Fabiano Negri – “ZebathY” (2022)

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Fabiano Negri“ZebathY” (2022)
Independente
#HeavyMetal

Para fãs de: Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Rainbow, Sammy Hagar, Nazareth

Nota: 10

Para quem conhece a belíssima carreira de quase três décadas do multi-instrumentista Fabiano Negri sabe bem da capacidade e da qualidade que este pode nos proporcionar a cada novo lançamento. Todos seus trabalhos anteriores, tanto solo como em bandas, foram dignos de nota. Tive o prazer de acompanhar muitos deles e em todos eu parecia um idiota repetindo as palavras “gênio”, “maravilhoso” ou até mesmo a frase “Glenn Hughes Brasileiro”. Estou enganado? Definitivamente não!

Fabiano sempre se enveredou mais para o lado do Hard N’ Heavy, Hard Rock e Classic Rock em seus trabalhos anteriores, todos díspares e de extremo bom gosto, mas aqui em “ZebathY” tivemos a grata surpresa de ouvir sua primeira incursão direta no Heavy Metal. Totalmente influenciado pela sua banda do coração, Black Sabbath (existe algum ser humano que não tenha-a nesse lugar?), o novo álbum foi lançado numa sexta-feira 13, da mesma forma que o álbum homônimo de seus mestres. Coincidência? Claro que não! Uma justa E TREMENDA homenagem de deixar os quatro cavaleiros ingleses do apocalipse orgulhosos!

Aqui sua voz está numa mescla híbrida e potente de Glenn Hughes com Sammy Hagar de deixar qualquer um de queixo caído! Confesso para vocês que era muito fã de Fabiano, e se ele continuar nessa pegada mais Heavy Metal clássico me tornarei ainda mais. Sua capacidade de alternar a voz do leve ao ácido, falsete ao drive, agudo ao sombrio deveria ser estudada!

E certos momentos, e se você fechar os olhos, jurará de pés juntos que está ouvindo o Sammy Hagar de “5150”, depois de estudar a discografia toda do Glenn Hughes por semanas a fio, se tivesse cantando no Black Sabbath. Extremo bom gosto!

Temos o peso predominante do Heavy Metal nos riffs, a melodia do Hard Rock e todos aquele swing na pronúncia característicos de quem já tem anos de estrada, deixando tudo tão original e prazeroso que você nem percebe que já está na quinta faixa, por exemplo.

“ZebathY” tem 8 faixas bem distintas entre si que resgatam os primórdios do Metal clássico, com uma temática conceitual que trata do preconceito velado contras as mulheres no Rock/Metal em especial nas redes sociais, indo contra o escracho, sexismo, machismo e misoginia, as vezes caminhando até próximo do horror, o que venhamos e convenhamos combina e muito com o estilo, não é mesmo?

Fabiano gravou – com mastreia ímpar – além dos vocais, todas as guitarras e bateria, tendo Ric Parma encarregando-se do baixo, e podemos dizer, sem nenhuma dúvida ou puxa-saquismo, que é um dos grandes lançamentos nacionais nesse ano.

A produção e mixagem que valorizou muito as guitarras bem timbradas de Fabiano (que também gravou vocais e bateria) são os fios condutores na audição, auxiliados por criativos arranjos de bateria, o que faz com que o trabalho tenha o clima perfeito para o estilo abordado. Baixos groovados e ‘swingados’ bem evidentes de Ric Parma deram uma profundidade ainda maior as camadas de pura nostalgia.

Um dos momentos mais brilhantes dessa obra prima se chama “Princess’ Stoned Sleep”, por surpreender o ouvinte a cada instante, cadenciada, indo de um Blues/Jazz Rock bem com cara de jam session, seguido de puro Heavy Metal e melancolia como uma mistura de Iron Maiden mais técnico e progressivo com o próprio Black Sabbath da fase Ronnie James Dio. Mas dar apenas um destaque não condiz com a verdade, então além da já citada “Princess’ Stone Sleep”, a lindíssima e cheia de climas faixa título que encherá seus olhos (ou seriam os ouvidos?) logo na primeira audição (adorei as guitarras nessa!), a angustiante, carregada, sombria e cavernosa “Seven Reasons To Die”, as mudanças caóticas de ritmo em “The Universal Builder” e a magistral “The Night Starway” um hino que nos remete – de forma mais pesada – ao melhor do Uriah Heep com Nazareth. Tem como não gostar? Impossível!

Ao falarmos que algumas composições são simples, não significam que são fracas ou sem brilho, às vezes – e na grande maioria das vezes em se tratando de grandes músicos como Fabiano Negri – notamos certas ‘simplicidades’ aqui e ali que são moldadas na mais pura genialidade! Não é necessário termos milhões de harmonias, escalas excêntricas ou passagens que mais parecem uma prova de física quântica em russo, apenas um conhecido ‘x’ da questão chamado F-E-E-L-I-N-G! E aqui temos isso de S-O-B-R-A! Falar em complexidade musical muitas vezes cai na ‘apurrinhação’ sem alma e sem vida, então, que apareçam mais que vão contra isso com como “ZebathY” vai, para sentirmos suas notas vibrarem no compasso dos batimentos do nosso coração, pois é dessa forma e mais precisamente para isso que a música foi inventada: mexer com nossos sentimentos puros e simples! Agora, se você acha que música é para se tocar na velocidade do som, cheio de ‘punhetação” a lá ao chatíssimo Yngwie Malnsteen, meu amigo passe longe desse disco e tome seu remedinho.

Alma pura! Simplesmente brilhante!

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Johnny Z.

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