Exodus – Carioca Club, São Paulo/SP (09/10/2025)
Produção: Livinstage | CKConcerts | Honorsounds | Roadie Crew
Texto por Mauro Antunes
Colaboração Caio Siqueira (parte do Throw Me To The Wolves)
Fotos por Leandro Almeida
Vídeo por Johnny Z.
Quando cheguei ao local, havia muita, mas muita gente mesmo do lado de fora, mesmo antes do início do show da banda de abertura. Pensei comigo: se aqui fora está assim, com tanta gente, lá dentro deve estar meio vazio ainda. Puro equívoco. Lá dentro já estava quase lotado. Onde, afinal de contas, iria caber tanta gente assim? Honestamente, não sei a resposta. O que posso dizer é que nunca havia visto o Carioca Club tão cheio como desta vez.
A noite começou incendiária com o Throw Me To The Wolves, banda que vem se consolidando como um dos nomes mais promissores do Melodic Death Metal nacional. Herdeiros diretos da escola sueca de nomes como Amon Amarth, In Flames e Soilwork, os músicos vêm construindo uma identidade própria dentro do estilo. Coube a eles a responsabilidade de abrir a apresentação do lendário Exodus, e o grupo cumpriu muito bem sua missão. Entregou uma performance coesa, técnica e animada.
Pontualmente às 19:50, os músicos subiram ao palco sob aplausos e já iniciaram o ataque com “Chaos”, faixa que carrega riffs velozes, perfeita para abrir o mosh pit e preparar o público para o massacre sonoro da noite. Em seguida, “Tartarus” apresentou um peso “dos brabos”, equilibrando brutalidade e um refrão melódico que mostrou a versatilidade do grupo. O vocalista Diogo Nunes conduziu o público com segurança, alternando guturais densos e médios rasgados, imprimindo personalidade e controle técnico sobre cada linha vocal.
A sequência com “Days of Retribution” trouxe um riff simples, porém altamente viciante — daquelas faixas que gruda na mente e convida à interação. Já em “Fragments”, o o quinteto demonstrou habilidade em transitar entre diferentes climas: um riff inicial arrastado e pesado que evolui para passagens rápidas e precisas, mostrando domínio de dinâmica e estrutura.
“Gates of Oblivion” teve destaque especial pela bateria de Maycon Avelino, que iniciou a faixa com uma virada poderosa e manteve o ritmo coeso durante toda a execução, alternando blast beats e grooves com naturalidade impressionante. O entrosamento instrumental se destacou ainda mais na estreia do guitarrista Fabrício Fernandes, que mostrou sintonia imediata com Guilherme Calegari — a dupla criou um diálogo fluido entre bases e solos, sem vacilos ou desencontros, como se já tocassem juntos há anos.
O set manteve o fôlego com “An Hour of Wolves”, momento de destaque pela combinação entre peso e melodia — uma das marcas mais fortes da banda — até chegar ao encerramento com “Gaia”, faixa que sintetiza bem a proposta do grupo: técnica, atmosfera sombria e energia ininterrupta. O show apresentou quase na íntegra o álbum da banda, resultando em uma experiência coesa e sólida.
Tecnicamente, o show foi um exemplo de profissionalismo: a iluminação valorizou as mudanças de clima das músicas, com variações entre tons vermelhos e azuis que reforçaram o caráter dramático das composições, enquanto o som se manteve claro e bem equalizado, com destaque para a definição das guitarras e a clareza da bateria — algo nem sempre fácil em apresentações de abertura.
Ao final de 40 minutos, o público aplaudiu uma performance intensa, mostrando que o Throw Me To The Wolves está em plena ascensão. Foi uma abertura digna de palco internacional, reafirmando a força do brasileiro e deixando o público no ponto certo para a destruição que viria com o Exodus. Se continuarem nessa toada, sses caras vão longe!
Setlist Throw Me To The Wolves:
Chaos
Tartarus
Days of Retribution
Fragments
Awakening My Demons
Gates of Oblivion
An Hour of Wolves
Gaia














Após uma gravação em áudio com o saudoso Paul Baloff, voz original do Exodus que nos deixou em 2002, vociferando as suas loucuras da época, eis que a introdução de “Bonded by Blood” começa a rolar, e é impossível se conter. Todos ao meu redor começaram a gritar esperando os monstros do thrash entrarem no palco e, quando o fizeram, a casa veio abaixo. Minha primeira sensação foi saudar a volta de Rob Dukes ao microfone principal. O cara é uma máquina de destruição!
Infelizmente, por conta de problemas familiares, o baixista Jack Gibson teve que se ausentar da turnê, sendo substituído por Steve Brogden, roadie de Gary Holt e também guitarrista da excelente banda norte-americana de thrash metal Nukem.
Seguindo a pancadaria, vieram “Exodus” e “And Then There Were None”, ou seja, um prato cheio para quem gosta de fúria com doses melódicas. “A Lesson in Violence” é daqueles hinos que não têm como ficar parado, e na voz de Dukes soa ainda mais furiosa. A guitarra de Gary Holt estava particularmente alta nesta faixa, o que ninguém seria louco de reclamar. E o que dizer da rápida e brutal “Metal Command”? Como eu não estava familiarizado com o setlist, estranhei não ouvir o inesquecível riff inicial de “Piranha” logo na sequência, seguindo a ordem do álbum, já que a banda estava comemorando os 40 anos de “Bonded by Blood”.
Entrou em ação um dos petardos gravados originalmente por Dukes, a longa e pesadíssima “Iconoclasm”. Nesta faixa, a banda chamou ao palco o baixista Gerson Polo (Funeral Blood, banda brasileira tributo ao Exodus), substituindo Steve Brogden numa atitude gigante de humildade de todos em relação à banda tributo. Imagino como deve ter ficado a cabeça de Gerson ao receber o convite (risos). No palco, no entanto, ele se mostrou super focado, nada nervoso, e mandou muitíssimo bem por várias faixas.
O hit “Blacklist” tornou-se obrigatório nos shows do Exodus, talvez o grande momento pós-volta com o clássico “Tempo of the Damned” (2004). Nessa, Dukes e Steve tocaram a guitarra de Gary enquanto ele virava uma garrafa de Heineken que entrou até pelo nariz (risos). Para quem não se lembra, basta assistir ao DVD “Shovel Headed Tour Machine”, gravado no Wacken, para entender o quanto essa parte é sensacional.
“Fabulous Disaster” é outro clássico que ganha contornos violentos na interpretação “suave” de Rob Dukes, e aqui não foi diferente, sendo ovacionado por todos. A volta para as faixas de “Bonded by Blood” veio com uma ligeira mudança na ordem, trazendo a “baladinha” (em sentido figurado, obviamente) “No Love”. Uma delicadeza só (risos).
A emoção tomou conta quando a banda mostrou todo seu respeito e devoção ao lendário Paul Baloff. Gary e Dukes falaram sobre ele, mesmo Dukes não tendo tido a chance de conhecê-lo pessoalmente na época, e então executaram a longa “Deliver Us to Evil”, que para mim foi o ápice do show. O trabalho de banda que essa faixa exige é algo ímpar. Eles estavam inspiradíssimos quando criaram esse monstro de quase oito minutos.
Aí sim, chegou o momento de “Piranha”, sempre celebrada aos berros pelos fãs, com a máquina de esmurrar com técnica ímpar à cargo de Tom Hunting mais uma vez brilhando. Nessa, Dukes convidou Fábio Seterval, vocalista da Funeral Blood, para cantar a segunda parte, e o rapaz mandou muitíssimo bem. “Brain Dead” contou com os backing vocals de Lucca Ferreira (administrador da página Exodus Brasil), junto a Steve, que retornara ao baixo, puro caos!!!
As faixas antigas na voz de Dukes — sem desrespeitar os vocalistas anteriores — ficam ainda mais violentas e brutais. Com “Impaler” não foi diferente: um verdadeiro arregaço!
Um ponto chato, em meio ao frenesi da apresentação e à lotação do local, foi o quase esmagamento do público encostado na grade. Lee Altus chamou veementemente a atenção da segurança, que demorava a agir. Nesse momento, alguns fãs começaram a subir nas pessoas da frente tentando fazer stage diving. Para evitar uma tragédia, Lee e Dukes ajudaram os fãs a subir no palco para não se machucarem. O mergulho de volta, porém, foi por conta e risco deles (risos). Hilário!
O massacre caminhava para o fim, e nada mais justo do que nos brindarem com o clássico “The Toxic Waltz”, precedida por trechos de “Raining Blood”, do Slayer, e “Motorbreath”, do Metallica, deixando a pista em verdadeiro pandemônio. Grande momento!
Mas a cereja do bolo ficou para o final: “Strike of the Beast”. Mais uma vez, o Carioca Club presenciou um caótico Wall of Death no meio da pista. A intensidade com que todos vivenciaram esse massacre sonoro foi inesquecível. Entrei rapidamente nesse caos, porque quem não entra está vivendo errado. Um show de pancadaria e truculência como nós, fãs, tanto adoramos.
Uma pena não terem incluído no setlist a faixa “Hell’s Breath”, lançada na regravação “Let There Be Blood” (2008). Seria o epílogo perfeito, já que foi originalmente gravada por Dukes para esse álbum. Mas, se formos pensar assim, tanta coisa boa ficou de fora: “Pleasures of the Flesh”, “Cajun Hell”, “Objection Overruled”, “Deathamphetamine”, “Riot Act”, “Downfall”, “Food for the Worms”… Só para citar algumas. Teríamos cinco horas de show — algo para o qual talvez a humanidade ainda não esteja preparada. Que show, meus amigos. Sorte de quem foi!
Registramos aqui nosso agradecimento à toda equipe da produção e assessoria pela parceria, credenciamento e suporte ao Metal Na Lata.
Setlist Exodus:
Bonded by Blood
Exodus
And Then There Were None
A Lesson in Violence
Metal Command
Iconoclasm
Blacklist
Fabulous Disaster
No Love
Deliver Us to Evil
Piranha
Brain Dead
Impaler
The Toxic Waltz
Strike of the Beast



























