Eye Of The Golem – “The Cosmic Silence” (2021)
Independente
#StonerMetal, #DoomMetal, #StonerDoomMetal
Para fãs de: High On Fire, Monolord, Electric Wizard, Sleep
Nota: 8,0
Ainda que vez ou outra eu cometa diversos pecados gramaticais — concordância, ortografia, pontuação, acentuação gráfica, etc., ainda assim sinto um enorme prazer (apesar dos pesares) em (tentar) escrever sobre música. Meu outro prazer é descobrir, conhecer e me aprofundar na sonoridade desenvolvida por bandas (novas ou não), oriundas dos mais diversos e inesperados países; num verdadeiro garimpo musical que, por vezes, beira a obsessão, caso já não seja. Bem… Cada insano com suas manias e paixões, não é mesmo?
Numa dessas minhas tantas peregrinações em busca não de um Eldorado ou de uma Meca, mas de algo novo para ouvir me deparei com o Eye Of The Golem; uma jovem banda italiana de Stoner/Doom Metal, formada por Alessandro Roda (guitarra e vocais); Hari Di Giangiacomo (bateria) e Emanuele F. (baixo). Os dois primeiros citados são membros do coletivo Punk/Hardcore Milksnake.
“The Cosmic Silence” é seu primeiro registro oficial — na verdade, um curto, mas substancioso EP que porta 04 composições altamente poderosas e viscerais. A produção é rústica como manda a regra, orgânica por dever e potente tal qual a sonoridade do trio pede. A capa, devidamente casada à abordagem dos músicos é de Alfredo Mojo (Annihilationmancer, Power Beyond).
Passada a introdutória “The Golem’s Eye”, ouvimos a ruidosa e muscular faixa título. Nela, percebemos como a banda soube dosar suas influências com sua própria criatividade. Os riffs são expressivos e os tempos bem definidos — ora mais dinâmicos e viscerais — ora morosos, mas igualmente monolíticos. “The Cultist” vibra deliciosamente entre Stoner Rock e o Metal com sutis quedas ao Grunge. “Conjuring The Golem” é um “Stonerzão” à moda da casa, leia-se Monolord, Sleep e similares. Não inventa a roda ou o Bong e nem alimenta essa pretensão, é opulenta e inspirada e isso já basta!
Apesar de não apresentar nada de realmente novo, seja no campo lírico ou sonoro, e de possuir algumas (escassas e aceitáveis) falhas, “The Cosmic Silence” funciona muitíssimo bem, cativa pela força de suas composições e também pelo desempenho do trio. As linhas vocais, de baixo, bateria e guitarra são realmente ótimas. Encorpadas e munidas de sinceridade as faixas conseguem convencer por sua qualidade linear e postura pseudo-despojada. O Eye Of The Golem é um nome novo, mas promissor na cena a qual está inserido. Que venha quanto antes um álbum completo!
Fábio Miloch
