1999, e desde então, pouco se sabe sobre o quinteto.
Um pouco de história no intuito de situar o ouvinte, vamos aos fatos: “Seas of Eternal Silence” é um dos poucos álbuns que se utilizam de andamentos climáticos, atmosferas crescentes e estruturas um pouco mais rebuscados, mas que nunca ofuscam com isso sua real essência. Felizmente, posso afirmar que o que prevalece no trabalho é o Death Metal de fato! Aquele som poderoso, pesado e visceral que tanto amamos é o real fio condutor aqui, e não mero coadjuvante.
Uma cozinha pesada e consistente, fornecendo o substrato necessário para o desenvolvimento harmônico; inserções de teclados corretas, constantes, porém sabiamente conectadas à realidade instrumental; linhas de guitarra coesas e encorpadas, que apesar de, por vezes, soarem tecnicamente complexas, nunca demonstram-se autoindulgentes ou “masturbatórias”, e um vocal que é bastante básico, mas que “vomita” as entranhas quando a música pede e remete às formações clássicas do gênero, configuram uma surpresa digna para este redator, que conheceu a banda um pouco tarde, mas promete redimir-se deste erro enquanto é tempo.
Não tive acesso ao disco original de 97, portanto não posso comparar, mas a versão atual conta com uma excelente produção, porém que ainda reflete discretamente aquela “sujeira” dos primórdios. “Seas of Eternal Silence” é um álbum cativante, com uma agressividade refinada (se é que isso é possível), onde podemos extrair belos momentos de uma musicalidade acachapante. “Beyond the Eyes of Universe” é grandiosa, bem como “Guilts of Innocence”. A instrumental “Monuments”, o ato derradeiro, também merece destaque, por evidenciar a capacidade exuberante dos músicos em criar momentos de grande intensidade musical.
Falei demais. Realmente, é uma banda que me chamou bastante a atenção. Faça um favor a si mesmo e deixe a arte falar. Ouça esse disco!
Ricardo L. Costa
