Exodus – Goliath” (2026)

Exodus_Goliath
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Exodus – Goliath” (2026)

Napalm Records
#ThrashMetal #GrooveMetal

Para fãs de: Testament, Death Angel, Forbidden, Lamb Of God

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Veteranos que ajudaram a escrever as regras do thrash não costumam pedir licença — e, em Goliath, o Exodus simplesmente reafirma isso com uma naturalidade quase desconcertante. O disco não soa como um esforço para se manter relevante; soa como domínio de território.

A abertura com “3111” já deixa claro que não há espaço para aquecimento. O riff vem seco, cortante, daqueles que carregam décadas de história no timbre, mas com energia gritando na sua cara. É agressiva, direta e sem rodeios — o tipo de faixa que define o tom não só do álbum, mas da postura da banda aqui: sem nostalgia, sem concessões, puro caos, e isso a gente gosta muito (risos).

Quando “Hostis Humani Generis” entra, a sensação é de impacto ampliado. Há mais variações, mais tensão e, principalmente, uma dinâmica que transforma cada mudança de andamento em um gatilho natural para o caos. “The Changing Me” segue outro caminho interessante, misturando uma pegada mais tradicional dentro da estrutura thrash, sem soar deslocada — pelo contrário, adiciona camadas e mostra que ainda há espaço para expandir sem perder a identidade. Nessa faixa, temos o momento em que o Exodus mais se aproxima do Testament em termos de riffs, porém com um refrão gritado no estilo ‘metalcore’ — o que, acredite (e não se desespere), funcionou muito bem.

“Promise You This” mantém o ataque que a banda vinha apresentando nos últimos álbuns, especialmente nos trabalhos com Rob Dukes, e, ao longo de toda a audição, essa premissa é levada adiante. Porém, nesta faixa, há um elemento levemente radiofônico (não confunda com comercial); ou seja, as melodias vocais, unidas às guitarras no refrão, trazem um tom menos agressivo, mesmo com a avalanche sonora por trás. Uma bela inovação na forma como a banda se apresenta.

É na faixa-título que o disco realmente ganha algo fora da bolha convencional. “Goliath” não depende da velocidade para se impor; ela cresce aos poucos, pesada, arrastada, quase como um doom metal opressivo. É o tipo de composição que evidencia maturidade — não pela complexidade gratuita, mas pela forma como cada elemento é colocado no lugar certo para construir impacto. Porém, nem tudo são flores: por mais que o peso esteja em evidência, a faixa destoa bastante do restante do álbum e, na minha opinião, se afasta demais da proposta de thrash metal rápido e brutal que a consagrou.

Na sequência, ainda bem, temos a brutalidade característica de volta com “Beyond The Event Horizon” e “2 Minutes Hate”, que funcionam como um contraste necessário. A primeira aposta em técnica e construção mais detalhada, trazendo até um pouco de Slayer, enquanto a segunda explode em energia crua, com aquela sujeira controlada que sempre foi uma assinatura da banda. E, sim, há um leve toque de AC/DC em alguns riffs — daqueles que fazem você bater o pé embaixo da mesa (risos).

Já “Violence Works” desacelera o suficiente para trazer groove, sem jamais perder o peso — uma pausa estratégica antes da reta final. Seu início e andamento assustarão muita gente, mas tenham calma, pois rapidamente o bicho pega! Seus riffs são incríveis, e aqui Gary Holt se supera ainda mais: pura criatividade! Faixa que não foge do foco da banda, mas também consegue mostrar versatilidade e senso de dinâmica, provando que é possível explorar diferentes caminhos sem comprometer a identidade. É nesse equilíbrio entre cadência e agressividade que a música se destaca, preparando o terreno com eficiência para o desfecho do álbum.

“Summon Of The God Unknown” mergulha em uma atmosfera mais densa, quase sufocante, lembrando um pouco faixas como “Blacklist” ou “Funeral Hymn”, especialmente nas palhetadas, porém mais arrastada e com guitarras pesadas e diretas, na cara do ouvinte.

Fechando o álbum, temos a pancadaria desenfreada de “The Dirtiest Of The Dozen”, que encerra tudo com agressividade e sensação de missão cumprida. A faixa remete, ainda que de forma sutil, a momentos de Blood In, Blood Out (2014). O trabalho de baixo de Jack Gibson chama atenção, assim como os solos, que saltam aos ouvidos.

Não há queda de nível: o disco se sustenta do início ao fim com consistência rara. Um dos grandes méritos aqui está na forma como tudo soa extremamente nítido sem perder brutalidade. Ainda assim, se comparado aos outros álbuns da era Rob Dukes, este é o menos veloz e o mais carregado de groove.

A produção valoriza cada instrumento, cada virada — Tom Hunting, mais uma vez, dá uma aula de técnica, energia e agressividade na bateria — e cada ataque vocal, permitindo que os detalhes apareçam sem enfraquecer o impacto geral. E isso faz diferença, especialmente em um álbum que trabalha tanto com variações de intensidade.

A voz de Rob Dukes segue sendo um dos grandes diferenciais do álbum. Seu timbre áspero e agressivo carrega aquela sujeira característica do thrash metal mais visceral, mas sem abrir mão de uma dicção clara que valoriza cada linha vocal. Dukes alterna com naturalidade entre ataques mais rasgados e passagens levemente mais cadenciadas, o que adiciona dinâmica às composições e evita que tudo soe uniforme. É uma performance segura, intensa e, acima de tudo, carregada de personalidade — daquelas que não apenas acompanham o instrumental, mas ajudam a elevar o impacto de cada faixa, com uma certa dose de modernidade.

Os solos de Gary Holt e Lee Altus também merecem destaque, funcionando como verdadeiros pontos de respiro dentro da brutalidade do álbum. Sem cair em exibicionismos desnecessários, são construídos com foco em feeling e intenção, dialogando diretamente com o peso das bases e reforçando a atmosfera de cada faixa. Há um equilíbrio interessante entre técnica e agressividade, com frases bem encaixadas que evitam soar genéricas. No fim das contas, são intervenções que não apenas embelezam as músicas, mas ampliam sua identidade e intensidade.

Para quem estava apreensivo ou até mesmo preocupado, podem ficar tranquilo, temos um álbum digno do nome Exodus. Goliath não tenta reinventar o thrash metal, mas também não se acomoda em fórmulas gastas. É um trabalho que respira experiência, mas se recusa a soar confortável. E talvez esse seja o maior trunfo: enquanto muitos vivem de legado, o Exodus ainda soa como uma ameaça ativa.

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