Fear Factory – Fabrique Club, São Paulo/SP (06/06/2023)
Banda Principal: Fear Factory
Bandas de abertura: Skin Culture e Korzus
Local: Fabrique Club, São Paulo/SP
Data: 06/06/2023
Produção: Powerline
Assessoria: Tedesco Comunicação e Mídia
Texto por Johnny Z.
Fotos por André Tedim
A capital paulista sempre foi rota de shows, e praticamente todo final de semana tem algum show internacional ou nacional agitando a cidade. Mas, numa terça-feira não é algo muito comum – leia-se usual ou corriqueiro – para o cidadão paulistano que trabalha durante a semana às vezes sem hora para entrar, acabar, sair, etc.
O Fabrique Club é um local de fácil acesso? Sim, pois é próximo a estação de metrô Barra Funda, mas você tem que dar uma certa caminhada de uns 20 minutos até o local numa via – digamos assim – não muito agradável. Mas isso não foi problema, só colocar o celular no bolso e andar um pouco mais rápido, pois ali a noite é meio problemático. Enfim, nada diferente de qualquer outro lugar da cidade, não é mesmo?
É uma casa simples, aconchegante e com um sistema de som e iluminação muito bons (talvez podiam usar menos os canhões de luz no rosto do público, pois certas horas incomoda). Os shows iniciaram-se pontualmente, exceto o Fear Factory que atrasou meia hora, mas não foi nenhum problema para os presentes. Tudo bem organizado, casa cheia (somente do meio do show do Korzus em diante), mas super tranquilo, nada apertado ou ‘muvucado’. Mesmo cheio e com as rodas absurdas formadas (vejam mais para frente no texto), tudo foi muito tranquilo, divertido e lavou a alma geral!
SKIN CULTURE
Com uma casa ainda meio vazia, os paulistas do Skin Culture, liderados pelo vocalista Shucky Miranda, celebravam ali não só a volta aos palcos como, também, seus 19 anos de carreira. Para quem conhece a banda sabe que eles sempre deram o sangue em cima do palco com seu som moderno e pesadíssimo, numa mescla híbrida de Groove Metal, Deathcore, pitadas de Industrial, Hardcore e muito Djent Metal.
Na primeira música, a porrada infernal de “Fall On Knees” o som não estava totalmente alinhado, meio embolado, mas em poucos segundos tudo se abrilhantou para uma excelente e feroz apresentação.
Os poucos presentes pareciam meio desanimados, mas não por culpa da banda, talvez por vergonha de se soltar numa plena terça-feira com tão pouca gente naquela hora. Era visível as pessoas olhando de um lado para o outro, com vontade de se soltar, mas deixando o freio de mão puxado (risos). Qual é pessoal, era uma terça-feira, mas a noite só estava começando (risos).
Por conta do palco do Fabrique ser relativamente pequeno, era nítido que as baterias já montadas dos outros shows prejudicou um pouco a mobilidade do Skin Culture, principalmente o “pequenino” Shucky Miranda (risos), mas tiraram de letra, pois a qualidade dos músicos era muito acima da média.
Shucky Miranda com seu vocal extremamente agressivo, Fred Barros (guitarra), o novo baixista Diego Santiago e o baterista substituto Chris Oliveira, filho de Rodrigo Oliveira do Korzus, cobrindo a ausência de Rafael Ferreira que não pode se apresentar, deram uma aula de coesão para aqueles que – assim como eu – gostam daquele som pesado, técnico, intrincado e dissonante, com baixo bem vistoso, guitarras com ‘trocentas’ cordas e afinação baixa. Só quem estava lá sabe o peso que saia daqueles PAs!
Na minha modesta opinião, tanto a faixa “Fall On Knees” como “Breathing Sulfur” deveriam ser estudada, ou melhor, o último trabalho da banda “Lazarus Eclipse”, resenhado por este quem vos escreve aqui no Metal Na Lata, deveria ser estudado pela NASA! (risos).
Vale destacar os discursos de Shucky sobre como a pandemia afetou diretamente a banda, com perdas significativas como o empresário Sílvio Palmeira e o baixista Gabriel Morada, que foram lembrados com muita emoção por parte do cantor, inclusive dedicando a faixa “Bring Me Back To Life” aos finados amigos e companheiros.
Sejam bem vindos de volta aos palcos e parabéns pelos 19 anos de carreira! Bandassa!!!








Setlist:
Intro/Fall On Knees
Supernatural
Breathing Sulfur
Set Me Free (com participação de Sérgio Ogres da banda Punição)
Bring Me Back To Life
Devil 19
An Ocean Of Lamentations
Suicide Love
KORZUS
Falar bem de um show do Korzus é redundância, e isso não é por ‘puxação’ de saco nem nada disso, pelo contrário, é realmente uma AULA de Thrash Metal e, principalmente, qualidade. Todas as bandas deveriam aprender com eles como se portarem no palco, se comunicarem com o público e como ganharem os presentes em poucos segundos.
Às 20h30, com a casa praticamente cheia – mas mesmo assim super tranquila – a aniquilação Thrash brasileira subiu ao palco após uma introdução sinistra com “Guilty Silence”, que ao meu ver é A FAIXA de abertura de um show do Korzus e que jamais deveria sair dessa posição, seguida pela pedrada “Raise Your Soul”. Já assisti a inúmeros shows, e o impacto de sempre abrirem com ela é algo inexplicável.
Não vou ficar perdendo tempo falando da qualidade excepcional dos músicos, ok? Isso todo mundo já está careca de saber, mas o vocal agressivo e a presença de palco de Marcelo Pompeu (vocal), junto com a ‘ignorância’ de Rodrigo Oliveira (bateria) deixam qualquer um de queixo caído. Sério, eu tenho dó dessas peles de bateria que ele usa! (risos)
Ver Pompeu e o simpaticíssimo Dick Siebert (baixo), duas lendas vivas juntos no palco é nostálgico pra cacete! Te passa uma vida inteira na cabeça a cada show que você vê com esses caras.
Também foram (parcos) 40 minutos de show, mas de extremo bom gosto. Sem contar a qualidade do som que estava simplesmente – como de costume em se tratando de Korzus – esplêndida. O peso das guitarras de Heros Trench e Antônio Araújo era ensurdecedor (ainda bem), mas tudo muitíssimo bem calibrado, cristalino e brutal.
Citar destaques nessa apresentação que de tão monstruosa pareceu ter passado 5 minutos, eu citaria as onipresentes e soberbas – ou melhor, assassinas – “What Are You Looking For”, “Discipline Of Hate”, “Truth” e o hino paulistano “Correria”, findaram essa que foi uma das mais pesadas apresentações que eu vi da banda em anos, e olha que já assisti a muitas!
Show do Korzus é aula de como ser músico, como se ter banda e como se produzir música de qualidade! Os caras são como máquinas! E falando em máquinas…
















Setlist:
Guilty Silence
Raise Your Soul
You Can’t Stop Me
Never Die
Beware
NameSake
What Are You Looking For
Discipline of Hate
Truth
Correria
FEAR FACTORY
A tarefa em resenhar um show ou um lançamento de uma banda que há muitas décadas foi/é uma de suas favoritas, não tem preço. A máquina Fear Factory faz o coração deste senhor aqui bater muito forte, e jamais será negado isso. Então, se você está pensando que a resenha não será imparcial, acertou! E mesmo se eu quisesse falar alguma coisa ruim, eu não teria absolutamente nada para falar, então será uma parcial, mas correta resenha (risos).
Talvez, as únicas ‘críticas’ que farei uma é algo bem pessoal, e que não alterou em absolutamente nada no show, que é não termos certas figurinhas carimbadas na formação da banda apenas por pura memória afetiva, já que sinto falta da presença marcante de Christian Olde Wolbers. A outra foi o atraso, mas como disse, ninguém nem sentiu.
Sim meus caros, você leu certo, NÃO ALTEROU EM NADA em termos de qualidade, sonoridade, e nem timbre de voz, pois Milo Silvestro – vocalista que substituiu o (agora posso dizer isso) substituível Burton C. Bell – saiu de lá aplaudido efusivamente como poucas vezes eu vi um substituto receber.
Era olha nos rostos dos presentes e verem TODOS de queixo caído pela semelhança BRUTAL de voz de Milo com Burton, e se você fechasse os olhos juraria de pé junto que Burton estava lá! Simplesmente impressionante! Aquela premissa de “ah, não vamos chamar um clone, vamos procurar uma pessoa diferente para não soar cópia e bla bla bla”, foi para o ralo! Era exatamente o que o Fear Factory não precisava, soar diferente, mas sim preciso!
Atualmente contando com Milo Silvestro (vocal), Tony Campos (baixo/Prong, Static X, mais um milhão de bandas), Pete Webber (bateria/Havoc) e somente com Dino Cazares (guitarra) como único membro original/clássico, deram ao público presente tudo o que esperavam (e mais um pouco).
Logo de cara na primeira música “Shock” o que se viu era um monte de gente se olhando perplexo, e não acreditando que aquilo era real. Muitos ficaram realmente em choque! Se foi proposital abrirem com essa faixa, palmas para eles (risos). “Edgecrusher” veio na sequência aí, meu amigo, a noite se tornou uma criança inconsequente e irresponsável, pois ninguém ficou parado. Não tinha idade, não tinha problema pessoal, preocupação, nada que tirassem o foco que era aquele show como se fosse a última coisa do mundo a se fazer em vida. Em “Recharger” o bicho realmente pegou de vez, e dali em diante a casa veio provou estar bem guarnecida estruturalmente (risos).
Não existiu nenhum um ser humano ali presente que não se esbaldou, não se matou no meio das rodas, cantou, gritou, pulou, ou seja, foi realmente O SHOW PARA SE LAVAR A ALMA. A energia da banda no palco passou por osmose ao público que soube aproveita-la a seu favor dando um show na pista! Há anos não me divertia como um adolescente de novo (risos).
Até faixas dos trabalhos mais recentes, lançadas ainda com Burton nos vocais – já que ainda não temos nada oficialmente lançado com Milo – agitaram os presentes de forma avassaladora, também, com aquele peso cortante que saia da guitarra de Dino, o baixo distorcido de Tony e a bateria trituradora de Pete, foi jogo ganho, pois os caras não só se encaixaram muitíssimo bem na banda, como tocam sua partes tão perfeito quanto os originais.
A segunda parte do show com “Linchpin”, “What Will Become?”, “Archetype” (faixa que originalmente não contava com Dino Cazares na banda), “Demanufacture”, “Zero Signal”, o hino “Replica” que transformou a pista do Fabrique numa massa de bolo sendo batida na velocidade 10 de um liquidificador, e a trinca infernal final com “Martyr”, “Scapegoat” e a belíssima “Resurrection”, foram o ápice do caos na Terra! Se uma hecatombe no mundo acontecer, quem esteve presente nesse dia já sabe como “morrer com honra”.
Som impecável, muito alto, mas super puro, que com certeza – e eu aposto isso – todos saíram de lá completamente surdos. Acho que até hoje estou com os ouvidos zumbindo (risos). Só não achei propícia a iluminação por conta dos feixes de luz vindo direto nos olhos do público em muitos momentos.
Milo se mostrou super integrado, simpático, soltando vários “muito obrigado” em português, já que o The Italian Stallion (garanhão italiano, numa alusão ao filme Rocky, apresentado dessa forma por Dino Cazares), e calou a boca de muitos que achavam – sem nem ter ouvido sua voz – não ser o cara certo para a banda. Impecável é apelido, e agora deixou todos ali presentes ansiosíssimos por material novo e inédito já com ele.
Vai ser difícil – não impossível – outro show superar o Fear Factory esse ano para mim, em todos sentidos!



















Setlist:
Shock
Edgecrusher
Recharger
Dielectric
Soul Hacker
Powershifter
Disruptor
Linchpin
Descent
What Will Become?
Archetype
Demanufacture
Zero Signal
Replica
Martyr
Scapegoat
Resurrection
Parabéns a Agência Powerline e a todos os envolvidos na produção de mais um excelente evento.
Agradecimentos à Erick Tedesco e Tedesco Comunicação e Mídia pela parceria e credenciamento.





